Projeto prevê que a garagem de hoje vire o escritório de amanhã

O edifício que ocupará a esquina da Quarta Avenida com a Rua Columbia pretende ser um marco na paisagem de Seattle. Com 313 metros, será a construção mais alta da cidade, ofuscando até o Space Needle, um dos símbolos da cidade. O empreendimento exigirá um investimento de US$ 290 milhões, mas não deve chamar a atenção apenas pela altura. Ele pode ser um dos primeiros exemplos de prédio comercial que considera a mudança na mobilidade dos grandes centros urbanos para poder se manter moderno por décadas.

O projeto prevê espaço para residências, escritórios, hotel, lojas e oito andares de estacionamento subterrâneo. Além disso, há outros quatro pavimentos – acima do nível da rua – para carros. Parece bastante, e talvez seja. E justamente por isso, o desenho dessas garagens foi feito de modo que elas possam, um dia, serem convertidas em mais espaço para apartamentos e/ou escritórios.

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Não é uma coisa tão simples quanto parece. As lajes e vigas precisam ter resistência maior que a utilizada normalmente em um andar de estacionamento, o pé direito precisa ser mais alto e o projeto estrutural precisa distribuir os pilares de forma a não atrapalharem a criação de uma sala, um quarto, um banheiro ou uma sala de reunião. Além disso, é preciso ter espaço já reservado para a futura instalação de sistema elétrico, hidráulico e de ar condicionado.

Outro desafio foi o transporte vertical. Em um estacionamento convencional, o carro sobe ou desce de andar por meio de rampas, mas elas seriam difíceis de acomodar após a conversão para área habitável. assim, nesses quatro pavimentos de garagem, os carros são elevados ou baixados por elevador.

A LMN, empresa responsável pelo projeto, considerou que a demanda por vagas para automóveis ainda é grande em um empreendimento desse tipo no centro do Seattle. No entanto, a cidade norte-americana já passa por mudanças no seu sistema de mobilidade, com os carros particulares perdendo espaço para bicicletas, bicicletas compartilhadas, Uber e transporte público. Com isso, a tendência é que a demanda por espaços específicos para guardar carros seja menor.

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A iniciativa teve boa recepção de arquitetos e urbanistas, mas ainda enfrenta alguns problemas. O primeiro é legal: o projeto ainda está em fase de aprovação pela prefeitura, que vê com bons olhos a ideia, mas está diante de um empreendimento fora do comum e que exige estudos com parâmetros próprios. O segundo é econômico: deixar andares de estacionamentos preparados para unidades custa mais caro. No caso do edifício de Seattle, esse aumento está estimado na casa de alguns milhões de dólares.

O problema não é encarecer o edifício, afinal, as unidades construídas no futuro serão comercializadas e darão ao investidor o retorno desses milhões e ainda haverá um lucro considerável. Mas esse dinheiro só será recuperado após alguns anos, e nem todo incorporador está disposto a esperar.

De qualquer modo, o arranha-céu de Seattle não é o único caso de edifício com projeto de garagem reversível. Já há dois projetos desse tipo em Denver, um em Atlanta e um em Miami. Nenhum saiu do papel ainda, mas parece questão de tempo para que os primeiros consigam a aprovação das autoridades e o financiamento necessário.

Para o Brasil, isso ainda soa como algo distante, sobretudo pela crise que o setor imobiliário tem sofrido nos últimos anos. Incorporadores não se darão ao luxo de lançar um empreendimento que tenha custo inicial mais alto e ainda demore para ser aprovado na prefeitura. Mas o debate é válido.

Texto publicado originalmente no Outra Cidade.

Seattle transformará trecho de avenida em praça do Pac Man

A Summit Avenue East é uma via intermitente pouco ao norte do centro de Seattle. Ela não funciona como um corredor contínuo, mas como uma sequência de quatro trechos de ruas que seguem a mesma direção. Com isso, seu tráfego não é tão intenso em algumas de suas partes, sobretudo a mais curta, uma alça ligando a East Olive Way e a East Denny Way. Por isso, a prefeitura decidiu transformar esse pedaço de rua em área para pedestres. Em breve, toda a comunidade poderá ir ao espaço para… comer pílulas e caçar fantasmas.

O Departamento de Transportes de Seattle criou o programa PTP (“Pavement to Park”, “Pavimento para Parque” em inglês), usando pedaços de vias subutilizados em zonas peatonais. O trecho da Summit Avenue East era um alvo lógico. Trata-se de uma via de poucos metros e pouco tráfego, tendo como função principal oferecer seis vagas de estacionamento.

Por isso, a prefeitura fechou o espaço para o tráfego em 14 de julho e fez um teste, criando um mini-parque e chamando a população para aproveitar o espaço e opinar sobre o destino do local, inclusive votando em propostas de desenhos para o piso da futura praça. No final, a opção mais votada foi a que transforma a área em um labirinto de Pacman.

A decoração do clássico game deve ser apenas uma pintura, mas seria muito interessante se realmente fosse feito um pequeno labirinto. As crianças iriam se divertir.

Trecho da Summit Avenue East atual (à esquerda) e projeto de transformação em espaço público
Trecho da Summit Avenue East atual (à esquerda) e projeto de transformação em espaço público
Mapa de Capitol Hill e um dos trechos intermitentes da Summit Avenue East (Reprodução)
Mapa de Capitol Hill e um dos trechos intermitentes da Summit Avenue East (Reprodução)