Ganhe algumas horas brincando nesse mapa com o fluxo migratório mundial

Um mapa animado e interativo sobre um tema relevante. Impossível resistir à tentação e ficar horas e horas explorando cada faísca de informação. É o caso dessa maravilha abaixo, um desenho com o fluxo migratório de todos os países do planeta entre 2010 e 2015, de acordo com dados da ONU.

Além de mostrar quais as rotas mais recorrentes (Síria-Turquia, México-Estados Unidos, Sudão-Sudão do Sul, Afeganistão-Paquistão, Malásia-Singapura), permite conferir a situação de cada nação. Basta clicar na bola de cada país e ver o saldo da migração por nação (o Brasil, por exemplo, recebeu 102.123 a mais de imigrantes do que teve de brasileiros que se mudaram para o exterior) e com quais lugares houve essa troca de população.

O trabalho é do ótimo Metrocosm, que será mencionado por aqui várias vezes no futuro. O mapa acompanha um post interessante analisando alguns dos dados, enfocando mais nos países de língua inglesa.

Esse mapa não é novo (aliás, aqui tem a versão tela cheia), mas o Rodínia não tinha como falar dele na época de sua publicação, em junho de 2016, porque o blog nem existia. Mas agora ele existe, e se vê na obrigação moral de mostrar isso para quem ainda não tinha visto.

Aproveitem.

Dica do amigo Matias Pinto, apresentador do obrigatório podcast Xadrez Verbal.

A canção do migrante que virou símbolo da metrópole

O nome da música já explica muito o que ela se tornou: “Sweet Home Chicago”, “Doce Lar Chicago”. É natural que um blues com esse nome acabe se tornando um dos símbolos musicais da grande metrópole do Meio-Oeste dos EUA. No entanto, a relação da música com a cidade é muito diferente do que pode parecer. Não é uma canção de exaltação, sobre o quanto o autor se sente bem e acolhido em um determinado lugar. É sobre um trabalhador migrante. O que diz muito sobre a história de Chicago, do autor da música e do blues.

Chicago cresceu no século 19 como um porto que escoava a produção agrícola do sul, que vinha pelos barcos que subiam o rio Mississippi até St. Louis e depois seguiam de trem. Por isso, o contato da cidade com o sul sempre foi grande, um processo que se intensificou na Grande Migração (primeira metade do século 20), quando Chicago foi destino de centenas de milhares de trabalhadores rurais negros que abandonaram o sul para tentar a sorte nas grandes cidades. Junto com suas famílias e seus poucos pertences, levaram sua música, como o jazz e blues, nascidos entre comunidades ao longo do Rio Mississippi.

Muitas canções de blues falavam da vida de migração, de arrumar as malas para ir de uma cidade a outra, de sentir saudades de um lugar. Robert Johnson, talvez a primeira grande estrela do blues e também um filho do rio Mississippi, pegou uma das músicas e adaptou a letra. Incluiu menções a Chicago e Califórnia, dois destinos comuns dos migrantes do sul na década de 1930. Assim nascia “Sweet Home Chicago”.

A versão original tem um estilo de blues do Delta do Mississippi, composto basicamente por violão, gaita e um vocal que sai quase dolorido da boca do cantor. A letra não traz nada de especial a Chicago, até menciona mais vezes a Califórnia. Mas era blues, e blues é a cara de Chicago. A música foi “chicagonizada”, substituindo as citações californianas por “same old place” (“mesmo velho lugar”) e ganhando o estilo de blues da metrópole do Illinois, com instrumentos elétricos, bandas e um espírito mais dinâmico, eventualmente até alegre.

É essa a versão conhecida hoje, que tem como uma de suas referências a interpretação de John Belushi e Dan Aykroyd no filme “Os Irmãos Caras-de-Pau” (Blues Brothers), mas foi interpretada até por Barack Obama em uma sessão com astros como BB King e Mick Jagger na Casa Branca. Nada de se estranhar, pois o presidente americano é havaiano, mas fez sua vida profissional em Chicago.

Confira (e compare) três diferentes versões de Sweet Home Chicago: a de Robert Johnson, a dos Blues Brothers e a de Barack Obama.

Texto publicado originalmente para a newsletter do Outra Cidade. Para assiná-la, clique aqui.