Tirar sarro da ideia de baixar a cabeça é a melhor coisa que Londres poderia fazer

“Londres está combalida, de luto, cabisbaixa, vazia.” Esses são os clichês básicos da cobertura jornalística para retratar o clima na capital britânica após o atentado que matou sete pessoas e feriu 48 no último sábado. Seria compreensível, pois é o tipo de evento que deixa uma comunidade traumatizada, ainda mais porque ocorreu apenas duas semanas após um outro ataque terrorista em Manchester. Mas os londrinos não aceitaram esses relatos. Ainda bem.

Quando surgiram as primeiras reportagens, sobretudo na imprensa norte-americana, sobre uma cidade “combalida”, os ingleses fizeram o que fazem de melhor: piadas. As redes sociais foram palco da campanha #ThingsThatLeaveBritainReeling (#CoisasQueDeixamAGrãBretanhaCombalida em português), em que britânicos mencionavam coisas que atingem os costumes locais – como esquentar o chá no micro-ondas ou ficar parado no lado esquerdo da escada rolante – como reais motivos de tristeza.

É a melhor coisa que Londres e os londrinos poderiam fazer. Claro, ninguém está ignorando a gravidade dos atentados ou fazendo pouco da tristeza de quem foi vítima dos ataques. Mas a cidade, como uma comunidade, não pode se deixar abalar. Ela tem de se mostrar mais forte, ela tem de mostrar aos terroristas que nenhuma ação deles será capaz de mudar seu jeito de ser. Afinal, atingir o moral de uma população e fazê-la de refém é o objetivo dos atentados.

Os londrinos podem tomar como exemplo a história de sua própria cidade. Ao longo de séculos, Londres já sobreviveu a casos muito mais traumáticos: a Guerra Civil Inglesa (século 17), o Grande Incêndio de 1666, os bombardeios alemães na Segunda Guerra Mundial e os diversos ataques terroristas do IRA (Exército Republicano Irlandês) nas décadas de 1960 a 80.

É preciso mais que três infelizes atacando em uma noite de sábado para abalar a capital inglesa. A não ser que, ao invés de facas, eles levassem xícaras, água, um saquinho de chá e… micro-ondas.

Quem precisa de Google quando dá para mapear TODA a internet? Em 1973, dava

A internet se chama de “rede” (net) e “teia” (web), mas obviamente essas duas metáforas estão longe de ilustrar o que se tornou essa ferramenta. É tanto conteúdo – ainda que parte dele seja descartável – que se localizar no meio da confusão é difícil. O Google está aí para isso, mas muitas vezes ele não dá conta do serviço.

Mas, no comecinho de sua história, era muito mais fácil. Nada de site de buscas: o negócio era mapear a internet. Sim, mapear, ela inteirinha. Recentemente, o desenvolvedor David Newbury compartilhou em seu perfil no Twitter uma imagem com toda a internet mundial, quando ainda se chamava Arpa Network.

Mapa de toda a internet em 1973 (David Newbury / Twitter)
Mapa de toda a internet em 1973 (David Newbury / Twitter)

A Rede da Agência de Pesquisas em Projetos Avançados (Arpanet na sigla em inglês) foi uma rede operacional de computadores criada pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos no final da década de 1960. No início, era uma ferramenta que permitia a comunicação entre diversas unidades das Forças Armadas, sem um comando central (tornando as informações menos vulneráveis a eventuais ataques soviéticos).

No início da década de 1970, universidades que prestavam serviços ao Departamento de Defesa passaram a ter acesso à rede. As quatro primeiras foram UCSB (Universidade da Califórnia-Santa Bárbara), Stanford, UCLA (Universidade da Califórnia-Los Angeles) e Universidade de Utah.

Quando o mapa acima foi feito, outras instituições haviam entrado. Caso da Carnegie Mellon, onde trabalhava Paul Newsbury, que guardou o mapa histórico e presenteou seu filho David, que usou a antiga Arpanet para postar o desenho em uma rede social com mensagens limitadas a 140 toques.