Seattle transformará trecho de avenida em praça do Pac Man

A Summit Avenue East é uma via intermitente pouco ao norte do centro de Seattle. Ela não funciona como um corredor contínuo, mas como uma sequência de quatro trechos de ruas que seguem a mesma direção. Com isso, seu tráfego não é tão intenso em algumas de suas partes, sobretudo a mais curta, uma alça ligando a East Olive Way e a East Denny Way. Por isso, a prefeitura decidiu transformar esse pedaço de rua em área para pedestres. Em breve, toda a comunidade poderá ir ao espaço para… comer pílulas e caçar fantasmas.

O Departamento de Transportes de Seattle criou o programa PTP (“Pavement to Park”, “Pavimento para Parque” em inglês), usando pedaços de vias subutilizados em zonas peatonais. O trecho da Summit Avenue East era um alvo lógico. Trata-se de uma via de poucos metros e pouco tráfego, tendo como função principal oferecer seis vagas de estacionamento.

Por isso, a prefeitura fechou o espaço para o tráfego em 14 de julho e fez um teste, criando um mini-parque e chamando a população para aproveitar o espaço e opinar sobre o destino do local, inclusive votando em propostas de desenhos para o piso da futura praça. No final, a opção mais votada foi a que transforma a área em um labirinto de Pacman.

A decoração do clássico game deve ser apenas uma pintura, mas seria muito interessante se realmente fosse feito um pequeno labirinto. As crianças iriam se divertir.

Trecho da Summit Avenue East atual (à esquerda) e projeto de transformação em espaço público
Trecho da Summit Avenue East atual (à esquerda) e projeto de transformação em espaço público
Mapa de Capitol Hill e um dos trechos intermitentes da Summit Avenue East (Reprodução)
Mapa de Capitol Hill e um dos trechos intermitentes da Summit Avenue East (Reprodução)

Pokémon Go ajuda a reconectar as pessoas com os espaços públicos

Crianças saindo de casa para circular pelas ruas do bairro. Marmanjos descobrindo parques e edifícios públicos. Comércio de bairro aproveitando para chamar esses tantos pedestres. Esse movimento já se vê há alguns anos em vários lugares, mas teve um impulso gigantesco nas últimas semanas devido a um aliado inesperado, por ser um tradicional símbolo do lazer em ambiente fechado: o videogame.

O jogo Pokémon Go explodiu de forma tão rápida que é até capaz de as pessoas se cansarem dele em pouco tempo. Não é a tendência, pois seus desenvolvedores devem lançar mão de noviodades ao longo do tempo para dar novo fôlego ao game, mas, mesmo que ocorra, ele já deixa um pequeno legado.

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No game, o jogador usa seu celular para capturar pokémons. O GPS ajuda o usuário a localizar os pequenos monstros pelos arredores e a câmera insere o alvo dentro do ambiente real (o vídeo abaixo dá um resumo). O jogo ainda não está disponível no Brasil, o que até motivou um pedido do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, pensando no quanto isso poderia contribuir para a interação dos turistas com a cidade durante os Jogos Olímpicos.

O conceito de realidade aumentada, com elementos virtuais interagindo com o ambiente real, não é inédito. Mas nenhuma ferramenta teve o alcance e a repercussão dos monstrinhos japoneses. Rapídamente, surgiram relatos de pessoas voltando a explorar suas cidades – até porque a densidade populacional de pokémons é muito menor em áreas rurais -, de espaços públicos mais óbvios a áreas que estavam escondidas, até o ponto de dois cadáveres já terem sido encontrados por usuários do game.

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Claro, isso também traz problemas como assaltantes que se aproveitam da presença de pokémons em certas regiões para tirar proveito de jogadores desatentos e pessoas circulando perigosamente em algumas vias. São efeitos colaterais de um fenômeno que, por enquanto, é positivo.

Vários movimentos promovem a retomada dos espaços públicos por meio de atividades lúdicas. As iniciativas são necessárias em diversos aspectos, e games de realidade aumentada podem ajudar nesse processo. Se isso ocorrer, possivelmente será com grande participação da turma do Pikachu.