Voo 666 chega a salvo ao inferno na sexta-feira 13

Todo dia, a finlandesa Finnair desafia quem diz não acreditar em superstição. Às 13h15, o voo 666 parte de Copenhague com destino a HEL, código internacional para o aeroporto de Helsinque. Muita gente já fica desconfortável com a ideia de pegar um avião, ainda mais se o voo estiver envolvido com o número da besta e o inferno. Mas uma terceira maldição aparece sempre que é sexta-feira 13. Como hoje.

Parece o enredo de um filme de terror de quinta categoria ou a letra de uma música de heavy metal dos anos 80, mas nunca aconteceu nada de diferente nesses voos. Nem hoje: o Airbus A320-214 do voo AY666 decolou da capital dinamarquesa com apenas um minuto de atraso e chegou até antes do esperado. 

O RT fez uma pequena reportagem interessante sobre esse voo. Deem uma olhada.

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Sabe a árvore de mil anos em que fizeram um túnel para carros? Então, caiu

Sequoias-gigantes são superlativas. As mais antigas nasceram há 3.500 anos, 150 anos ANTES de Tutancâmon ir ao trono no Egito, e estão entre os seres vivos mais velhos do planeta. As mais altas passam de 90 metros de altura e de 8 metros de largura, tornando-se os maiores  e mais volumosos seres vivos. A baleia azul – talvez o maior animal já conhecido – parece nanica com seus 30 metros de comprimento.

Um sinal desse gigantismo foi o uso delas quase como montanhas. Depois de quase acabarem com elas para a construção de dormentes de ferrovias, muitos norte-americanos passaram a ver o porte dessas árvores como atração turística. Algumas tiveram sua base cavada para dar espaço a túneis em que pessoas e, depois, carros poderiam circular. Um fetiche para poucos nas primeiras décadas da era do automóvel.

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Um dos exemplares mais famosos foi a Pioneer Cabin, uma árvore de cerca de mil anos de vida com dez metros de diâmetro que teve um túnel cavado em 1880. O responsável foi o dono de um hotel na região, que queria criar um atrativo turístico em Calaveras que competisse com o Parque Nacional de Yosemite, também na Califórnia.

A Pioneer Cabin foi atravessada por carros durante décadas, mas a circulação de automóveis já estava proibida. Pessoas podiam passar por ela, ao menos até o último fim de semana. No domingo (dia 8), uma forte tempestade derrubou a famosa sequoia-gigante do Parque Calaveras.

É óbvio que uma árvore que tem sua base cavada acaba perdendo sustentação, e é até notável que a Pioneer Cabin tenha suportado 137 anos nessa condição. Menos mal que, hoje, os responsáveis pelos parques dos Estados Unidos já sabem que as sequoias-gigantes sofrem quando passam por isso e não é permitido fazer novos túneis.

A Pioneer cabin Tree caída (Claudia Beymer / Divulgação)
A Pioneer Cabin caída (Claudia Beymer / Divulgação)

Quanto à Pioneer Cabin, os dirigentes do Parque Estadual Grandes Árvores de Calaveras querem deixar a natureza tomar seu rumo. O enorme tronco provavelmente ficará onde está, caído, servindo de abrigo para animais enquanto se decompõe e enriquece o solo de nutrientes.

Rio precisa conquistar mais turistas, não cobrar imposto dos que já tem

Marcelo Crivella não deu detalhes, pois ainda é uma ideia embrionária, mas já mostrou a intenção de colocar na conta do turista uma parte das medidas de recuperação do caixa da cidade. O novo prefeito do Rio de Janeiro afirmou que estuda criar uma taxa de “R$ 4 ou 5” para quem se hospedar na cidade. Uma iniciativa simplista, imediatista e, principalmente, potencialmente nociva.

Esse imposto para turistas não é novidade no mundo. Ele é cobrado em cidades italianas (imposta di soggiorno) e francesas (taxe de séjour) e em estados norte-americanos (occupancy tax), por exemplo. Crivella, inclusive, usou o fato de ser cobrado “no mundo inteiro” como argumento para defender a criação de um similar carioca. Mas isso não torna a ideia mais válida ou mais adequada, simplesmente porque a realidade desses lugares é diferente.

Com 6,43 milhões de visitantes estrangeiros, o Brasil foi apenas o 43º destino turístico mais procurado no mundo em 2014 de acordo com o ranking da Organização Mundial do Turismo. O cenário melhorou em 2016, com 6,6 milhões de turistas (o que não deve resultar em uma subida considerável no ranking, diga-se), mas o turismo representa apenas 0,3% do PIB nacional, um percentual menor que o do Iraque. Isso já mostra quanto o país tem potencial para crescer nesse setor, sobretudo considerando o apelo que possui em várias áreas e à boa avaliação (não na organização, mas na hospitalidade) como anfitrião de eventos como Copa do Mundo e Jogos Olímpicos.

O Rio de Janeiro deveria se concentrar em atrair mais gente, em convencer milhares ou milhões de turistas a irem à Cidade Maravilhosa ao invés de buscarem destinos como Tailândia, México ou África do Sul (países à frente do Brasil no ranking da OMT). Esses turistas deixariam seu dinheiro no comércio, na bilheteria em atrações turísticas e, no final das contas, reforçariam o caixa da prefeitura e do governo estadual.

O problema é que isso dá trabalho. Seria necessário montar uma estratégia para elevar ainda mais o Rio como destino internacional, aumentando a promoção (propaganda) no exterior, desenvolvendo mais as atrações existentes na cidade (melhorando as que existem e criando novas) e atacando os pontos negativos do ponto de vista do turista (violência, desorganização nos serviços públicos, zika). Ao cobrar um imposto, por mais baixo que ele pareça, só se cria uma atitude antipática que pode atrapalhar na hora de um visitante escolher entre o Rio ou outro destino.

Itália, França e Estados Unidos não precisam se esforçar tanto para convencer o turista. Esses países ocupam três das cinco primeiras posições no ranking da OMT, sinal de que sua indústria do turismo já está bem estruturada e várias de suas atrações turísticas são conhecidas mundialmente. Pessoas de todos os cantos do globo têm como sonho conhecer lugares como o Coliseu, a Torre Eiffel e o Grand Canyon, comer uma legítima massa italiana, tomar um vinho francês recém-saído do barril ou tirar uma foto com o Mickey Mouse. E elas se dispõem a pagar uma taxa para cada noite dormida se for o caso.

O pior é que o tal imposto teria pouco efeito prático no caixa municipal. O Rio de Janeiro recebeu 1,9 milhão de turistas estrangeiros em 2014, segundo o Euromonitor. Se cada um pagar os tais “cinco reais” mencionados por Crivella, seriam R$ 9,5 milhões. Se a taxa for cobrada por noite dormida – como é na Itália, na França e nos EUA -, o ganho seria de R$ 113,05 milhões. Se a taxa for para todos os turistas, estrangeiros e os 7,3 milhões vindo de outras regiões do Brasil, a arrecadação seria de R$ 46 milhões para a cobrança única e R$ 259,05 milhões para a cobrança diária.

As contas acima consideram quatro dias de estadia média para o turista brasileiro e 11,9 para o estrangeiro, números levantados em pesquisa contratada pela TurisRio.

O imposto seria até justificável como atitude para resolver um problema imediato, mas ele está longe de resolver o problema de caixa da prefeitura. Os números parecem altos, sobretudo os R$ 259 milhões, mas são nanicos perto do orçamento do município (R$ 29,5 bilhões) e do gasto com dívidas (R$ 1,3 bilhão) previstos para 2017. E, se a medida em si não resolve, vale mais a pena fazer o turismo trazer dinheiro como uma atividade econômica em crescimento, e não como taxa para seus consumidores.

Da língua à sinalização, o Japão já se prepara para se fazer entender nos Jogos Olímpicos de 2020

A comunicação com milhões de estrangeiros é um dos desafios perenes do turismo no Japão. Ainda que a população seja conhecida pelo esforço e simpatia na tentativa de receber bem, o conhecimento do inglês ainda é restrito no arquipélago. Um problema grave quando se pensa que a escrita também é um desafio e Tóquio está a três anos e meio de receber o maior evento poliesportivo do planeta. Mas os japoneses já estão se mexendo. E em várias áreas da comunicação.

A primeira meta é fazer que todos os 90 mil voluntários (estimativa do comitê organizador) consigam atender aos visitantes. Para isso, sete universidades especializadas em estudos internacionais e de idiomas (espalhadas por Chiba, Kioto, Kobe, Nagasaki, Nagoia, Osaka e Tóquio) uniram forças para realizar programas bienais de ensino de idiomas. O programa é centrado em ferramentas básicas para tradução e interpretação e abrange inicialmente cinco idiomas: inglês, chinês, espanhol, coreano e português (sim, português).

Os cursos são voltados não apenas às línguas em si, mas também à cultura, religião, esportes e temas na área de hospitalidade. A intenção não é apenas haver uma conversa, mas evitar que surjam ruídos por diferenças na forma de japoneses e estrangeiros interpretarem cada situação. Quem pretende trabalhar em setores mais específicos, como atendimento médico, também está recebendo cursos de idiomas focados nesses temas.

Outra preocupação dos japoneses é permitir que um estrangeiro se oriente facilmente pelo país. O Japão ganhou fama entre visitantes de ter placas divertidas, quase um cartum (até há um blog sobre isso), mas o problema maior é o padrão adotado para a sinalização, diferente do internacional. Ainda que muitos símbolos sejam intuitivos, outros alguns podem criar confusão.

Por isso, o governo criou um comitê para revisar todos os símbolos do padrão japonês, que toma como base uma linguagem criada em 1964 justamente para a primeira vez que Tóquio recebeu os Jogos Olímpicos. Alguns pictogramas serão criados, enquanto outros serão substituídos pelo utilizado internacionalmente.

Em estabelecimentos comerciais, a adoção dos novos símbolos não será obrigatória, apenas recomendada. A dúvida é grande em casas termais, os onsen, que consideram que a marca atual já é consagrada e não vêem motivos para troca pelo símbolo mundial.

Símbolo de casas termais adotado no Japão (à esquerda) e o internacional (à direita)
Símbolo de casas termais adotado no Japão (à esquerda) e o internacional (à direita)

 

Canadá convida turistas a conhecerem estrada da série “Caminhoneiros do Gelo” antes que ela feche

Caminhões pesados, enormes, carregando de mantimentos a toneladas de equipamentos pesados para uso industrial. Tudo isso trafegando sobre a superfície congelada de rios e lagos no inverno do norte do Canadá ou do Alasca. A premissa da série “Caminhoneiros do Gelo”, do canal History, é instigante. Não à toa, o programa fez bastante sucesso e já está em sua décima temporada nos Estados Unidos.

Agora, a estrada de gelo retratada na segunda temporada da série está recebendo tratamento de atração turística. O governo dos Territórios do Noroeste, Canadá, lançou uma campanha para que visitantes tenham a oportunidade de guiar pelos os 187 km de pistas largas e lisas que separam Inuvik e Tuktoyaktuk, no Oceano Ártico. No caminho, o gelo que toma conta de centenas de lagos e os vários braços do delta do rio Mackenzie.

Localização de Inuvik e Tuktoyaktuk no extremo norte do Canadá (Reprodução)
Localização de Inuvik e Tuktoyaktuk no extremo norte do Canadá (Reprodução)

Os canadenses ainda sugerem que o turista aproveite para curtir o 30º aniversário do Festival do Nascer do Sol em Inuvik. Em dezembro, o extremo norte do Canadá fica 30 dias sem a luz do sol. O retorno do astro motiva celebração entre os dias 6 e 8 de janeiro, com dança, música, comidas típicas, fogos de artifício e shows dentro de uma igreja de iglu.

Mas tudo isso tem de ser para já. O motivo para se valorizar tanto a estrada de gelo entre Inuvik e Tuktoyaktuk é que o atual inverno (do hemisfério norte) será o último em que ela ficará ativa. Em 2017, será inaugurada uma rodovia permanente, com pavimento tradicional, para uso durante todas as estações. Aí, os amantes de dirigir no gelo terão de procurar outros lugares.

Para Berlim, o mercado de Natal é uma instituição

O mundo ainda estava assustado com o assassinato do embaixador da Rússia na Turquia quando veio a notícia. Um caminhão invadiu o mercado de Natal da Breitscheidplatz, Berlim, matando 12 pessoas. Um ataque chocante por si só, ainda mais porque muitas crianças foram transformadas em alvo. Mas, no caso de uma cidade alemã, o impacto é ainda maior pelo local em que ocorreu. Um mercado de Natal não é apenas uma feirinha que vende bolacha de gengibre, luzinhas e bolas para decorar o pinheirinho da sala. É uma instituição, uma parte fundamental em se viver o período do Advento, as quatro semanas que antecedem o 25 de dezembro.

A Alemanha é uma das referências nessa área. No final de novembro, crianças ganham caixas de brinquedos ou doces divididas em 24 partes, para serem abertas uma por dia a partir de 1º de dezembro. Os mercados de Natal pipocam pelas cidades e são criados roteiros para quem quiser visitá-los (e não faltam turistas natalinos pela Europa, muitos deles procurando Alemanha, Áustria e Suíça, referências nessa área). Há mercados gerais, há os temáticos (decoração, comida), há pequenos parques de diversões, há palco para coral infantil.

Essas feiras são tão importantes na experiência natalina dos alemães que há até canções que falam sobre elas. Uma das mais recentes é “Auf dem Weihnachtsmarkt” (“No mercado de Natal”), lançada por Larissa Scholies (cantora de músicas infantis) em 2014. A letra fala de crianças indo ao mercado para fazer lanche, andar no carrossel, ver as luzes e o Papai Noel, sentir o cheiro da bolacha de gengibre, sentir a neve cair.

Vivenciar isso tudo é tão importante para as famílias alemãs que nem um atentado é capaz de impedi-las de voltar. Basta ver a foto acima, tirada no mercado da Breitscheidplatz dois dias depois do ataque.

Ouça “Auf dem Weihnachtsmarkt”, de Larissa Scholies (letra original na descrição do vídeo):

Texto publicado originalmente para a newsletter do Outra Cidade. Para assiná-la, clique aqui.

Cobrar por bagagem despachada é normal. O consumidor desconfiar, mais ainda

Se você sabe que vai viajar nos próximos meses, inclusive tem a data marcada, é recomendável que já adquira sua passagem aérea. Se a compra for realizada antes de 14 de março, o preço do bilhete terá incluído o serviço de transporte de bagagem de até 23 kg (voos nacionais) ou 32 kg (internacionais). Depois disso, a companhia aérea poderá cobrar para despachar suas malas. Ou não, porque no Brasil de hoje tudo é meio confuso.

Na manhã desta quarta (13), a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) aprovou a regra que permitia às companhias aéreas exigir um pagamento extra pelo transporte de bagagem (não conta bagagem de mão). A ideia é que, sem precisar embutir esse serviço no preço, as empresas poderiam oferecer viagens mais baratas para quem não levar nenhuma mala. Horas depois, o Senado anulou a decisão e fica aquela confusão sobre o que acabará acontecendo (ou seja, POR ENQUANTO, não precisa ter pressa para comprar sua passagem da viagem de meio de ano).

Bem, o blog Todos a Bordo explicou muito bem como, no exterior, essa prática é bastante comum. Mais que isso: companhias aéreas adotam regras das mais diversas para cobranças. Isso certamente confunde e irrita alguns viajantes, mas também contribui para que existam passagens com valores bastante baixos.

Isso significa que, dentro desse setor, cobrar pelas bagagens despachadas não é o fim do mundo. No entanto, é difícil simplesmente adotar a prática internacional como justificativa para se aceitar a proposta da Anac. O modus operandi de muitas empresas brasileiras nem sempre inclui a queda de preços quando há queda de custo.

O exemplo mais claro é o combustível. O valor do petróleo caiu violentamente nos últimos anos, e isso não trouxe uma queda proporcional no preço da gasolina ou do diesel nos postos de gasolina, tampouco baixou o custo do frete de produtos, muito menos influenciou violentamente o quando empresas de transporte cobram de seus passageiros, seja ônibus urbano, ônibus interurbano e avião.

Se quiserem legitimar o valor da medida aprovada pela Anac, as companhias aéreas poderiam já anunciar o quanto a medida impactaria o preço das passagens. Ricardo Catanant, superintendente de acompanhamento de serviços aéreos da Anac, já foi evasivo: “A agência não pode dizer que os preços vão cair por conta de outros fatores, como a situação econômica do país, os custos do petróleo e a cotação do dólar. Mas o comportamento no mundo todo demonstra que isso se reflete em benefícios aos passageiros”.

Ele até disse a verdade, mas o consumidor brasileiro tem motivos históricos para desconfiar, e seria bom se ele recebesse informações mais assertivas sobre isso.

Japão faz primeiro teste com passageiros em ônibus autônomos

Um pequeno veículo, quase um cubo com rodas, com capacidade para apenas 12 pessoas trafegando lentamente em um pequeno trecho de uma estrada remota. Foi assim, discretamente, que começaram os testes com passageiros do ônibus autônomo que o Japão pretende colocar em operação. O experimento foi realizado neste domingo (13) na província de Akita, no norte do país.

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O veículo, chamado Robot Shuttle (algo como “fretado robô”), fez um vaivém em um percurso de 400 metros em uma estrada regional, trafegando a apenas 10 km/h. A circulação de carros normais foi interrompida durante o teste. O ônibus – na verdade, um micro-ônibus – foi desenvolvido pela empresa francesa EasyMile e usa GPS, sensores e câmeras para se movimentar e evitar obstáculos. Dentro dele, podem ficar seis pessoas sentadas e outras seis em pé. Não há cabine para motoristas ou volante.

Apesar de já haver planos pelo mundo de utilizar ônibus autônomos em grandes cidades, os planos japoneses são mais discretos, o que até explica a natureza do teste deste domingo. O projeto é ter o Robot Shuttle operacional apenas em 2025, atendendo a áreas remotas e de baixa densidade populacional, onde o custo de transporte fica particularmente alto pela falta de escala.

Nessas regiões, como Akita, até 40% da população ultrapassa os 65 anos de idade e tem dificuldade de locomoção. Pelo mesmo motivo, as autoridades também incentivam o desenvolvimento de serviços entregues via drones para as pessoas idosas.

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No entanto, o próximo passo do Robot Shuttle não tem os moradores mais antigos como alvo. O objetivo é usar essa tecnologia para promover a economia local. Em 2020, o governo de Akita pretende ter o veículo autônomo levando turistas em passeios em torno do Lago Tazawa.

Japão quer usar referências de mangás para impulsionar turismo

Nada de samurais, ninjas, gueixas, pagodes ou lutadores de artes marciais. Durante a cerimônia de encerramento dos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro, o grande símbolo que Tóquio usou para promover a próxima edição do evento foi Mario. A tradição milenar ficou de lado, a nova ordem do Japão, ao menos na hora de vender sua imagem ao exterior, é promover seu impacto na cultura jovem. Por isso, as cidades do país já começam a buscar novas formas de atrair turistas. No caso, olhando nas histórias em quadrinhos e os desenhos animados.

VEJA: O que Tóquio vai fazer para os Jogos Olímpicos de 2020 (e o que já tem pronto)

A recém-criada Japan Anime Tourism Association lançou um concurso para eleger até dezembro 88 locais em cidades japonesas com referências a mangás e animes. Pode ser tanto do cenário de alguma história até estátuas homenageando personagens ou criadores, passando por museus na área e até a estúdios onde séries são criadas. O objetivo é criar roteiros turísticos específicos para fãs.

É um mercado com potencial já testado. Algumas cidades japonesas investem nesse tipo de referência para atrair visitantes. Sakaiminato, por exemplo, aproveitou o fato de ser a terra do criador de mangás Shigeru Mizuki para criar uma rua com 153 estátuas de seus personagens. Uma forma de atrair turistas e fãs do artista. No comércio, alguns shoppings ergueram enormes réplicas de heróis das séries para chamar a atenção dos consumidores.

Portão de Washinomiya Jinja em famosa cena da série Lucky Star. O original está no alto dessa página (Reprodução)
Portão de Washinomiya Jinja em famosa cena da série Lucky Star. O original está no alto dessa página (Reprodução)

A iniciativa faz parte de um projeto maior, que tenta mudar a forma de o Japão se inserir como potência mundial. Ao invés de se impor pela força do dinheiro (apesar dos anos de estagnação, é a terceira maior economia do planeta), o país quer reforçar sua influência no dia a dia do mundo moderno.

Em 2002, o governo japonês criou a marca “Cool Japan”,  que visa promover a imagem do arquipélago como uma superpotência cultural. Há motivos de sobra para justificar essa condição: videogames, animes, mangás, karaokes, moda, arquitetura, tecnologia e culinária produzidos no Japão conquistaram milhões de fãs no mundo. Mas, com a aproximação dos Jogos Olímpicos de 2020, o momento é de intensificar essa campanha.

Texto publicado originalmente no Outra Cidade.

Inflação durante grandes eventos é mais nociva do que parece

É a oportunidade de ouro, quase literalmente. Um grande evento vem para a sua cidade, pessoas de todo o mundo chegam com dólares e euros para gastar. Hora de tirar a lei da oferta e da procura do bolso e elevar os preços para faturar o máximo possível.

Trata-se de uma sequência de eventos comuns em locais que recebem grandes eventos internacionais, em diversos países. Mas há um limite do bom senso, em que o reajuste se torna eticamente discutível. Um problema que se tornou recorrente no Brasil nos últimos anos, quando foi sede da Rio+20 (2012), Jornada Mundial da Juventude (2013), Copa do Mundo (2014) e Jogos Olímpicos (2015).

A Cerimônia de Abertura da Rio-2016 ocorreu nesta sexta, mas já surgiram relatos de preços extorsivos em parte do comércio e do setor de hospedagem. São notícias muito semelhantes às que vimos há dois anos na Copa do Mundo, envolvendo várias cidades brasileiras.

Preço da comida no Rio de Janeiro (Ubiratan Leal/Outra Cidade)
Preço da comida no Rio de Janeiro (Ubiratan Leal/Outra Cidade)

Por uma lógica de mercado, o comerciante está liberado para praticar o preço que quiser e, eventualmente, terá como retorno a fuga de clientes. Mas, quando quase todo um setor adota essa medida, o consumidor está cercado. No caso de turistas, mais vulneráveis pelo pouco conhecimento da área e dos preços normalmente adotados, é difícil buscar opções.

Algumas das maiores cidades brasileiras entenderam que a organização de eventos é uma fonte de renda importante, por atrair turistas, negócios e investimentos. Por isso, é preciso também trabalhar para entender que receber continuamente feiras, congressos, competições esportivas e espetáculos musicais dependem de entender o funcionamento desse setor. E elevar agressivamente os preços só afastam organizadores e visitantes. E ainda atingem os locais.

Preço dos picolés no Rio de Janeiro (Ubiratan Leal/Outra Cidade)
Preço dos picolés no Rio de Janeiro (Ubiratan Leal/Outra Cidade)

Turista não é necessariamente um estrangeiro endinheirado que aproveitou seus recursos de sobra para atravessar o mundo. Turista também pode ser alguém com dinheiro contado, pode ser um outro brasileiro e pode até ser seu vizinho. Afinal, os pontos turísticos do forasteiro são os pontos de lazer do nativo.

Na época da Rio+20, o governo federal chegou a intervir para reduzir o preço das diários dos hotéis, pois membros de delegações estrangeiras estavam desistindo de vir ao Brasil. Durante a Copa do Mundo, vários comerciantes e até donos de imóveis cobravam quantias irreais para alugar suas casas para emissoras de TVs interessadas em montar estúdios próximos a estádios ou mesmo para torcedores. Acabaram ficando na mão.

É um pouco o pensamento, alimentados pelas próprias autoridades, de achar que grandes eventos são como ganhar na loteria, o momento mágico em que chegará um dinheiro fácil e rápido para resolver a vida de todos. Seria muito melhor investir em longo prazo, e construir a imagem de uma cidade ou um país adequado para receber o resto do mundo.

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Texto publicado originalmente no Outra Cidade.