O Caribe tem mais um país. A República Popular Democrática de San Escobar ganhou seu reconhecimento internacional na última terça, após intervenção fundamental da Polônia. Se você ainda não conhece esse país, ele tem 459 km² de área (exatamente a mesma de Palau, um pouco mais que Seychelles, Curaçao e Barbados) e 360 mil habitantes, seu presidente é Nemo Incognito e a capital é Santo Subito.

Se tudo isso soa meio estranho, não se preocupe. É estranho mesmo. Estranho e irreal. Você pode fuçar seu atlas preferido, procurar algum teste no Sporcle ou colocar na busca do Google Maps e não achará nenhuma nação caribenha com esse nome. Aliás, tentar encontrar Santo Escobar na Cathopedia (a enciclopédia católica online) também é um esforço inútil. Nem o santo existe.

O ministro das relações exteriores da Polônia, Witold Waszczykowski (Divulgação / Polskie Radio)

O ministro das relações exteriores da Polônia, Witold Waszczykowski (Divulgação / Polskie Radio)

A história dessa pequena nação começou no último dia 10. O ministro das relações exteriores da Polônia, Witold Waszczykowski, foi a Nova York fazer campanha para a candidatura de seu país por um assento não-permanente no Conselho de Segurança da ONU. Em uma entrevista à imprensa polonesa, ele afirmou: “Tive reuniões com representantes de mais de 20 países, incluindo algumas nações caribenhas com as quais nunca tivemos contatos diplomáticos bilaterais antes. Países como Belize e San Escobar”.

O ministro queria dizer São Cristóvão e Névis, país caribenho cujo governo não deve ter ficado muito feliz com a confusão e talvez não prolonguem os tais “contatos diplomáticos bilaterais”. Ainda que Waszczykowski tenha corrigido a informação depois, já era tarde. A internet abraçou a nação fictícia, dando vida a ela pelas redes sociais. Um fenômeno que ganhou ainda mais impulso depois que, inusitadamente, o sinal da RT (emissora de notícias russa em língua inglesa) entrou por cima do C-Span (a TV Câmara norte-americana) justo no momento em que noticiava a confusão do ministro polonês.

San Escobar não tem território real, mas tem uma conta no Twitter, um perfil no Facebook e um verbete na Wikipédia (que talvez seja apagada em breve). Por meio dessas páginas, é possível conhecer um pouco desse país, como sua bandeira, seu mapa, suas lindas paisagens, como são as notas de 10 pablos (a moeda escobariana) e até o crescimento das exportações de vinho.

A história dessa nação é conturbada. O governo se diz socialista, mas vive uma intensa disputa com uma guerrilha também de esquerda. Antes da revolução de 1989, San Escobar foi governado por Leôncio Almeida, presidente entre 1979 e 1988 e “estranhamente” parecido com o personagem homônimo interpretado por Rubens de Falco na novela “A Escrava Isaura”. Curiosamente, sua esposa Isaura é “estranhamente” parecida com a personagem homônima interpretada por Lucélia Santos na mesma produção.

Uma das primeiras medidas públicas do país foi confirmar a reunião com Waszczykowski e anunciar apoio à candidatura polonesa ao Conselho de Segurança da ONU.

Em seguida, o governo escobariano protestou contra a possível interferência de São Cristóvão e Névis nas relações entre San Escobar e a Polônia (surge uma rivalidade!) e anunciou uma parceria entre a LOT Polish Airlines e a Escobariana de Aviación para voos diários entre Varsóvia e Santo Subito.

Bem, me convenceu. Já sei um lugar para ir nas próximas férias. E, para me enturmar rápido, vou decorando o hino escobariano (que é “estranhamente” parecido com uma música patriótica polonesa).

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