A Oxford Street não cabe dentro de si própria. A principal via de comércio de Londres é apinhada de grandes lojas, atendendo a todos os tipos de público. As calçadas têm pessoas por todos os lados, londrinos e turistas, sempre procurando gastar algumas libras por ali. No meio disso, uma rua apertada, de duas a três faixas, com ônibus de dois andares, táxis e, dependendo do horário, carros se espremendo para avançar lentamente. O resultado dessa receita é uma poluição que foi considerada, em estudo da King’s College, como uma das piores do mundo.

Pois já há previsão para esse cenário mudar. Valerie Shawcross, vice-prefeita de transportes da capital inglesa, comunicou à Assembleia de Londres (equivalente à câmara de vereadores) que a rua seria transformada em um calçadão em 2020. O trânsito seria fechado para veículos entre a Tottenham Court Road e o Marble Arch, trecho de maior concentração de comércio.

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Apesar do impacto em questões de mobilidade, o objetivo principal dos londrinos é diminuir a poluição na rua Oxford. Uma medida que poderia dar início a outras, pois o ar de Londres tem superado o limite do tolerável pelas metas anuais da União Europeia ainda em janeiro. E o fato do Reino Unido estar de saída do bloco continental não vai mudar o fato que está difícil respirar no centro de sua capital.

Ônibus e pedestres dividindo espaço na Oxford Street (AP Photo/Matt Dunham)

Ônibus e pedestres dividindo espaço na Oxford Street (AP Photo/Matt Dunham)

Mas a gravidade da poluição londrina não tornará o processo de fim do tráfego de veículos na rua Oxford mais fácil. Para os carros, há pouca mudança: eles já são proibidos de circular na via na hora do rush e aos finais de semana. Os taxistas podem ficar contrariados, ainda mais porque não poderão mais pegar passageiros cheios de sacolas de compras na porta das lojas, mas há acesso pelas travessas. O problema será com os ônibus.

O centro de Londres não tem uma trama regular de ruas. Há várias ruas pequenas, curvas e poucos corredores longos. A Oxford Street faz esse papel, e por isso ela recebe tantas linhas de ônibus. Elas terão de ser remanejadas, provavelmente passando por avenidas relativamente distantes ou fazendo traçados mais sinuosos de demorados. E os coletivos vermelhos são fundamentais para desafogar um pouco o metrô que corre sob a Oxford.

Por isso que a prefeitura pediu quatro anos de prazo para implantar um projeto que, se dependesse apenas de transformar uma rua em calçadão, seria bastante rápido.

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