Esse vídeo da tempestade da última terça em Sorocaba é hipnótico

Se você está em um local protegido, assistir à chuva cair é legal, quase terapêutico. Deve ser algum instinto que sobrou em algum gene da época em que vivíamos nas cavernas. Mas o vídeo abaixo leva isso ao extremo.

O site Clima ao Vivo registrou em vídeo o toró que caiu em Sorocaba na última terça, 31 de janeiro. A tempestade começou às 15h45 e deixou cerca de 9 mil casas sem energia elétrica. As cenas em timelapse são hipnóticas (ainda que, por mais que eu goste de um solo de guitarra, esse tenha ficado meio forçado).

 

Um vídeo que ajuda a entender a dinâmica da fronteira EUA-México

A questão fronteiriça entre México e Estados Unidos normalmente é vista como algo que mexicanos tiram proveito para entrar no território norte-americano e conseguir trabalho nas grandes cidades. Sim, isso ocorre. Mas não é apenas isso. Na região da fronteira, o convívio entre os dois países e seus habitantes faz parte da dinâmica econômica e cultural. É uma região quase misturada.

Não à toa, a maioria dos condados fronteiriços, inclusive no republicaníssimo Texas, votaram em favor de Hillary Clinton na disputa com Donald Trump. Para eles, a construção de um muro para separar EUA de México é algo muito mais complexo do que apenas reforço de segurança.

Ainda que seja apenas um retrato parcial do contexto geral, o chef, escritor e apresentador Anthony Bourdain fez um belo programa sobre essa região em 2006. Confiram o vídeo na íntegra (só achei em inglês, desculpe-me):


Anthony Bourdain- No Reservations – S02E08… por james-oliver

O trânsito de Los Angeles no Dia de Ação de Graças parece um rio de luzes

As autopistas cortam Los Angeles e separam bairros como se fossem rios aéreos. E essa imagem aérea do trânsito da cidade na véspera do feriado de Ação de Graças dá uma boa mostra disso. Parece um rio de luzes, ou talvez um curso de lava escorrendo.

 

Londres relembra seu maior incêndio queimando uma maquete da cidade

Centenas de londrinos vão para a beira do rio Tâmisa. É uma noite de domingo e todos tinham um objetivo: ver sua cidade ser consumida pelo fogo até ficar em cinzas. Claro, não a Londres real, mas uma réplica de 120 metros de comprimento construída para celebrar o 350º aniversário de uma das maiores tragédias da história inglesa, o Grande Incêndio de 1666.

As chamas tiveram início em uma padaria, mas uma união entre adensamento enorme, construções cheias de materiais inflamáveis e demora na resposta das autoridades permitiram que elas se espalhassem pelo centro de Londres. Após quatro dias, de 2 a 5 de setembro, o fogo destruiu 87 igrejas (incluindo a Catedral de São Paulo) e 13 mil casas, deixando 70 mil londrinos sem ter onde morar.

Apesar da destruição, a quantidade de vítimas fatais foi baixa. Os números oficiais são de seis mortos, ainda que possivelmente mais pessoas tenham perdido a vida sem que fossem contabilizada pelas autoridades. A residência da família real, na região de Westminster, não foi atingida.

O incêndio foi um marco na história da cidade. O centro de Londres foi reconstruído dentro do mesmo plano urbanístico original, mas com modificações fundamentais para assegurar a segurança da cidade: melhorias de higiene, ruas mais largas, cais mais acessíveis ao longo do Tâmisa, nenhum imóvel obstruindo o acesso ao rio e edificações com tijolos e pedras no lugar de madeira.

Para relembrar os 350 anos do incêndio, o artista norte-americano David Best e a empresa Artichoke desenvolveram uma instalação. Foi construída uma grande maquete de madeira da cidade e, na noite de 4 de setembro de 2016, foi colocado fogo em uma das edificações. Os londrinos curiosos não tiveram de esperar quatro dias, apenas pouco mais de uma hora para ver a reprodução de sua cidade virar cinzas.

Texto publicado originalmente no Outra Cidade.

Como as marcas do apartheid ainda são fortes nas cidades sul-africanas

O Brasil é famoso por sua desigualdade social e vemos imagens disso todo dia. Nem precisa procurar muito. Um dos ícones dessa disparidade é a clássica foto de um condomínio de alto padrão no Morumbi, com uma piscina na varanda de cada apartamento, ao lado da favela de Paraisópolis. Ainda assim, certas cenas ainda causam espanto. Como as feitas pelo fotógrafo Johnny Miller em seu trabalho Unequal Scenes (Cenas Desiguais).

O norte-americano usou um drone para fazer imagens aéreas de várias cidades da África do Sul, país onde mora desde 2011, enfocando nas diferenças ainda muito fortes entre os bairros brancos e negros. Ele ainda fez vídeos, apresentando diversos casos. Como o de Strand e Nomzamo, duas regiões vizinhas a 40 km da Cidade do Cabo.

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Strand é um bairro de alto padrão, com belas praias, infraestrutura de lazer e muito procurado por turistas. Como é de se imaginar, foi colocado como uma região para a população branca durante o apartheid. O africâner – desenvolvido a partir do holandês levado por colonos – é o idioma predominante.

Uma faixa de terra delimitada por cercas, quase uma trincheira, separa o bairro de Nomzamo, um antigo township (espécie de gueto criado pelo governo sul-africano para concentrar a população negra) que servia de moradia a homens solteiros que trabalhassem em fazendas da região. Nomzamo cresceu a ponto de ter cerca de 60 mil habitantes. Alguns deles foram desalojados pelo governo após protestos em uma rodovia da região e hoje moram em abrigos construídos no meio dessa trincheira.

Vale a pena dar uma conferida, e perceber como 22 anos do fim do apartheid não está nem perto de ser suficiente para apagar as diferenças sociais e raciais promovidas pelas décadas de regime de segregação. Imagens que impressionam até quem já vive em um país muito desigual.

[Engadget]

O supertrânsito de Pequim pode criar o futuro como se via no século 20

O que? Filmes, livros e até desenhos animados do século 20 mostravam o futuro urbano com supertecnologias e máquinas para todo lado. O caminho que a sociedade tem tomado é outro, mas um lugar no mundo tem as condições adequadas para apostar em soluções que lembram as obras de ficção científica de décadas atrás: a China.

O futuro retrô

Carros alimentados por lixo orgânico voando pelas cidades, como se os céus fossem as novas vias expressas. Jaquetas que se secavam sozinhas, tênis que se amarravam sozinhos, skates voadores e uma sociedade sem advogados. Era esse o mundo imaginado pelo filme “De Volta para o Futuro – parte 2”. Um futuro que se passa em 21 de outubro de 2015. Ou seja, a não ser que os próximos nove dias sejam extremamente agitados, as previsões feitas há quase 30 anos (a produção é de 1989) não se realizarão.

O diretor Robert Zemeckis não foi o único a apostar errado. Há algumas décadas, a imagem que se tinha do século 21 era muito diferente da realidade que vivemos hoje. A sensação é de que as máquinas e as tecnologias tomariam conta, as cidades se tornariam monumentos ao automatismo e à assepsia. O exemplo mais caricato disso talvez fosse o desenho animado Os Jetsons.

As previsões falharam por vários motivos. A sociedade acabou encaminhando seu investimento tecnológico em informação e as pessoas começaram a se ressentir das ideias puramente funcionais de cidades, pedindo um retorno a políticas mais humanistas. Um roteirista dos anos 70 ou 80 talvez visse essas ideias como retrô, mas os centros urbanos de hoje buscam valorizar a caminhada, o transporte público, a bicicleta, as viagens mais eficientes de carro, encurtamento de distâncias e valorização do sentido comunitário.

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Mas um lugar ensaia partir pelo caminho oposto e buscar soluções mais “jetsonianas”: a China. Um fenômeno que parece estranho, mas é compreensível dentro da realidade particular do país mais populoso do mundo.

Um sinal disso é um vídeo que se espalhou pelas redes sociais (até o Facebook do Outra Cidade compartilhou. Aliás, você já nos segue no Facebook?). Ele mostra um superengarrafamento no retorno de milhões de pessoas a Pequim após a Semana Dourada, feriado que dura uma semana (já dava para imaginar pelo nome, né?) e celebra o Dia Nacional. Segundo o jornal People’s Daily, cerca de 750 milhões de chineses, mais do triplo da população brasileira, aproveitaram a parada para viajar pelo país.

O pior é que a cena acima não é algo incomum. Em 2010, a estrada que liga Pequim ao Tibete teve um incrível congestionamento de 100 km que demorou nove dias para dispersar. E o cenário nas cidades não é mais encorajador. O desenvolvimento econômico acelerado coloca milhões de pessoas na classe média a cada ano, o que impulsiona violentamente a venda de carros. A  frota chinesa cresce rapidamente e, somada ao aumento da população que troca o interior pelas grandes cidades, cria uma demanda por infraestrutura que as metrópoles não conseguem atender.

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Com um problema emergencial, uma economia em crescimento acentuado e cidades com muitas vias radiais largas, cria-se o cenário para a busca por soluções mais inovadoras.  Muitos dos projetos tecnologicamente mais extravagantes de transporte público têm origem na China. Na última semana, a novidade foi o teste com um ônibus que não usa motorista. Mas há exemplos muito mais radicais (ou “futuristas”, como diríamos há 30 anos), como dois de 2010: o trem que não para nas estações e o ônibus elevado que se transforma em um túnel móvel para os carros.

Talvez essas tecnologias não se mostrem viáveis economicamente ou o resultado prático não seja o esperado, mas é um caminho muito diferente do que ocorre no Ocidente. Mas há uma chance de os chineses acabem encontrando uma solução revolucionária em algum momento. Não é o que precisamos no momento no Brasil, mas, se um dia nossas cidades ficarem mais parecidas com os cenários de Guerra nas EstrelasMinority Report ou O Quinto Elemento ou um cartão postal da Epcot Center, talvez seja com máquinas com o inconfundível “Made in China” no manual de instruções.