Fizeram um mapa mostrando que série de TV se passa em cada região dos EUA

Nenhuma das novelas de horário nobre da Globo tem como locação principal o Rio de Janeiro ou São Paulo. É um fato tão raro que até virou notícia. Normal, pois, por motivos comerciais, econômicos ou logísticos, quase toda novela se passa nas duas maiores cidades do Brasil. E, quando há exceções, geralmente são cidades pequenas (algumas até fictícias) do interior para criar uma trama com elementos mais bucólicos. Ou seja, é raro ver algum enredo puramente urbano que não seja paulistano ou carioca, usando capitais como Curitiba, Salvador, Brasília ou Belo Horizonte.

Nos Estados Unidos, a situação é diferente. As séries de TV se espalham pelo mapa, com histórias que usam diferentes cidades como cenário. E aproveitam isso muitas vezes, mostrando situações ou personagens típicos daquela região como elemento do enredo. Tanto que algumas das histórias se tornam símbolos locais, como Friends (foto acima) e Seinfeld com Nova York, Barrados no Baile (Beverly Hills 90210) com Los Angeles, CSI com Las Vegas e Miami Vice com Miami (dã).

Para mostrar como isso acontece, fizeram um mapa sensacional mostrando que série representa cada parte dos EUA. O mapa já tem alguns anos, então não está atualizado com os lançamentos da última temporada (e também não tem “Um Amor de Família” / “Married… with Children” em Illinois, uma falha imperdoável), mas dá uma boa ideia de como Nova York e Califórnia são as mais adotadas. E também como alguém precisa bolar uma série em Montana, Dakota do Norte, Iowa, Missouri e Arkansas.

Obs.: para ver o mapa em tamanho maior, clique aqui.

Mapa dos EUA com indicação de onde se passa cada série de TV

 

Canadá convida turistas a conhecerem estrada da série “Caminhoneiros do Gelo” antes que ela feche

Caminhões pesados, enormes, carregando de mantimentos a toneladas de equipamentos pesados para uso industrial. Tudo isso trafegando sobre a superfície congelada de rios e lagos no inverno do norte do Canadá ou do Alasca. A premissa da série “Caminhoneiros do Gelo”, do canal History, é instigante. Não à toa, o programa fez bastante sucesso e já está em sua décima temporada nos Estados Unidos.

Agora, a estrada de gelo retratada na segunda temporada da série está recebendo tratamento de atração turística. O governo dos Territórios do Noroeste, Canadá, lançou uma campanha para que visitantes tenham a oportunidade de guiar pelos os 187 km de pistas largas e lisas que separam Inuvik e Tuktoyaktuk, no Oceano Ártico. No caminho, o gelo que toma conta de centenas de lagos e os vários braços do delta do rio Mackenzie.

Localização de Inuvik e Tuktoyaktuk no extremo norte do Canadá (Reprodução)
Localização de Inuvik e Tuktoyaktuk no extremo norte do Canadá (Reprodução)

Os canadenses ainda sugerem que o turista aproveite para curtir o 30º aniversário do Festival do Nascer do Sol em Inuvik. Em dezembro, o extremo norte do Canadá fica 30 dias sem a luz do sol. O retorno do astro motiva celebração entre os dias 6 e 8 de janeiro, com dança, música, comidas típicas, fogos de artifício e shows dentro de uma igreja de iglu.

Mas tudo isso tem de ser para já. O motivo para se valorizar tanto a estrada de gelo entre Inuvik e Tuktoyaktuk é que o atual inverno (do hemisfério norte) será o último em que ela ficará ativa. Em 2017, será inaugurada uma rodovia permanente, com pavimento tradicional, para uso durante todas as estações. Aí, os amantes de dirigir no gelo terão de procurar outros lugares.

O jeito sueco de melhorar a segurança nas ruas: Pato Donald

Tarde de véspera de Natal, 2015. Entre 15h e 16h, o SOS Alarm, serviço de emergência da Suécia, teve uma queda de 16% na quantidade de ocorrências em relação às três horas anteriores e às três posteriores. Uma queda significativa, mas que nem foi tanto se comparado ao que ocorreu no mesmo dia e horário em 2014 (20%), 2013 (26%), 2012 (23%) e 2011 (20%). Esse fenômeno de segurança pública já é conhecido há décadas no país, e é chamado de “Efeito Pato Donald”.

Não, não é um apelido criativo como os da Odebrecht para políticos que aceitavam propinas. É realmente isso. O Pato Donald causa uma queda na quantidade de ocorrências na Suécia na tarde da véspera de Natal. Tudo por causa de um programa de TV que se repete há mais de meio século e se tornou uma tradição natalina entre os suecos.

Tudo começou em 1959. A TV1, principal canal estatal do país, transmitiu o especial natalino da Disney “From All of Us to All of You” (“De todos nós para Todos Vocês”), que recebeu o nome “Kalle Anka och hans vänner önskar God Jul” (“Pato Donald e Seus Amigos Lhes Desejam um Feliz Natal” em português). Trata-se de um programa despretensioso, com Walt Disney e o Grilo Falante apresentando uma série de desenhos animados antigos do universo que criou. Com o tempo, uma figura da TV sueca substituiu Disney no papel de anfitrião e os desenhos das décadas de 1930, 40 e 50 ganharam companhia de outros, dos anos 60. As histórias nem sempre têm ligação com o Natal, é apenas uma série ininterrupta (não há intervalos comerciais) de desenhos com mais de 50 anos.

Incrivelmente, isso se tornou uma mania. A reunião familiar na véspera de Natal não está completa sem uma sessão de Pato Donald. A audiência fica entre 40 e 50% dos televisores ligados. Em 2015, estima-se que 3,44 milhões de suecos tenham visto o programa, equivalente a 35,8% da população do país. Com tanta gente diante da TV, a quantidade de ocorrências, de acidentes de trânsito a crimes, cai.

“O Efeito Pato Donald é bastante conhecido de nossos operadores, que percebem como toda a Suécia se acalma por um tempo. Muito menos gente está fora ou indo para algum lugar de carro. Isso derruba temporariamente o número de acintes e menos gente liga para o 112 (equivalente ao 190 do Brasil) nessa hora em particular”, afirmou Helena Söderblom, responsável pela comunicação do SOS Alarm.

O impacto do personagem é tão grande que seu nome até entrou no subtítulo do livro de uma exposição sobre tradições natalinas no Museu Nórdico de Estocolmo. Um fenômeno curioso, mas não raro naquela região do globo. Na Finlândia, dar assinatura de gibis do Pato Donald é uma tradição para pais que estão ensinando seus filhos a ler (e tem como não assinar depois de ver uma propaganda como essa?). Na Noruega, a mania é tamanha que foi escrito um livro sobre o “donaldismo”, a paixão pelo Pato Donald (e, por extensão, pelo universo Disney).

Se você quer um pouco dessa experiência natalina da Suécia, aí vai um episódio antigo do Pato Donald em sueco. Boa diversão.

Texto publicado originalmente no Outra Cidade.