A futilidade no bairro mais sofisticado de Seul

Quem vê Seul com suas ruas apinhadas de gente e arranha céus por todo lado pode ter dificuldade de imaginar como ela era há 50 anos. Destruída pela Guerra da Coreia, a capital sul-coreana foi alvo de um grande projeto de reconstrução. Em 1963, quando o país esteve sob o comando de Park Chung-hee (pai de Park Geun-hye, presidente envolvida em escândalo pelo envolvimento com uma líder mística), Seul anexou várias regiões a seu redor. Entre elas estava uma grande área ao sul do Rio Han, Gangnam.

O bairro cresceu rapidamente. De área rural na década de 1960, tornou-se o destino preferido da elite sul-coreana já nos anos 80. Rapidamente, tudo o que girava em torno do bairro era transformado em sinônimo de sofisticação, luxo ou ostentação, um conceito que ganhou o apelido de “estilo de Gangnam”. Uma expressão que virou nome da música mais conhecida do pop coreano.

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Em “Gangnam Style”, o cantor Psy apresenta de forma caricata o universo de futilidade em torno da vida no bairro mais sofisticado de Seul. Da vida despreocupada de quem só pensa em sair com garotas (e em julgá-las pela aparência e comportamento na cama) até os ambientes que frequenta. Mas não dá para dizer que se trata de uma crítica. O próprio Psy foi criado em Gangnam, filho de um executivo de uma empresa de tecnologia com uma dona de restaurantes na região, e seu trabalho sempre preferiu letras irreverentes, danças malucas e um visual extravagante do que a denúncia social. Inclusive, o ícone do K-pop admitiu que seu maior sucesso é uma brincadeira com pessoas que não são de Gangnam que tentam se fazer de moradores do bairro para impressionar os outros.

De qualquer modo, o estilo exótico de Psy e do clipe fizeram Gangnam Style se transformar em um sucesso mundial no YouTube. E o estilo de vida do bairro mais rico de Seul passou a ser conhecido pelo resto do mundo.

Veja (ou reveja, pois todo mundo parece já ter visto) o clipe de Gangnam Style. Aqui tem a letra com tradução.

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Coreanos criam playground dobrável para falta de espaços públicos

Metrópoles cada vez mais adensadas, com o metro quadrado sendo disputado a tapa pelas incorporadoras e espaços públicos sumindo entre as novas construções e obras de mobilidade. No final das contas, áreas livres para a prática de atividades esportivas, seja em praças ou mesmo em escolas, começam a rarear ou a se espremerem. É uma realidade em vários lugares do mundo, e uma criação de um escritório de arquitetura da Coreia do Sul pode ajudar a dar um pouco de alívio para essas áreas.

O BUS Architecture, desenvolveu o Undefined Playground (“playground indefinido”). Trata-se de uma estrutura de 3,66 metros de altura dobrável em várias configurações (veja galeria abaixo). Para cada uma das faces que se expõe, é possível realizar alguma atividade recreativa ou de útil para uma praça pública: futebol, basquete, tênis, disco, banco para descanso e uma pequena sala – que pode se transformar em uma pequena venda de lanches ou mesmo um local para guardar equipamentos esportivos.

A ideia do designer Park Ji-Hyun, principal responsável pelo projeto, era criar um espaço em que várias pessoas pudessem praticar atividades diferentes ao mesmo tempo em locais apertados. A estrutura modificável cria um aspecto mais lúdico em torno do espaço, virando ele próprio uma ferramenta de brincadeira e interação para crianças. Outra vantagem desse sistema é que, por ser portátil, pode ser colocado de forma provisória, como no caso de eventos pontuais.

Claro que, no geral, não substitui uma quadra de esportes ou um playground público equipado adequadamente. Mas pode se tornar uma solução interessante para espaços em que a estrutura ideal é impossível ou demoraria a ser construída. E dar motivos para as pessoas irem às ruas realizar atividades físicas e recreativas é sempre bom.