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Um site para você não se enganar com as distorções da projeção Mercator

A projeção Mercator fica no limite entre coisas que adoramos odiar ou odiamos adorar. É só olhar um mapa mundi nesse método que várias coisas conflitantes nos chamam a atenção: ele deixa os países com desenhos bonitos, é claro, tem fácil visualização e ajuda demais quem ainda navega orientado por bússola (OK, esse é um público bastante reduzido atualmente), ao mesmo tempo que cria monstrengos, sobretudo no hemisfério norte, com a Groenlândia maior que a América do Sul e a Noruega parecendo uma tripa quase tão longa quanto o Chile.

As distorções da Mercator crescem na medida em que se afasta do Equador e sua intensidade não deve ser menosprezada. O Brasil, por ficar perto do Equador, tem dimensões bastante reais (ainda que o Rio Grande do Sul apareça meio “gordinho”) e parece diminuído na comparação com regiões mais ao norte, como a Europa (que tem mais área que o Brasil, mas só um pouco).

Para desmascarar um pouco o gigantismo do Canadá, da Groenlândia, da Rússia e de qualquer território que se aproxime de um círculo polar, criaram o site The True Size. Você escolhe o país e joga seu desenho pelo mapa mundi, distorcendo seu tamanho de acordo com a projeção Mercator.

Dá para se divertir um pouco, mas também pode ser útil para enviar àquela pessoa que ainda toma o método criado pelo cartógrafo flamengo Gerardus Mercator como verdade absoluta.

Moscou prevê entregar obras do metrô dois anos antes do previsto

O pior trânsito do mundo. Não é um título muito agradável de se carregar, e Moscou tinha de conviver com isso até dois anos atrás. A capital russa ficou na ponta do Índice de Tráfego Tom Tom*, um ranking anual de cidades mais engarrafadas, em 2013 e 14, mas ficou em quarto lugar em 2015 e quinto neste ano. E talvez caia ainda mais e mais rapidamente em breve. Afinal, os moscovitas estão vendo um caso raro de obras de metrô que estão na frente do prazo.

No final da década passada, a prefeitura anunciou um plano de enorme incremento da rede metroviária da capital russa. A partir de 2013, cinco linhas seriam criadas e algumas já existentes teriam expansão. No total, estavam previstas 79 estações novas – equivalentes a 158 km – até 2020, um aumento de 40% em relação ao número no início do projeto.

A maior parte das obras, porém, está em ritmo acelerado e deve ser entregue já em 2018. As autoridades não explicaram o que ocorreu – Antecipação de etapas? Perfurações mais fáceis que o imaginado? Cronograma inicial excessivamente conservador? – para que os trabalhos ficassem tão à frente do programado, mas chega a ser surpreendente considerando que, em março, os trabalhadores entraram em greve após o atraso de cinco meses no pagamento dos salários.

Qualquer antecipação de entrega de infraestrutura é positivo, mas seria particularmente benéfico nesse caso. Se o novo prazo for cumprido, boa parte da expansão estaria disponível aos moscovitas e aos turistas para a Copa do Mundo de 2018, que será realizada na Rússia e terá dois estádios na capital do país (ambos distantes do centro, tendo o metrô como principal meio de acesso).

Mapa do metrô de Moscou no início da década (à esquerda) e a previsão após a expansão

Mapa do metrô de Moscou no início da década (à esquerda) e a previsão após a expansão

Um dos principais elementos da nova rede seria um terceiro anel metroviário, ligando os bairros sem entrar no centro. A expectativa das autoridades é que ele diminua o fluxo de pessoas – e de carros – pela região central de Moscou, aliviando substancialmente o trânsito da capital russa. “É mais difícil desenvolver o tráfego veicular que construir estações de metrô, embora o metrô seja mais caro”, comentou Anatoly Fedorenko, professor de logística da Escola Superior de Economia, uma das principais universidades da Rússia, em entrevista ao jornal Moscow Times.

A primeira parte da expansão foi entregue no início de maio, com um trecho de três estações da linha Butovskaya, ligando as linhas laranja e cinza. De acordo com o vice-prefeito Marat Khusnullin, as autoridades locais já pensam em aproveitar o possível adiantamento da entrega das obras para antecipar a construção de um trecho de 4 km que não estava previsto inicialmente, ligando a rede a um centro industrial na periferia da cidade.

O metrô não é o único investimento pesado do governo para melhorar o trânsito de Moscou. A capital russa já construiu corredores de ônibus e está implementando semáforos inteligentes, construindo estrutura para pedestres e ciclistas, melhorando a rede de informação sobre o tráfego, mudando a política de estacionamento pago para incentivar o uso de transporte coletivo e até criando um plano completamente novo de circulação pelo centro. Assim, é boa a chance de os moscovitas deixarem as primeiras posições do desagradável ranking mundial de congestionamento.

*O Índice TomTom é questionável em diversos aspectos, e a gente fala mais sobre isso um dia desses, mas serve de referência para comparar o trânsito de cidades pelo mundo.

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