Uma dica para quem quer saber mais sobre a queda do Império Romano

Uma das coisas mais incríveis de se aprofundar no estudo de qualquer aspecto da história é perceber como cada evento que conhecemos pode se tornar mais complexo e fascinante. Nada é simples, nada é caricato como nosso próprio cérebro quer acreditar.

Toda essa enrolação para dizer que vocês deveriam ouvir o podcast “Fall of Rome”. O jornalista americano Patrick Wyman fez seu doutorado sobre o processo que levou à queda do Império Romano (o do Ocidente) e decidiu criar um podcast para falar sobre o que aprendeu em sete anos de estudos. O nível de detalhe e contextualização é sensacional.

A série já está em seu 11º episódio, falando sobre a situação da economia romana antes da queda. Dá para acompanhar as edições anteriores e as atualizações no blog Fall of Rome ou no Soundcloud. Também é possível assinar o podcast em iPhone e Android.

O verão começa hoje, apenas quatro dias antes do Natal. E provavelmente isso não é coincidência

O sol nasceu às 6h17 e a previsão é que se ponha às 19h53 em São Paulo nesta quarta. São 13h36 minutos de sol. Porto Alegre ficará ainda mais tempo ensolarada, 14h05 (das 6h21 às 20h26). O Rio de Janeiro, um pouquinho menos, 13h33 (das 6h05 às 19h38). Isso é normal em um 21 de dezembro. É solstício de verão, o dia com mais tempo de sol no ano no hemisfério sul, o dia que marca o início da estação. Ele ocorre justamente quatro dias antes do Natal, e isso possivelmente não é coincidência.

Ao mesmo tempo que o 21 de dezembro é o dia mais ensolarado do ano e o início do verão na metade de baixo do globo, ele é o dia mais curto e o início do inverno na metade de cima. Durante séculos, o solstício de inverno foi um marco para as culturas da Antiguidade, do norte da Europa ao Oriente Médio. Para algumas delas, era o início de uma temporada de dias progressivamente mais longos, um recomeço após seis meses de dias progressivamente mais curtos. Para outras, era o início do período de escassez de alimentos e era a última oportunidade de se esbaldar (inclusive abatendo animais para não ter de alimentá-los durante o inverno).

Por isso, muitos povos criaram celebrações na segunda quinzena de dezembro. Os nórdicos tinham o Yule, festival que comemorava o retorno do sol e durava até 12 dias a partir de 21 de dezembro. Pais e filhos colocavam fogo em grandes toras de madeira e cada faísca que saía das chamas representava um porco ou bezerro que nasceria no ano seguinte.

No território que hoje é o Irã, era a noite de Yalda, a mais longa e escura do ano. Nesse dia, as famílias se juntavam na casa do membro mais velho e comiam, bebiam e liam poemas.

Os romanos tinham a Saturnália, celebração do deus da agricultura Saturno. Os festejos começavam na semana do solstício de inverno e duravam um mês. Como se imagina de uma festa da Roma Antiga, havia muita comida e bebida. Era também um momento em que a ordem social era invertida. Em dia 25 de dezembro, os adeptos do mitraísmo ainda comemoravam o aniversário de Mitra.

Os judeus também tinham – e ainda têm – uma importante celebração em dezembro, o Chanuká. O motivo da celebração é um acontecimento histórico, não o solstício de inverno. De qualquer modo, a existência de uma importante comemoração judaica messa época do ano também pode ter influenciado o Natal.

No início do Cristianismo, a celebração mais importante era a Páscoa, uma herança judaica. O nascimento de Cristo não era tido como importante, até porque não há menção na Bíblia da época do ano em que ele ocorreu.

O interesse em se festejar o nascimento de Cristo se tornou forte a partir do século 3º. Vários estudiosos da igreja tentaram estimar a data em que ele teria ocorrido. A oficialização veio em 350, quando o Papa Júlio 1º determinou a Festa da Natividade em 25 de dezembro.

Há várias teorias para essa escolha. Uma delas é que marca nove meses a partir da Anunciação, celebrada em 25 de março. No entanto, várias evidências mostram que o fato de o final de dezembro já ser uma época marcada por festas foi fundamental, pois bastava absorver a Saturnália, o aniversário de Mitra e outras festas que já existiam pelo Império Romano. Além disso, a história do nascimento de Jesus menciona pastores com suas ovelhas, um cenário muito mais provável para a primavera (outono no hemisfério sul) do que com o inverno.

Alguns dos costumes natalinos são relacionados a essas celebrações pagãs, sobretudo da Yule (como a árvore de Natal) e da Saturnália (como o banquete e a troca de presentes).

China diversifica mais sua pauta de exportação: agora tem até policial

Eles estão por todos os lados, normalmente andando em grupos, com máquinas fotográficas em local de rápido acesso e dispostos a gastar muito dinheiro, de souvenires descartáveis a artigos de luxo. Chineses são presença constante em regiões muito turísticas na Europa, sobretudo Itália e França, um fenômeno que já começa a causar problemas… a eles. Por isso, o governo italiano teve uma ideia inusitada: utilizar policiais chineses nas regiões de maior fluxo de turistas.

Desde esta segunda, o patrulhamento nos pontos turísticos de Roma e Milão é feito por equipes que misturam agentes italianos e chineses. Essa política será adotada até o próximo dia 13. O período é curto, mas se encaixa com a época do Dia do Trabalho, uma das temporadas em que mais se tira férias na China (as outras duas são o ano novo, em fevereiro, e a semana do Dia Nacional, em outubro, quando a tradição é reunir a família).

A missão principal dos policiais chineses é justamente ajudar esses milhares de turistas. As autoridades italianas perceberam que, por falta de informação ou de familiaridade com a cultura ocidental, muitos deles se perdiam, não sabiam como recorrer a serviços aos quais tinham direito e, principalmente, se tornavam alvos fáceis de assaltantes ou golpistas.

Para aumentar o sentido de segurança desses turistas, os agentes chineses usarão sua farda tradicional, como se estivessem em Pequim ou Xangai. A ideia faz sentido pela operação em si, mas não surpreenderá se alguns italianos se sentirem incomodados pela presença de autoridades policiais de um país estrangeiro trabalhando com fardas em suas cidades.

O convênio foi firmado em setembro de 2015. Nos últimos meses, os departamentos de polícia dos dois países trocaram informações e experiências, além de treinar os agentes que trabalhariam nessas equipes mistas. Claro, os policiais chineses que participam do programa tinham como um dos requisitos iniciais a fluência em italiano.

O impacto dessa aproximação pode ir além do turismo. Angelino Alfano, ministro do interior da Itália, já deu pistas de que a política pode se estender a outros campos. “Pode abrir uma colaboração importante entre os dois países na troca de informações na luta contra o terrorismo e o crime organizado.” O ministro da segurança pública chinês, Liao Jingrong, fez coro: “É um ponto de partida para estimular a cooperação entre os dois países no desenvolvimento econômico”.

Uma das áreas que mais interessa a Itália é o combate à fabricação de produtos falsificados, sobretudo bolsas, roupas, relógios e outros artigos de luxo.