O mangue como símbolo da vida nos bairros pobres de Recife

O mangue é vida, o mangue é bom, o mangue é fundamental. O mangue é também um símbolo de Recife, uma cidade que nasceu em torno do estuário de vários rios. A ocupação urbana desordenada colocou os manguezais em segundo plano, aterrando alguns e tornando os quase um incômodo. Como uma parte da capital pernambucana que algumas pessoas preferem ignorar (ou fingir que não veem). Mas ele explica muito da cidade.

VEJA MAIS: Todos os textos de nossa newsletter

Uma das obras de referência nesse aspecto é “Homens e Caranguejos”, do médico e cientista político Josué de Castro. Um livro que ajudou a inspirar o movimento Manguebeat, em que bandas como Chico Science & nação Zumbi e Mundo Livre S/A misturavam elementos regionais com rock. Pela própria natureza do estilo, muitas músicas carregavam elementos sociais com referências ao mangue.

O caso mais claro é Manguetown. Nela, Chico Science compara a vida na beira dos mangues com a do próprio mangue. É uma vida cheia de lama, com cheiro ruim e com habitantes que se arrastam como caranguejos (e não podem olhar por cima como os urubus). No entanto, é uma vida digna e que tem seus momentos de alegria, sobretudo quando se sai à noite para se divertir e, quem sabe?, encontrar uma garota com quem dividirá a vida na cidade do mangue.

Nossa newsletter traz toda semana a história de alguma música que retrate uma cidade, um bairro, uma rua. Se você tem alguma sugestão para a sua cidade ou para algum lugar que você conhece (em qualquer parte do mundo), envie para redacao@outracidade.com.br e teremos o maior prazer de publicá-la. Os textos serão publicados originalmente na newsletter, toda quinta, e reproduzido no Outra Cidade no final de semana. Para assinar a newsletter, clique aqui.

Veja quais são as cidades brasileiras com maior número de eleitores

A campanha eleitoral começou (não sei se dá para dizer “finalmente começou”, pois há dúvidas se é algo que a população esperava com ansiedade) e dezenas de milhões de brasileiros irão às urnas decidir o futuro de seus municípios. Apesar de o pleito ficar um pouco ofuscado pelo processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, trata-se de um momento importante pelo estágio da sociedade brasileira. As pessoas começam a mudar a forma de ver sua relação com os locais em que vivem, e o primeiro palco em que esse fenômeno se manifesta são as cidades.

ENTREVISTA: “Administrar uma cidade é muito mais complicado que um país”, diz socióloga holandesa

A população rediscute o espaço urbano e, por tabela, a forma como as autoridades lidam com ele. As eleições municipais representam uma grande oportunidade de as pessoas mostrarem que tipo de política desejam dos futuros gestores públicos.

Para esse início oficial da campanha eleitoral, vamos mostrar quais as cidades que mobilizarão mais pessoas em 2 e 30 de outubro. Apontamos as 15 capitais e as 15 não-capitais (não dá para dizer que são cidades do interior, pois a maioria desses municípios fica na região metropolitana das capitais) com mais eleitores registrados no TSE.

[galeria_embeded]

Desinformação (até do Senado) faz motoristas acenderem farol à toa

As notícias vieram rápido, e já criaram o pânico entre motoristas: nos quatro primeiros dias da obrigatoriedade de acender a luz baixa durante o dia, quase 15 mil multas foram emitidas. Sinal de que muita gente estava desprevenida, com possibilidade de alguma “pegadinha” do poder público. Uma possibilidade era que a lei, ao contrário do que se pensava, não valia apenas para rodovias.

Não demorou a surgirem postagens falsas no Facebook e no WhatsApp, dizendo que vias como as Marginais Tietê e Pinheiros, em São Paulo, eram consideradas trechos urbanos de estradas. O resultado disso é que, nesta quarta, vários motoristas acenderam o farol baixo durante o dia para trafegar em duas das vias mais importantes da capital paulista. Cena parecida foi vista em outras grandes avenidas de capitais brasileiras.

VEJA TAMBÉM: Velocidade no trânsito: quando menos é mais

Teoricamente, não é uma ideia ruim. Transitar na cidade com luz baixa durante o dia não faz diferença alguma para quem está ao volante, mas traz mais segurança para pedestres, ciclistas e demais motoristas. Se um acidente for evitado por causa disso, já terá valido a pena.

De qualquer modo, essa confusão deixa explícita a falta de articulação das diversas esferas de governo. A lei que criou a obrigatoriedade da luz baixa nas rodovias é federal, e ela engloba trechos urbanos dessas rodovias. Por isso, está correto acreditar que certas vias dentro das cidades exigem o farol. Para deixar a questão mais clara, a página do Senado no Facebook decidiu deixar tudo detalhado:

Informativo do Senado sobre obrigatoriedade da luz baixa durante o dia
Informativo do Senado sobre obrigatoriedade da luz baixa durante o dia

Acontece que a postagem está errada. As marginais paulistanas não estão dentro dessa categoria, assim como a avenida Brasil (Rio), Farrapos (Porto Alegre) e Mascarenhas de Morais e Boa Viagem (Recife). O site Flat Out! fez uma boa reportagem detalhando essa questão. Até é possível ignorar a reclamação de um motorista que acendeu o farol à toa por se informar em fontes não confiáveis como corrente de Facebook ou WhatsApp, mas o mesmo não se pode fazer se esse sujeito acreditou na página de uma das casas do Congresso.

LEIA TAMBÉM: Dá para trafegar a 30 km/h, desde que o tempo deixe de ser a prioridade

No dia seguinte, o Senado apagou a postagem errada e publicou uma outra, mais prudente, recomendando que se consultasse as administrações locais para saber o que era ou não considerado trecho urbano de rodovia. A página ainda teve o cuidado de, no espaço de comentários, reconhecer o erro.

Postagem do Senado com informação corrigida sobre uso do farol durante o dia
Postagem do Senado com informação corrigida sobre uso do farol durante o dia

O efeito prático da confusão não é grande, pois acender o farol baixo desnecessariamente não é um grande problema. Mas ajudou a abalar ainda mais a credibilidade das autoridades com a população e aumentar a discutível sensação de muitos motoristas que os governos estão criando leis apenas para terem pretexto para emitir mais multas. Não é de se surpreender que correntes falsas de redes sociais sejam tão usadas como fonte de informação.