Crescem casos de bullying contra alunos judeus nas escolas alemãs

School children attend a religious ceremony and observe a minute of silence at the Jewish school Kerem Menahen in Nice

A cada ano, uma média de dez estudantes judeus pedem transferência na Alemanha, deixando a rede pública para ingressar em alguma escola judaica privada. O motivo: bullying. Esse número se sustenta nos últimos anos, e reflete um perigoso crescimento nos casos de antissemitismo nas instituições de ensino alemãs.

A maior parte dos responsáveis pelos ataques seriam colegas de origem árabe e turca (mas nenhum caso registrado de refugiado, diga-se). O tema ficou particularmente preocupante porque, na última semana, até uma escola de Berlim que participa de um projeto contra o racismo no sistema educacional alemão acabou envolvida após a saída de um aluno judeu de 14 anos.

Como esta sexta (7) foi Dia Nacional de Combate ao Bullying, fiz uma nota com mais detalhes sobre esse caso no site da Gestão Escolar.

O discurso de Ben Carson foi pior do que parece, e não apenas por comparar escravos com imigrantes

“É disso que se trata a América. Uma terra de sonhos e oportunidades. Houve outros imigrantes que vieram aqui no porão de navios negreiros, trabalharam por ainda mais tempo, até mais duro por menos dinheiro. Mas eles, também, tinham o sonho que um dia seus filhos, filhas, netos, netas, bisnetos, bisnetas poderiam conseguir prosperidade e felicidade nessa terra.”

O discurso de posse de Ben Carson como ministro de Donald Trump foi uma tragédia. O pré-candidato derrotado à presidência dos EUA pelo Partido Republicano conseguiu falar dos africanos escravizados como se fossem imigrantes que tinham sonhos na nova casa. Foi uma declaração bastante infeliz, ainda mais porque ele próprio, Carson, é negro e deveria saber melhor o que representou a ida forçada de seus antepassados às Américas.

Muita gente tentou passar um pano e tratar o caso como gafe ou emprego mal calculado de palavras. Mas, mesmo se o caso for tratado dessa forma para lá de generosa, é preocupante. Sobretudo pelo cargo que Carson estava assumindo naquele momento: o de ministro de habitação e desenvolvimento urbano.

Nesta pasta, o médico terá de lidar com questões delicadas como acolhimento de refugiados, situação de imigrantes, dificuldade da população em manter-se em dia com o financiamento de sua casa, projetos para democratização de serviços e espaços públicos em áreas urbanas e mobilidade, entre outros temas comuns em grandes cidades. O responsável por essa área precisa entender as nuances dessas questões e o que se passa na cabeça dos grupos sociais mais vulneráveis.

Tendas de moradores de rua em Los Angeles (AP Photo/Damian Dovarganes via Outra Cidade)
Tendas de moradores de rua em Los Angeles (AP Photo/Damian Dovarganes via Outra Cidade)

Mesmo dando mais um benefício da dúvida ao novo ministro, ele poderia compensar a declaração horripilante com um resto de discurso cheio de conteúdo. Nada disso. Contou histórias da época em que era um dos principais neurocirurgiões dos Estados Unidos e só. Nem mencionou o fato de que sua pasta sofrerá um corte orçamentário de US$ 6 bilhões, ou 14%.

Certamente as pessoas que lidam com os temas urbanos e de habitação nos EUA gostariam de saber se o novo ministro da área tem propostas criativas para fazer mais com menos. Mas ele preferiu comparar escravos com imigrantes.

Olha o que os livros ensinavam sobre diferenças raciais aos nossos avós

Há racismo no Brasil, sempre houve. Talvez hoje ele se mascare de outra forma, mas o preconceito já foi algo aberto e institucional. Um exemplo veio de um achado do músico, jornalista e remista Lucas Berredo, amigo de jornadas automobilísticas. Sua prima estava vasculhando objetos que pertenceram ao avô e encontrou um livro didático de geografia e história publicado em 1936. Uma obra que revela muito sobre sua época.

Na página 17, o material mostra a seus leitores a diferença entre raças. A “raça branca” é descrita como “mais intelligente, activa, perseverante, emprehendedora e civilizada de todas”. Os “amarellos” são “intelligentes, perseverantes e emprehendedores”, mas não fala nada em civilizado e “activo”. E os negros… bem… eles “estão muito mais atrasados que os precedentes”.

Definições raciais em livro didático de 1936 (Lucas Berredo)
Definições raciais em livro didático de 1936 (Lucas Berredo)

Essas palavras são de revirar o estômago (e não vou gastar linha contra-argumentando esse horror), mas é ainda mais assustador imaginar que isso era usado como material didático no primário (atual ensino fundamental I), para crianças que não tinham repertório para contestar. O livro é colocado como referência para alunos que fossem realizar o exame de admissão no curso secundário ou “commercial”.

O papel desgastado pode até enganar, mas não faz tanto tempo que essas páginas eram usadas em sala de aula: o livro tem 81 anos, e teve novas edições depois. Ou seja, há pessoas ainda vivas que foram educadas dessa forma. Que elas tenham sabido fugir dessa “lição” para não repassá-la para frente.

Não mencionei o nome do livro e de seu autor propositalmente.