Coreanos criam playground dobrável para falta de espaços públicos

Metrópoles cada vez mais adensadas, com o metro quadrado sendo disputado a tapa pelas incorporadoras e espaços públicos sumindo entre as novas construções e obras de mobilidade. No final das contas, áreas livres para a prática de atividades esportivas, seja em praças ou mesmo em escolas, começam a rarear ou a se espremerem. É uma realidade em vários lugares do mundo, e uma criação de um escritório de arquitetura da Coreia do Sul pode ajudar a dar um pouco de alívio para essas áreas.

O BUS Architecture, desenvolveu o Undefined Playground (“playground indefinido”). Trata-se de uma estrutura de 3,66 metros de altura dobrável em várias configurações (veja galeria abaixo). Para cada uma das faces que se expõe, é possível realizar alguma atividade recreativa ou de útil para uma praça pública: futebol, basquete, tênis, disco, banco para descanso e uma pequena sala – que pode se transformar em uma pequena venda de lanches ou mesmo um local para guardar equipamentos esportivos.

A ideia do designer Park Ji-Hyun, principal responsável pelo projeto, era criar um espaço em que várias pessoas pudessem praticar atividades diferentes ao mesmo tempo em locais apertados. A estrutura modificável cria um aspecto mais lúdico em torno do espaço, virando ele próprio uma ferramenta de brincadeira e interação para crianças. Outra vantagem desse sistema é que, por ser portátil, pode ser colocado de forma provisória, como no caso de eventos pontuais.

Claro que, no geral, não substitui uma quadra de esportes ou um playground público equipado adequadamente. Mas pode se tornar uma solução interessante para espaços em que a estrutura ideal é impossível ou demoraria a ser construída. E dar motivos para as pessoas irem às ruas realizar atividades físicas e recreativas é sempre bom.

O Brasil precisa ver o esporte como meio de integrar pessoas e cidades

O que? São Paulo terá mais uma edição da Virada Esportiva neste fim de semana (24 e 25). O evento não tem grande repercussão e mesmo a adesão muitas vezes é modesta, o que mostra como ainda há dificuldade de se entender a importância do esporte na sociedade. Não apenas como lazer, mas como atividade que promove integração entre as pessoas.

O esporte como ferramenta de interação

Acontece a cada quatro anos e não deve ser diferente em 2016: o mundo se reúne para os Jogos Olímpicos, o Brasil acaba conquistando uma quantidade de medalhas inferior ao que a mídia e a torcida quer (o que não significa que estejam fora de nossa realidade) e haverá os discursos de como o esporte não tem apoio no País. Ainda que o fato de a edição do ano que vem ter sede no Rio de Janeiro deva aumentar a quantidade de pódios brasileiros, a chance de algum nível de decepção existe.

O caminho mais tradicional é falar da falta de apoio ao esporte na escola, com infraestrutura deficiente e sucateamento das aulas de educação física. Isso é verdade, mas não é apenas no sistema educacional que a atividade esportiva não recebe a importância devida. Não há esporte suficiente no dia a dia das cidades brasileiras. E, por isso, iniciativas como a Virada Esportiva (que ocorre neste fim de semana em São Paulo, mas tem equivalentes em outras cidades) precisam de mais atenção e carinho.

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O esporte tem importância econômica (as competições geram dinheiro e empregos, além de criar caminhos para uma ascensão social rara no Brasil) e educacional (incentivam crianças a permanecerem na escola) inegáveis e fáceis de compreender. No entanto, nem sempre se olha para ele como uma ferramenta de interação social.

Qualquer esporte se desenvolveu pela necessidade das pessoas de criarem jogos para diversão e socialização. O palco original disso não eram estádios, ginásios ou outras praças esportivas. Muito menos a casa das pessoas. Era a rua, a praça, o parque, a margem dos rios e outros espaços públicos que permitissem a prática de uma modalidade qualquer (que o digam o pessoal do skate e do parkour). O esporte ajuda a dar vida às cidades, ajuda as pessoas a interagirem com ela.

A cidade retribui o favor, dando um sentido àquelas atividades, mesmo no esporte profissional (onde a obrigação de vencer pode tirar um pouco o sentido lúdico). Veja abaixo um trecho do texto de apresentação do Outra Cidade nos sites irmãos Trivela e ExtraTime, falando da relação íntima entre centros urbanos e prática esportiva:

O esporte como entendemos hoje só existe com as cidades. As brincadeiras e jogos primitivos só puderam se transformar em competições e espetáculos para entreter um grupo grande de pessoas quando há pessoas reunidas para dar suporte a isso. As primeiras civilizações sempre estiveram ligadas ao surgimento de concentrações urbanas e, dentro delas, de esportes para divertir praticantes e torcedores.

Em esportes coletivos, os mais populares do mundo hoje, isso se torna ainda mais importante. Equipes representam um lugar, uma comunidade, uma cultura, uma ideia. A ligação com um grupo de pessoas é fundamental para a sustentação de qualquer equipe, do Flamengo ao New England Patriots, do Coritiba ao Real Madrid, do XV de Jaú ao Los Angeles Lakers, do Newcastle ao Boston Red Sox.

Por isso, não há esporte sem a cidade. Ela cria os cenários em que o esporte tem vida como prática, como diversão, como tema de conversa, como ponto de encontro entre rivais. E um ambiente urbano mais saudável certamente tem impacto no esporte.

Entender o papel de um evento como a Virada Esportiva é fundamental para qualquer ideia que se tenha de uma cidade mais humana. Porque o esporte não deve ser visto apenas como competição e educação. Ele também é urbanismo.

Serviço
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