China diversifica mais sua pauta de exportação: agora tem até policial

Eles estão por todos os lados, normalmente andando em grupos, com máquinas fotográficas em local de rápido acesso e dispostos a gastar muito dinheiro, de souvenires descartáveis a artigos de luxo. Chineses são presença constante em regiões muito turísticas na Europa, sobretudo Itália e França, um fenômeno que já começa a causar problemas… a eles. Por isso, o governo italiano teve uma ideia inusitada: utilizar policiais chineses nas regiões de maior fluxo de turistas.

Desde esta segunda, o patrulhamento nos pontos turísticos de Roma e Milão é feito por equipes que misturam agentes italianos e chineses. Essa política será adotada até o próximo dia 13. O período é curto, mas se encaixa com a época do Dia do Trabalho, uma das temporadas em que mais se tira férias na China (as outras duas são o ano novo, em fevereiro, e a semana do Dia Nacional, em outubro, quando a tradição é reunir a família).

A missão principal dos policiais chineses é justamente ajudar esses milhares de turistas. As autoridades italianas perceberam que, por falta de informação ou de familiaridade com a cultura ocidental, muitos deles se perdiam, não sabiam como recorrer a serviços aos quais tinham direito e, principalmente, se tornavam alvos fáceis de assaltantes ou golpistas.

Para aumentar o sentido de segurança desses turistas, os agentes chineses usarão sua farda tradicional, como se estivessem em Pequim ou Xangai. A ideia faz sentido pela operação em si, mas não surpreenderá se alguns italianos se sentirem incomodados pela presença de autoridades policiais de um país estrangeiro trabalhando com fardas em suas cidades.

O convênio foi firmado em setembro de 2015. Nos últimos meses, os departamentos de polícia dos dois países trocaram informações e experiências, além de treinar os agentes que trabalhariam nessas equipes mistas. Claro, os policiais chineses que participam do programa tinham como um dos requisitos iniciais a fluência em italiano.

O impacto dessa aproximação pode ir além do turismo. Angelino Alfano, ministro do interior da Itália, já deu pistas de que a política pode se estender a outros campos. “Pode abrir uma colaboração importante entre os dois países na troca de informações na luta contra o terrorismo e o crime organizado.” O ministro da segurança pública chinês, Liao Jingrong, fez coro: “É um ponto de partida para estimular a cooperação entre os dois países no desenvolvimento econômico”.

Uma das áreas que mais interessa a Itália é o combate à fabricação de produtos falsificados, sobretudo bolsas, roupas, relógios e outros artigos de luxo.

Holanda tem uma ideia para acabar com acidentes com drones: águias

O que é? As cidades holandesas tiveram um aumento de acidentes causados por drones voando fora das regras de segurança estabelecidas pelo governo. Para evitar que isso se transforme em um problema maior, a polícia local estuda a adoção de um sistema curioso para abater os equipamentos que estejam levando perigo ao público: águias.

Proteção de território

Ainda é cedo para dizer que drones sejam elementos corriqueiros da paisagem urbana, mas eles já começam a causar alguns incômodos. Diversos equipamentos são utilizados para fazer imagens áereas, mas muitas vezes seus operadores passam do limite e acabam levando perigo às pessoas no solo. Ou por voar baixo demais, ou por perder o controle e ver o equipamento despencar.

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Na Holanda, foram registrados 27 acidentes causados por drones entre janeiro e junho 2015, um aumento de 80% em relação a todo o ano anterior, que já representava um crescimento de 87,5% em relação a 2013. O governo decidiu criar uma série de restrições de voo a desses equipamentos: eles não poderiam mais ficar a mais de 50 metros de altura e 100 metros de distância do controlador, a menos de 50 metros de outras pessoas e prédios e de 5 km de aeroportos.

Nem isso parece ter resolvido, porque os holandeses anunciaram uma medida curiosa para combater o uso irregular dessas pequenas máquinas voadoras. A polícia fez uma parceria com a empresa Guard from Above (Guarda vinda de cima, em tradução livre) para usar águias como armas de ataque a drones.

A ideia é inusitada, mas tem uma linha de raciocínio. Devido a seu tamanho, muitos drones são encarados como aves por outros animais. Para uma ave de rapina, eles podem representar uma ameaça a seu território e, por isso, já houve casos de águias abatendo os equipamentos voadores. A questão seria apenas treiná-las para agir apenas quando a máquina estiver voando em área irregular.

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Segundo os responsáveis por preparar as águias, elas não se ferem no ataque. “As aves podem atingir os drones de forma que elas não são feridas pelas hélices. Elas parecem acertar o equipamento bem no centro, onde não são acertadas. Elas têm uma incrível capacidade visual e provavelmente podem ver as hélices”, comentou Geoff LeBaron, diretor da Christmas Bird Count (ONG que trabalha no censo da população de aves nos EUA), em entrevista ao jornal britânico Guardian.

A “tecnologia de abate” ainda está em fase de testes e a polícia holandesa ainda tem dúvidas sobre sua aplicação em grandes cidades. Uma questão bastante pertinente, pois aves de rapina podem ser até mais perigosas em áreas urbanas que um drone voando fora dos padrões de segurança, como bem sabem os pais dessa criança em um parque de Montreal:

Obs.: também achamos uma péssima ideia sonorizar o vídeo com “Carruagens de Fogo”.

Black Friday é sinônimo de consumo, mas surgiu é do trânsito caótico

A mania chegou ao Brasil. Nesta sexta, várias lojas anunciam promoções de produtos marcando a Black Friday. É uma celebração que não faz tanto sentido por aqui, porque os descontos nem sempre são tão grandes quanto se imagina e, principalmente, porque não há ligação desse 27 de novembro com uma outra data (no caso, o Dia de Ação de Graças). Mas, se você achar algum produto legal por um preço camarada, nada o impede de aproveitar a barganha.

Mas por que estamos falando de Black Friday aqui no Outra Cidade? Vamos começar a vender alguma coisa? Não, nada disso. É que nem todos sabem, mas toda essa festa da gastança teve origem em um problema puramente urbanístico: o trânsito em uma grande cidade americana. Os nossos amigos do ExtraTime contaram essa história ano passado, e vale relembrar.

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Como um jargão policial para o trânsito da Filadélfia virou sinônimo de compras

Um dia duro de trabalho, muito trabalho. A sexta-feira após o Dia de Ação de Graças era sinônimo de problemas para os policiais da Filadélfia na década de 1960. A população aproveitava as comemorações da quarta quinta-feira de novembro para emendar um feriadão. Como sexta e sábado eram dias úteis no comércio, todos iam às lojas para começar as compras de Natal. Resultado: uma multidão nas ruas, o trânsito ficava um caos e os policiais tinham de trabalhar loucamente para organizar a bagunça. Assim, apelidaram esses dias de Black Friday e Black Saturday.

Trânsito em uma Black Friday da década de 1960
Trânsito em uma Black Friday da década de 1960

Até aquele momento “Black Friday” era uma expressão usada para simbolizar algumas sextas em que coisas graves ocorreram, como “Bloody Sunday” representa um domingo de conflitos religiosos na Irlanda. Mas o primeiro registro de “Black Friday” como o dia seguinte ao de Ação de Graças é de 1961, justamente entre policiais da Filadélfia. Não era uma expressão das mais positivas, era uma reclamação pelo excesso de trabalho. Os comerciantes reclamaram, pois era um dia de grande faturamento para eles. Houve reuniões com a prefeitura para dar uma nova cara para esses dias de tráfego intenso.

Veja o relato de uma edição de 1961 da revista Public Relations News.

“Um desestímulo para os negócios, o problema [o nome Black Friday e Black Saturday] foi discutido entre os comerciantes com o representante municipal Abe S. Rosen, um dos executivos com mais experiência em relações públicas. Ele recomendou uma abordagem mais positiva, que converteria a Black Friday [Sexta-Feira Negra] e o Big Saturday [Sábado Negro] em Big Friday [Grande Sexta] e Big Saturday [Grande Sábado]. A mídia cooperou espalhando as notícias das belas decorações de Natal no centro da Filadélfia, da popularidade do “dia de sair com a família”, das lojas de departamentos no fim de semana de Ação de Graças melhorarem a estrutura de estacionamento e do aumento de policiamento para garantir o melhor fluxo do tráfego. Rosen relatou que os negócios durante o fim de semana foram tão bons que os comerciantes da Filadélfia estavam com ‘os olhos brilhando’.”

Os nomes Big Friday e Big Saturday não pegaram, mas as ações comerciais tiveram resultados. Na década de 1970, outras cidades norte-americanas adotaram a mesma medida, e espalhou-se a ideia de que o nome “Black Friday” tinha a ver com os lucros das vendas (nos Estados Unidos, a cor preta é usada como no Brasil se usa o “azul” para simbolizar balanço financeiro positivo).

Com o tempo, as ações de marketing dos comerciantes se transformaram em grandes descontos e promoções, ajudando a marcar ainda mais a Black Friday como dia de se comprar muito e preparar o fôlego para as compras de Natal.