Barcelona cria superquarteirões para ter mais áreas para pedestres

São cerca de 3 mil mortes ao ano causadas direta ou indiretamente pela (falta de) qualidade do ar, isso só na região metropolitana de Barcelona. Os números são da prefeitura e, considerando que Madri vive situação ainda pior, reforçam a necessidade dos espanhóis de criarem formas de reduzir a poluição em suas grandes cidades. Por isso, os barceloneses anunciaram nesta quarta (4) um plano ousado de remodelação de suas ruas.

São os superilles, nome em catalão para “superquarteirões”. A ideia é juntar blocos de nove quarteirões e transformá-lo em apenas um, formando um quadrado de 400 metros de cada lado. No interior deles, as ruas serão substituídas por calçadões, ciclovia, espaço de lazer e área verde. Carros e ônibus passarão pelas ruas externas desses blocos.

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O projeto prevê que 94% da área de vias dentro dos superquarteirões sejam destinadas a pedestres. A circulação de veículos motorizados será permitida, mas apenas para tráfego local (moradores, prestação de serviços e atendimentos de emergência) e com limite de velocidade em 10 km/h.

A restrição a veículos fará que as ruas que delimitam as superquadras tenham mais concentração de carros e ônibus. Para que o trânsito não se torne inviável, o plano envolve o investimento na melhoria da estrutura nesses corredores, sobretudo com o estabelecimento de uma nova rede de ônibus.

Esquema atual das quadras de Barcelona (à esquerda) e como ficarão os superquarteirões (à direita)
Esquema atual das quadras de Barcelona (à esquerda) e como ficarão os superquarteirões (à direita)

Nesse primeiro momento, serão criados apenas cinco superilles, todos em Eixample. O bairro – um dos mais movimentados de Barcelona – tem quadras regulares (veja aqui), facilitando o trabalho de aglutinação de blocos. Por isso, os estudos iniciais foram feitos em cima dessa região da capital catalã. A estimativa da prefeitura é que o custo de implementação dos cinco superquarteirões fique em € 1,7 milhão, mas todas as fases custariam em torno de € 10 milhões.

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O objetivo final é reduzir em 21% o uso de carros na cidade.  Com 120 mil veículos a menos nas ruas, a prefeitura acredita que seja possível reduzir a poluição e atingir as metas estabelecidas pela União Europeia para 2018.

A cidade em que o planejamento depende do próximo terremoto

O que? Salt Lake City é a quinta cidade que mais cresce economicamente nos Estados Unidos, segundo a Forbes. O resultado disso é um aumento da demanda por espaços e serviços na cidade, que se planeja para absorver esse movimento sem prejudicar a qualidade de vida. E uma das ações da capital de Utah é tentar antecipar as regiões que devem ser mais afetadas no próximo grande terremoto no estado.

O Big One

Ele virá, não se sabe quando, mas ele virá. Salt Lake City está à espera de um grande terremoto – um “big one” – para qualquer momento neste século. A falha de Wasatch costuma se manifestar com força em intervalos de 1,3 a 1,5 mil anos. De acordo com os sismólogos, o tremor mais recente foi há 1,4 mil anos, e o próximo deve ser bastante intenso, com cerca de 7,1 pontos de magnitude. Para se ter uma ideia, o terremoto que destruiu Christchurch, Nova Zelândia, em 2011 teve 6,3.

Já seria um motivo suficiente para as autoridades da capital do estado de Utah se prepararem. Mas o risco de uma grande tragédia se torna ainda maior quando se vê o momento de Salt Lake City. É a quinta cidade com maior crescimento econômico dos Estados Unidos na projeção de 2011 a 2016 segundo a revista Forbes. O jeito é se antecipar.

Paisagem de Salt Lake City com as Montanhas Rochosas ao fundo
Paisagem de Salt Lake City com as Montanhas Rochosas ao fundo

O Utah Geological Survey (Pesquisa Geológica de Utah) tem abertos trincheiras ao redor da cidade para estudar o terreno em que Salt Lake City cresceu. A falha de Wasatch passa a leste da cidade e tem um histórico bastante conhecido. A questão é saber o quanto ela pode afetar outra falha geológica, a West Valley, que passa a oeste. “Em que grau a falha West Valley move por conta própria, em que grau ela é uma fonte independente de terremotos? Possivelmente, ela se mexe ao mesmo tempo ou tem seu movimento iniciado pela falha de Wasatch”, comentou o sismólogo Mike Hyland, do UGS, em entrevista ao site Next City.

O grupo tem estudado o histórico de atividade da West Valley para encontrar relações com as da falha vizinha e mais poderosa. Se a ação for independente, um tremor da Wasatch teria efeito mais forte a leste de Salt Lake City. Se as duas trabalharem em conjunto, o impacto viria em toda a cidade.

Essas informações são fundamentais para a prefeitura da capital de Utah. O planejamento para as áreas em expansão ou em processo de adensamento depende das conclusões desse estudo. Isso inclui desde a definição de vias de trânsito até o código de obras para edifícios comerciais e residenciais. Até porque o Instituo de Pesquisa de Engenharia de Terremotos dos EUA calcula que o “big one” de Salt Lake City pode levar a 2 mil mortes, 84 mil desabrigados e prejuízos de US$ 33 bilhões. Aumentar esses números já monstruosos por falta de planejamento seria imperdoável.