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As regiões de Nova York e que super-heroi protege cada uma

É difícil ser um criminoso em Nova York. Não apenas pela ação da polícia, porque ela existe em qualquer lugar, mas nenhum outro lugar está tão protegido por super-herois. É verdade que Batman (Gotham) e Superman (Metropolis) até parecem viver em cidades inspiradas por Nova York, mas vários ouros personagens dos quadrinhos e do cinema convivem com os nova-iorquinos.

Os mais famosos são Homem de Ferro, Capitão América, Homem-Aranha e as Tartarugas Ninjas, mas vários outros escolheram a maior cidade dos Estados Unidos como cenário. São tantos que a operadora de turismo Top View Sightseeing preparou um mapa para quem quiser buscar os endereços citados nas histórias.

Veja só:

Mapa de Nova York e seus super-herois (Top View Sightseeing)

Mapa de Nova York e seus super-herois (Top View Sightseeing)

Veja a construção do mais novo arranha céu de Nova York em apenas um minuto

O grande centro da construção de arranha céus no mundo é a Ásia. Países como Catar, Emirados Árabes, Taiwan, China e Japão lançam projetos cada vez mais espetaculares e mais altos, e acabam até ofuscando o movimento em outros lugares. Caso de Nova York. Tirando o One World Trade Center, construído no local do antigo WTC, não se fala tanto dos novos edifícios altos da maior metrópole dos EUA. Mas eles continuam sendo lançados. Caso do 56 Leonard St. (o nome do edifício é seu endereço, algo comum em NY).

O prédio residencial foi entregue em 2016 e tem 250 metros de altura, o que o torna a 18ª estrutura mais alta de NY – e a primeira no bairro de Tribeca. O projeto previu apenas 57 andares para permitir o conforto de um pé direito alto para cada unidade. Algo compreensivo, considerando que os apartamentos custaram de US$ 3,5 a 50 milhões.

Nesta semana, a incorporadora Alexico, responsável pelo empreendimento, divulgou um vídeo mostrando a construção do 56 Leonard St. resumida em um minuto. É lindo e hipnótico.

O mapa da diversidade étnica e linguística de Nova York

Os Estados Unidos foram feitos por gente vinda de fora. Não é apenas um clichê para dizer que os nativos foram oprimidos até se tornarem minoria, mas porque o país realmente contou com levas e levas de imigrantes para formar seu perfil social e econômico, principalmente nas metrópoles. Nova York é um grande exemplo disso, com grupos étnicos formando comunidades em todo canto da cidade.

Uma forma de ver isso é conferindo o perfil linguístico dos bairros nova-iorquinos. O programador Jill Hubley pegou dados do censo americano de 2014 e fez um mapa mostrando o idioma mais falado em cada bairro de sua cidade. Claro, o inglês domina, mas há áreas com superioridade de espanhol, chinês, grego, russo, ídiche e coreano.

Mas, para tornar o mapeamento de comunidades mais interessantes, Hubley criou filtros, em que se pode excluir o inglês (o espanhol se torna predominante) e o inglês e o espanhol (e aí vira um mosaico, em que há espaço até para o português). 

Mapa com o idioma mais falado em cada bairro de Nova York, excetuando inglês e espanhol (Reprodução)

Mapa com o idioma mais falado em cada bairro de Nova York, excetuando inglês e espanhol (Reprodução)

Para conferir o trabalho original, com mapa interativo e melhor resolução, clique aqui.

O lugar de onde é preciso fugir para ter sucesso

“O maior embaixador de Nova Jersey.” Foi essa uma das formas utilizadas por Barack Obama para descrever a importância de Bruce Springsteen ao dar ao ícone do rock a Medalha Presidencial da Liberdade, no início desta semana. De fato, a imagem de The Boss é intimamente ligada à de Nova Jersey. Ele sempre falou do ambiente e das pessoas que vivem em um estado em crise de identidade por ser visto por muita gente apenas como um punhado de municípios da periferia de Nova York (ao norte) e da Filadélfia (ao sul).

Uma das músicas mais famosas de Springsteen, que serve até de título de uma de suas biografias, fala de Nova Jersey: Born to Run. No entanto, ela não faz uma declaração de amor ou exalta algum elemento da cultura ou da natureza do estado. A letra fala da angústia de se morar nele, e da necessidade de se sair de lá para melhorar vida (“Garota, esta cidade arranca os ossos do corpo / É uma armadilha mortal, é um ritmo suicida / Nós temos que cair fora enquanto somos jovens”).

A música fala do momento por que Springsteen passava, com a dificuldade de fazer sucesso fora de sua terra natal. Mas foi justamente com o álbum “Born to Run” que ele se tornou uma figura nacional, sem precisar sair de Jersey. Ano depois, com a carreira já consolidada, ele morou alguns anos em Los Angeles, mas retornou depois para esse pequeno estado que se define pelas metrópoles coladas a ele ao norte e ao sul.

Ouça “Born to Run” (letra com tradução):

Texto publicado originalmente para a newsletter do Outra Cidade. Para assiná-la, clique aqui.

O ressentimento do operário de Detroit com Wall Street

Mais uma eleição presidencial se passou nos Estados Unidos e o mapa seguiu as mesmas características dos pleitos mais recentes: os democratas ganham nos grandes centros urbanos, os republicanos vencem no interior. A diferença está na vantagem que cada um consegue nas áreas em que domina e em quão urbana ou rural é a população de cada estado. Dessa vez, foi melhor para os republicanos. Donald Trump venceu, e uma das razões foi o aumento de votos para seu partido no Rust Belt, faixa entre o nordeste e o Meio-Oeste americano, próximo aos Grandes Lagos, onde a desindustrialização americana deixou um rastro de fábricas fechadas e trabalhadores desempregados.

Detroit é um grande símbolo disso. A capital do automóvel sofreu com a mudança das fábricas para outros lugares, e o município chegou a decretar falência. Hillary Clinton venceu na cidade, mas com uma vantagem menor que Barack Obama há quatro anos (37 pontos percentuais, contra 47). Na região metropolitana, a diferença foi ainda menor (em Flint, foi por 9 pontos, enquanto Obama bateu Mitt Romney por 28). Assim, a Grande Detroit não deu aos democratas uma grande vantagem, e o interior sacramentou a vitória republicana no estado.

Essa migração de votos das áreas industriais foi uma marca da eleição. E uma música retrata bem o fenômeno: “Shuttin’ Detroit Down”, de John Rich. O cantor country reforça o contraste entre o operário da fábrica do Meio-Oeste, que trabalha por décadas na mesma empresa, e o engravatado de Nova York. O segundo perde dinheiro por fazer bobagem no mercado financeiro, e quem paga o pato é o primeiro, que vive no “mundo real” e fica até “sem dinheiro para morrer”. Enquanto isso, os políticos em Washington sustentam os banqueiros.

ENTENDA: Priorizar os carros parecia natural para Detroit, mas foi sua ruína

Rich é uma figura conhecida pelo posicionamento político. Declaradamente republicano, já ajudou a criar músicas para a campanha de vários candidatos do partido, sobretudo no Tennessee, seu estado natal. Não fez isso com Donald Trump, a quem conheceu quando participou do “Celebrity Apprendice”, versão de “O Aprendiz” com celebridades. Trump foi o apresentador. Por isso, a letra reflete bastante o discurso dos republicanos sobre a situação do Rust Belt. Um discurso que teve muita aceitação neste ano, e que fez a diferença na definição do futuro presidente dos Estados Unidos.

Veja o clipe de “Shuttin’ Detroit Down”. Aqui tem a letra original, em inglês.

Texto publicado originalmente para a newsletter do Outra Cidade. Para assiná-la, clique aqui.

[Galeria] Onde as pessoas se reúnem para protestar em cada cidade

Espaços públicos são mais que áreas de lazer e convivência dentro de cidades. Praças, parques e avenidas sempre foram importantes para as pessoas se reunirem e manifestarem sua vontade. Seja como demonstração de solidariedade após uma tragédia a, mais comum, protestos contra determinada política pública ou contra a situação em geral de uma cidade ou país.

LEIA MAIS: Autoridades podem exigir aviso prévio para autorizar manifestações?

Desde 2013, os brasileiros redescobriram essa vocação dos espaços públicos, desde os protestos contra o aumento da passagem de ônibus, que se transformou em manifestações contra os serviços públicos, contra a corrupção, contra a Copa do Mundo, contra o governo Dilma Rousseff e, mais recentemente, contra seu impeachment. A lei protege esse direito a manifestação, ainda que essa seja uma questão polêmica dentro de setores da sociedade brasileira.

Veja abaixo como praças e avenidas tiveram papel importante em diversos momentos de insatisfação popular pelo Brasil e pelo mundo:

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Quinze anos depois, o 11 de Setembro ainda é caso de saúde pública

O ataque ao World Trade Center é normalmente listado como o maior atentado terrorista da história. Os números usados para justificar esse “título” é o de mortes: 2.763, sendo 2.606 nas Torres Gêmeas (somando quem estava nos edifícios e resgatistas), 147 entre passageiros e tripulação dos dois aviões utilizados como mísseis e dez terroristas. Mas há um índice muito mais impressionante, e que mostra como a tragédia, ocorrida há exatos 15 anos, ainda é muito viva no dia a dia de Nova York. São mais de 70 mil pessoas que passam por tratamento por problemas de saúde causados diretamente pelos ataques.

Quando as Torres Gêmeas caíram, vários quarteirões do bairro de Baixa Manhattan (ou Lower Manhattan, como preferirem) foram cobertos por poeira. Mas, na nuvem cinza que avançou imparável sobre pessoas e imóveis, havia 1 milhão de toneladas de materiais de construção moído, muitos deles altamente tóxicos, como amianto, chumbo, fibra de vidro, mercúrio e gás freon. Tudo isso foi inalado por dezenas de milhares de pessoas já em 11 de setembro de 2001 e nos dias seguintes.

Para piorar o cenário, os resgatistas que ficaram no trabalho de busca por sobreviventes e remoção dos escombros no Marco Zero ficaram trabalhando em um ambiente ainda mais tóxico devido aos incêndios que ocorriam devido ao combustível dos aviões (91 mil litros) e os que eram utilizados no sistema elétrico e de aquecimento no WTC (870 mil litros). Esses focos apareceram durante os primeiros três meses de trabalho no local.

Pela natureza dos materiais envolvidos, havia um sério risco do desenvolvimento de doenças respiratórias e/ou câncer, mesmo que em médio prazo. As autoridades fizeram acompanhamento, inclusive convocando pessoas que tivessem entrado em contato com a poeira tóxica para exames. No entanto, a Agência de Proteção Ambiental, um órgão federal, era evasiva ao falar sobre os riscos de respirar aquele ar.

Nuvens de fumaça durante trabalhos de escavação no WTC um mês após o atentado de 11 de Setembro (AP Photo/Stan Honda via Outra Cidade)

Nuvens de fumaça durante trabalhos de escavação no WTC um mês após o atentado de 11 de Setembro (AP Photo/Stan Honda via Outra Cidade)

Desse modo, foi preciso um processo da família do policial James Zadroga, resgatista no WTC que desenvolveu um câncer no pulmão e morreu em 2005, para se tomar uma atitude mais concreta. Em 2011, foi criado o Fundo Zadroga de Compensação e Saúde para o 11 de Setembro e o Programa de Saúde do World Trade Center.

Os programas garantem tratamento para todas as vítimas e indenização para as que não puderam continuar trabalhando. No ano passado, já eram 70 mil pessoas inscritas no Programa de Saúde, cerca de 21 mil delas por problemas ligados à inalação de material tóxico (um outro grande contingente de vítimas atendidas são as que desenvolveram problemas psicológicos). E, como as doenças muitas vezes se apresentam em médio ou longo prazo, a cada ano surgem milhares de novos pacientes e vários cânceres que não estavam listados como possivelmente relacionados ao atentado.

Por isso, a prefeitura de Nova York mantém uma página para informar qualquer pessoa que suspeite que seja uma vítima tardia do 11 de Setembro, inclusive abrindo as portas para entender qualquer novo problema que esteja surgindo. Porque o atentado que mais matou pessoas na história continua atingindo a cidade. Mas não é mais um caso de segurança, é de saúde pública.

Texto publicado originalmente no Outra Cidade.

Para combater o zika, cidade americana quer atrair morcegos

North Hempstead é um município de 220 mil habitantes, a maior parte deles de classe média, na região metropolitana de Nova York. Até o momento, não teve nenhum caso de zika registrado, mas já está preocupada com o verão e a possibilidade de a doença alcançar sua população. Por isso, começou a botar em prática seu plano para combater o vírus que tem causado tantos danos no Brasil. Um plano para lá de criativo.

A prefeitura está instalando abrigos para morcegos nos parques e praças da cidade. O objetivo é atrair os animais que se instalaram em casas e nas cidades vizinhas e torcer para que seu apetite ajude no controle da população de mosquitos de North Hempstead.

Os especialistas consultados pelas autoridades calculam que cada morcego tenha capacidade de devorar cerca de mil insetos por hora. Não há registro da presença do Aedes aegypti no estado de Nova York, mas há uma população considerável do Aedes albopictus, espécie que também pode transmitir a dengue e o zika.

A medida combate os mosquitos, mas também aumenta a presença dos quirópteros em áreas públicas. Mas isso não preocupa a prefeitura. “Há nove espécies de morcegos no estado de Nova York, mas nenhuma delas se alimenta com sangue”, afirmou Liliana Dávalos, professora do departamento de ecologia e evolução da Universidade Stony Brook em entrevista ao New York Times. Além disso, menos de 0,5% dos morcegos dos Estados Unidos têm o vírus da raiva.

A prefeitura até se cercou de argumentos técnicos, mas a questão é ver como a população lidará com a situação. Ainda mais se surgir uma superpopulação de morcegos pelas praças da cidade.

Essa designer projetou uma ponte flutuante para pedestres em NY

Deslocar-se por Nova York envolve viver passando por pontes. Elas fazem parte da vida de uma cidade formada por ilhas no encontro de dois rios que formam uma baía. Algumas viraram pontos turísticos por sua imponência e grandiosidade. Mas talvez a próxima atraia visitantes pelos motivos opostos: seria discreta, pequena e com o menor impacto possível. Isso se a Citizen Bridge, uma ponte flutuante que ligaria o Brooklyn à Governors Island, sair do papel.

É uma ideia ousada da designer e ativista ambiental Nancy Nowacek. Inspirada em uma antiga barra de areia que ligava a pequena ilha ao bairro, ela projetou uma ponte composta por módulos flutuantes. Eles seriam encaixados até formarem uma passagem caminhável de 366 metros.

A estrutura teria baixo impacto ambiental e ajudaria a reaproximar os nova-iorquinos com suas águas. Além disso, facilitaria o acesso à ilha, um posto de uso militar que foi passado ao público e transformado em parque em 2003. Apesar de ter espaço de lazer, o acesso ainda é bastante limitado, só possível com balsas que saem de Manhattan e Brooklyn.

https://www.kickstarter.com/projects/1490248403/citizen-bridge-a-floating-pedestrian-bridge/widget/video.html

Os estudos começaram em 2012 e, desde então, Nancy consultou engenheiros navais e de estruturas, além de designers e outros especialistas na área. Foram construídos seis módulos, que já foram colocados na água para testar a eficiência da tecnologia. A inventora criou uma campanha – que se encerra em 20 de maio – no Kickstarter para arrecadar US$ 25 mil e construir um sétimo módulo para seu protótipo.

A solução teria baixo impacto ambiental e econômico, mas é discutível sua viabilidade técnica. Os fortes ventos da Upper Bay e a ondulação da água poderiam causar desconforto para o pedestre em uma caminhada de 400 metros, sobretudo nos dias de clima instável. Além disso, a prefeitura há havia demonstrado interesse em um eventual teleférico projetado pelo arquiteto espanhol Santiago Calatrava para ligar a Governors Island com o Brooklyn.

De qualquer maneira, a ideia pode ser interessante como exercício de engenharia. A aplicação em Nova York pode não vingar, mas a tecnologia de módulos flutuantes pode se mostrar interessantes para outras estruturas, em outras travessias pela água.

Decoração de Natal é mais do que trânsito: pode virar dinheiro

O que é? É um final de ano meio chocho. Em clima de crise, muitas cidades brasileiras não fizeram tantos investimentos para se decorar com motivos natalinos. Uma situação particularmente marcante em São Paulo, onde o tradicional palco da Avenida Paulista não foi montado por falta de patrocínio. Para muitos, é um tipo de investimento a fundo perdido. Mas perde-se a oportunidade de reforçar a capital paulista como um centro natalino no Brasil.

O turismo natalino

Congestionamentos e mais congestionamentos. O paulistano está acostumado a lidar com o tráfego lento, mas em dezembro a situação é particularmente mais crítica. Só tem uma coisa que pode piorar a confusão nas ruas – e irritar ainda mais os motoristas: a inauguração da decoração de Natal no Parque do Ibirapuera e na Avenida Paulista. Curiosos começam a transitar em ritmo lento para ver as luzes, e os demais reclamam da dose extra de lentidão.

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Por isso, houve até um alívio de parte da população ao ver que a maior cidade brasileira entrou menos no clima natalino em 2015. Não houve o palco na Paulista e o comércio foi mais discreto nas decorações. Mas ver a decoração de Natal apenas como um elemento que piora o trânsito é olhar para uma parte pequena do cenário.

Ônibus com luzes de Natal passa em frente à árvore de Natal do Parque do Ibirapuera (Sidnei Santos/SPTrans)

Ônibus com luzes de Natal passa em frente à árvore de Natal do Parque do Ibirapuera (Sidnei Santos/SPTrans)

Em um ambiente cada vez mais agressivo é cético, é difícil imaginar uma grande cidade brasileira imersa no conceito de “espírito natalino”. É muito mais comum encontrar pessoas irritadas com a fila nas lojas e nos supermercados para comprar presentes ou ingredientes para a ceia do que corais infantis espalhando “Bate o Sino” pelas ruas. Mas o Natal ainda é uma data importante e simbólica para muita gente, pela origem religiosa ou apenas por afinidade com todas as tradições que giram em torno desse feriado.

Há muitas pessoas que aproveitam essa época do ano para reforçar o sentimento natalino passeando ou viajando. As grandes cidades brasileiras – e São Paulo em particular – não têm capitalizado com isso. Tratam a decoração de Natal apenas como algo a se fazer para marcar o ano, mas não percebem a oportunidade que aquilo representa.

Um ponto que atrapalha é o clima, claro. No imaginário de qualquer pessoa no mundo ocidental, o Natal se relaciona com frio, neve, um velhinho barbudo com roupa para enfrentar o inverno polar e talvez a família reunida em uma sala aquecida por uma lareira. É a imagem que vem do hemisfério norte e a absorvemos no Brasil, por maior que seja o sofrimento de qualquer pessoa que passa horas de calor por ter arranjado um bico de fim de ano como Papai Noel.

TURISMO EM SÃO PAULO: Interlagos é exceção: autódromos serão raridade nas grandes cidades

Por isso, muitos brasileiros que gostam de Natal e têm maior poder aquisitivo aproveitam a segunda quinzena de dezembro para viajar a Nova York, Londres ou Orlando/Disney. Se for um profissional no turismo natalino, pode desbravar os mercados de Natal das Alemanha ou de Estrasburgo (França), considerado o melhor da Europa. Claro que o destino vale por si só, mas o clima natalino e a possibilidade de compras contribuem. Não à toa, há muita decoração e eventos culturais e até esportivos, além de investimento do comércio em receber esses consumidores que vêm de fora.

A Regent Street, em Londres, decorada para o Natal

A Regent Street, em Londres, decorada para o Natal

Nenhuma cidade brasileira concorre diretamente com essas por motivos óbvios, mas elas podem atrair o próprio brasileiro que não tem condição de atravessar o mundo. Isso já foi descoberto por cidades serranas como Gramado (RS), Campos do Jordão (SP) e Monte Verde (MG), sobretudo pelo apelo da temperatura mais amena que a média do verão brasileiro. No entanto, as grandes cidades podem aproveitar isso. E São Paulo surgiria como uma das principais candidatas.

A capital paulista já ganhou destaque na última década pelas decorações natalinas, inclusive em edifícios residenciais. Já é comum moradores da periferia ou de outras cidades próximas a São Paulo irem até o Parque do Ibirapuera, à Avenida Paulista ou aos shoppings para verem as luzes. E isso nem sempre tem a ver com as pessoas que ficam passando de carro e tornando o trânsito mais lento.

A isso se soma o fato de São Paulo não ser um destino típico de verão, algo mais comum para o Réveillon, e ter um comércio muito forte. Mesmo que a pessoa queira passar o dia 24 e 25 de dezembro com a família, ela teria motivos para passar pela capital paulista em algum momento em dezembro para curtir esse clima e comprar presentes que talvez ela não encontre em sua cidade (ou encontre a preços mais altos).

Presépio no Conjunto Nacional, galeria na Avenida Paulista (Ubiratan Leal/Outra CIdade)

Presépio no Conjunto Nacional, galeria na Avenida Paulista (Ubiratan Leal/Outra CIdade)

De acordo com uma pesquisa da SP Turis, órgão que gere as políticas de turismo na cidade, 11% dos visitantes das atrações natalinas são de outras cidades e 13,3% dos paulistanos que estavam em alguma dessas atrações estavam hospedando parentes de outras cidades. São números interessantes, mas que poderiam ser ainda maiores.

A prefeitura divulgou a programação de Natal da cidade com várias atividades, mas falta a cidade se colocar mais abertamente como um dos grandes destinos natalinos do Brasil. Há condições para isso, desde que todos (sobretudo a população) veja o Natal como um dos grandes eventos do calendário da cidade e pare de reclamar um pouco do trânsito.

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