Canadá muda o hino em favor da igualdade de gênero

Duas palavras, apenas duas palavras, e demorou quase três décadas para mudá-las. Nesta quarta (dia 31), o senado canadense aprovou uma alteração na letra em inglês de “Oh, Canadá”, o hino oficial do país desde 1980, quando substituiu o “God Save de Queen” do Reino Unido. O objetivo é tornar a música neutra em relação a gênero.

A mudança é realmente pequena. As três primeiras estrofes do hino são “O Canada! / Our home and native land! / True patriot love in all thy sons command” (“Oh, Canadá! / Nossa casa e terra nativa! / O verdadeiro amor patriótico em todos seus filhos comanda”). A questão é justamente o “thy sons” (“seus filhos”), uma referência restrita a homens.

Em português, “filhos” pode se referir a filhos homens ou a filhos homens e filhas mulheres misturados. Em inglês, “sons” serve só para homens. Se fossem filhos e filhas, seria “sons and daughters” ou “children”.

Por isso, surgiu a ideia de trocar “thy sons” por “of us”, deixando a estrofe “O verdadeiro amor patriótico em todos nós comanda”. Isso foi colocado em discussão pela primeira vez em junho de 1990, quando a Câmara de Toronto recomendou a troca ao governo canadense, assim como a mudança de “Our home and native land” (Nossa casa e terra nativa) por “Our home and cherished land” (Nossa casa e terra amada) para incluir também os estrangeiros que moram no Canadá e os canadenses que nasceram em outros países.

O assunto voltou ao debate em 2002 e em 2010, mas uma pesquisa mostrou que a maior parte da população era contra a mudança e o assunto esfriou. Até que, em 2016, um senador apresentou um projeto de lei defendendo a alteração. O texto passou por todas as instâncias até a última quarta, quando passou pelo Senado.


Hino canadense antes da alteração

Isso não significa que o hino já tenha oficialmente mudado. Ainda é necessária a aprovação da governadora-geral Julie Payette, uma espécie de representante da coroa britânica para o Canadá. Trata-se de uma formalidade, pois seu cargo é mais cerimonial do que executivo, mas ela precisa assinar a lei e estabelecer um dia para que ela entre em vigor.

Por fim, um detalhe importante. A discussão toda se refere apenas ao hino oficial em inglês. A letra em francês – que, diga-se, foi composta dez anos antes da versão inglesa – tem conteúdo bastante diferente, não cria conflito de gênero e, por isso, segue inalterada. As primeiras estrofes, por exemplo, são “Ô Canada! / Terre de nos aïeux, / Ton front est ceint de fleurons glorieux!” (“Ó, Canadá! / Terra dos nossos ancestrais, / Vossa testa está adornada com os louros mais gloriosos!”).

O que a nova música de Chico Buarque ensina sobre a relação centro-periferia

Já faz uns meses que não faço mais a seção de música de cidades (falta de tempo, era algo deliciosamente trabalhoso fazer), mas fica uma dica aqui. O amigo e colega Rodrigo Ratier, editor da Nova Escola, mostra com detalhes como é possível aprender sobre a relação centro-periferia (o cenário é o Rio, mas serve para vários lugares, até o Oriente Médio) a partir da música “As Caravanas”, de Chico Buarque.

O texto é voltado a professores, explicando como aplicar esse conteúdo em uma sala de aula. Mas o texto é válido para qualquer um. Clique aqui, eu recomendo.

Para Berlim, o mercado de Natal é uma instituição

O mundo ainda estava assustado com o assassinato do embaixador da Rússia na Turquia quando veio a notícia. Um caminhão invadiu o mercado de Natal da Breitscheidplatz, Berlim, matando 12 pessoas. Um ataque chocante por si só, ainda mais porque muitas crianças foram transformadas em alvo. Mas, no caso de uma cidade alemã, o impacto é ainda maior pelo local em que ocorreu. Um mercado de Natal não é apenas uma feirinha que vende bolacha de gengibre, luzinhas e bolas para decorar o pinheirinho da sala. É uma instituição, uma parte fundamental em se viver o período do Advento, as quatro semanas que antecedem o 25 de dezembro.

A Alemanha é uma das referências nessa área. No final de novembro, crianças ganham caixas de brinquedos ou doces divididas em 24 partes, para serem abertas uma por dia a partir de 1º de dezembro. Os mercados de Natal pipocam pelas cidades e são criados roteiros para quem quiser visitá-los (e não faltam turistas natalinos pela Europa, muitos deles procurando Alemanha, Áustria e Suíça, referências nessa área). Há mercados gerais, há os temáticos (decoração, comida), há pequenos parques de diversões, há palco para coral infantil.

Essas feiras são tão importantes na experiência natalina dos alemães que há até canções que falam sobre elas. Uma das mais recentes é “Auf dem Weihnachtsmarkt” (“No mercado de Natal”), lançada por Larissa Scholies (cantora de músicas infantis) em 2014. A letra fala de crianças indo ao mercado para fazer lanche, andar no carrossel, ver as luzes e o Papai Noel, sentir o cheiro da bolacha de gengibre, sentir a neve cair.

Vivenciar isso tudo é tão importante para as famílias alemãs que nem um atentado é capaz de impedi-las de voltar. Basta ver a foto acima, tirada no mercado da Breitscheidplatz dois dias depois do ataque.

Ouça “Auf dem Weihnachtsmarkt”, de Larissa Scholies (letra original na descrição do vídeo):

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A música do dia que Alepo apareceu para salvar seus vizinhos da fome

Moradores de Alepo querem – e precisam – ser ouvidos, e usaram todas as ferramentas possíveis para mostrar a realidade da cidade que foi destruída por ficar no meio da disputa entre grupos de oposição e o governo de Bashar al-Asad. Vídeos pipocaram nas redes sociais, com seus autores muitas vezes dizendo que aquela poderia ser sua última mensagem. Uma tragédia humanitária que atinge a cidade que, por séculos, foi referência em comércio, arquitetura histórica e gastronomia. E também na música.

A cidade mais populosa da Síria (antes da guerra) é a capital da moachaha, estilo musical surgido no califado ibérico do Império Omíada. Alguns dos principais nomes da música árabe tradicional nasceram ou iniciaram suas carreiras em Alepo. Caso de Sabah Fakhri, um dos responsáveis pela recuperação da popularidade da moachaha no Oriente Médio.

Uma das interpretações mais famosas de Fakhri é sua versão de “Al-Rozana”, uma música que fala de sua Alepo. No caso, de como Alepo apareceu para salvar Beirute de uma grande fome no início do século passado. Quando a atual capital libanesa (na época, ainda uma cidade do Império Otomano) sofreu uma grande crise de alimentos, o governo enviou da Turquia um navio italiano chamado Rosanna com comida. A população saudou a chegada, mas se decepcionou ao ver que havia apenas maçãs e uvas, justamente os produtos que eles tinham em abundância. Eles foram salvos pelos mercadores de Alepo que compraram esse excedente da população de Beirute, que fez a música agradecendo os vizinhos por salvá-los da fome.

Ouça “Al-Rozana” na voz de Sabah Fakhri (letra em árabe e inglês)

Obs.: A história de Al-Rozana acabou servindo de inspiração para a criação de uma rádio independente síria, com sede em Paris, que visa levar ao mundo a palavra dos moradores do país, sem os filtros estabelecidos pelo governo.

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A Medellín dos paisas, a Medellín que muitos de nós só conhecemos agora

Medellín gosta de abraçar a todos. O Brasil pôde ver isso na forma como a cidade se uniu para mostrar carinho e solidariedade à Chapecoense – e aos brasileiros em geral – após o acidente aéreo que matou quase todo o time dois dias antes de enfrentar o Atlético Nacional na final da Copa Sul-Americana. Mas a vocação receptiva e festiva do medellinense (mais comumente chamados de paisa) é famosa. E um dos símbolos disso é na música.

No exterior, a imagem da segunda maior cidade da Colômbia foi, por décadas, a do tráfico de drogas e a da violência. Mas, internamente, é o grande polo musical do país. A cena punk colombiana surgiu em Medellín. A capital do estado de Antioquia é também um centro de tango desde a época de Carlos Gardel (que, inclusive, morreu em um acidente aéreo em Medellín). Atualmente, o ritmo que domina a cidade – e já se espalhou pelo resto da Colômbia – é de origem panamenha e virou símbolo de Porto Rico, o reggaeton.

Vários ícones do reggaeton saíram da região de Medellín. Um dos principais é J Balvin. A maior parte de suas composições falam de amor, mas ele reservou uma para falar da cidade em que faz questão de morar até hoje (mesmo sabendo que, profissionalmente, se mudar para Miami seria melhor). Em “Seguiré Subiendo”, ele fala de sua própria trajetória até chegar ao sucesso. Mas, ao mesmo tempo, traça paralelos com todos os paisas que trabalham duro para um dia melhorar. Ainda que não seja algo explícito ou mesmo proposital, a ideia de “seguir subindo” também serve de metáfora para a cidade que teve muito mais integração entre centro e favela após a implantação de teleféricos para o transporte dos morros para as regiões baixas, mais nobres.

No clipe, todo gravado em Medellín, pessoas comuns falam de si, de suas esperanças, de seu trabalho. Essa é a Medellín de verdade, que não víamos por estar ofuscada pelos noticiários policiais, mas que pudemos ter contato após uma tragédia esportiva.

Veja o clipe de “Seguiré Subiendo”, de J Balvin (letra em espanhol)

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Porque Brasília é muito mais que o Plano Piloto

Brasília é reconhecido como um dos principais centros da música pop brasileira. Várias bandas de rock surgiram na capital, como Legião Urbana, Capital Inicial e Raimundos, algumas delas com músicas descrevendo a vida na cidade. Isso até foi tema de uma newsletter nossa de setembro, mas o Distrito Federal está além das superquadras e os setores planejados do Plano Piloto. Nas demais regiões administrativas (não se usa mais o termo “cidades-satélites”), a vida é bem diferente.

Uma boa forma de entender o que se passa em Gama, Sobradinho, Taguatinga, Ceilândia, Samambaia, Guará, Brazlândia e tantos outros núcleos urbanos é ouvir o que GOG tem a dizer. O rapper, que usa um pseudônimo de seu nome completo, Genivaldo Oliveira Gonçalves, compôs “Brasília Periferia”, quase um grito para que se ouça mais a voz que vem de fora do Plano Piloto.

A letra retrata uma vida semelhante à de bairros periféricos em qualquer grande cidade brasileira (“Mas só pra te lembrar / Periferia é periferia em qualquer lugar / É só observar”), retrata a diferença social (“Mão ao alto é um assalto / Ninguém é recebido assim / Na vila planalto no jardim planalto”) e até cutuca o ex-governador do DF, Joaquim Roriz (“Reduto eleitoral bastante disputado / Hoje dominado por um infeliz / Cujo o nome se rima não se diz”).

Como descreveu o brasiliense Renato Alves, nosso leitor que deu a ótima sugestão para essa pauta, “A música fala sobre a Brasília de verdade, onde moram 80% dos brasilienses o povo que movimenta a máquina da Capital. Sai desse clichê do Plano Piloto, mostra para o restante do país que Brasília não é uma ilha dos sonhos tem problemas socioeconômicos iguais a todas metrópoles latinas. Ainda por cima conta a história do hip-hop candango”. Eu não poderia descrever melhor.

Ouça “Brasília Periferia”, do GOG

Obs.: Sugestão de pauta do leitor Renato Alves

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O lugar de onde é preciso fugir para ter sucesso

“O maior embaixador de Nova Jersey.” Foi essa uma das formas utilizadas por Barack Obama para descrever a importância de Bruce Springsteen ao dar ao ícone do rock a Medalha Presidencial da Liberdade, no início desta semana. De fato, a imagem de The Boss é intimamente ligada à de Nova Jersey. Ele sempre falou do ambiente e das pessoas que vivem em um estado em crise de identidade por ser visto por muita gente apenas como um punhado de municípios da periferia de Nova York (ao norte) e da Filadélfia (ao sul).

Uma das músicas mais famosas de Springsteen, que serve até de título de uma de suas biografias, fala de Nova Jersey: Born to Run. No entanto, ela não faz uma declaração de amor ou exalta algum elemento da cultura ou da natureza do estado. A letra fala da angústia de se morar nele, e da necessidade de se sair de lá para melhorar vida (“Garota, esta cidade arranca os ossos do corpo / É uma armadilha mortal, é um ritmo suicida / Nós temos que cair fora enquanto somos jovens”).

A música fala do momento por que Springsteen passava, com a dificuldade de fazer sucesso fora de sua terra natal. Mas foi justamente com o álbum “Born to Run” que ele se tornou uma figura nacional, sem precisar sair de Jersey. Ano depois, com a carreira já consolidada, ele morou alguns anos em Los Angeles, mas retornou depois para esse pequeno estado que se define pelas metrópoles coladas a ele ao norte e ao sul.

Ouça “Born to Run” (letra com tradução):

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O retrato de uma Buenos Aires sob os efeitos da crise

O mundo anda em uma fase de descrença da população com as autoridades tradicionais e a capacidade delas de melhorar a vida das pessoas. O mau humor dá o tom quando se fala de política, por exemplo. Mas já houve momentos piores, sobretudo para os latino-americanos. A segunda metade da década de 1980 teve crise econômica atrás de crise econômica em vários países, hiperinflação era comum, greves gerais ocorriam com constância e após uma ou outra revolta popular, pintavam manchetes chamando algum lugar de “cidade da fúria”. Tudo por causa de Buenos Aires, e de uma música que assim batizou aquele momento da capital argentina.

A virada da década foi cruel com os argentinos. O Plano Austral, pacote econômico que criou uma nova moeda (o austral) em 1985, começou a fazer água em 1987. No ano seguinte, o governo de Raúl Alfonsín decretou moratória e, em 1989, o Banco Mundial suspendeu a ajuda ao país. A inflação, que já era alta, disparou: foi de 9,6% em fevereiro para quase 200% em julho. No total, o aumento de preços somou 3.079% em 1989 e 2.314% em 1990. Era esse o clima do país quando a banda Soda Stereo gravou o álbum Doble Vida, que teve como primeiro single “En la Ciudad de la Furia”.

A música é uma alegoria em que um homem alado representa os jovens portenhos. Eles tentam voar e se sentem cada vez mais amarrados e sem perspectivas em uma sociedade nervosa e tensa com sua situação (Nada mudará / Com um alerta de curva / Em suas caras vejo o temor / Já não há fábulas / Na cidade da fúria). O cenário se torna tão crônico que é tratado quase como um destino, algo incontornável (Buenos Aires se vê / Tão suscetível / É o destino de fúria / O que persiste em suas caras). No final, fica ainda um suspiro de esperança de que um dia chegará a vez dessa juventude (Me verá voltar…).

“En la Ciudad de la Furia” talvez tenha sido a principal composição de Gustavo Cerati, um dos maiores nomes da história do rock latino-americano. O guitarrista faleceu em 2014, após passar quatro anos em coma como consequência de um AVC sofrido em Caracas.

Veja o clipe de “En la Ciudad de la Furia”, do Soda Stereo. Aqui está a letra, com tradução.

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O ressentimento do operário de Detroit com Wall Street

Mais uma eleição presidencial se passou nos Estados Unidos e o mapa seguiu as mesmas características dos pleitos mais recentes: os democratas ganham nos grandes centros urbanos, os republicanos vencem no interior. A diferença está na vantagem que cada um consegue nas áreas em que domina e em quão urbana ou rural é a população de cada estado. Dessa vez, foi melhor para os republicanos. Donald Trump venceu, e uma das razões foi o aumento de votos para seu partido no Rust Belt, faixa entre o nordeste e o Meio-Oeste americano, próximo aos Grandes Lagos, onde a desindustrialização americana deixou um rastro de fábricas fechadas e trabalhadores desempregados.

Detroit é um grande símbolo disso. A capital do automóvel sofreu com a mudança das fábricas para outros lugares, e o município chegou a decretar falência. Hillary Clinton venceu na cidade, mas com uma vantagem menor que Barack Obama há quatro anos (37 pontos percentuais, contra 47). Na região metropolitana, a diferença foi ainda menor (em Flint, foi por 9 pontos, enquanto Obama bateu Mitt Romney por 28). Assim, a Grande Detroit não deu aos democratas uma grande vantagem, e o interior sacramentou a vitória republicana no estado.

Essa migração de votos das áreas industriais foi uma marca da eleição. E uma música retrata bem o fenômeno: “Shuttin’ Detroit Down”, de John Rich. O cantor country reforça o contraste entre o operário da fábrica do Meio-Oeste, que trabalha por décadas na mesma empresa, e o engravatado de Nova York. O segundo perde dinheiro por fazer bobagem no mercado financeiro, e quem paga o pato é o primeiro, que vive no “mundo real” e fica até “sem dinheiro para morrer”. Enquanto isso, os políticos em Washington sustentam os banqueiros.

ENTENDA: Priorizar os carros parecia natural para Detroit, mas foi sua ruína

Rich é uma figura conhecida pelo posicionamento político. Declaradamente republicano, já ajudou a criar músicas para a campanha de vários candidatos do partido, sobretudo no Tennessee, seu estado natal. Não fez isso com Donald Trump, a quem conheceu quando participou do “Celebrity Apprendice”, versão de “O Aprendiz” com celebridades. Trump foi o apresentador. Por isso, a letra reflete bastante o discurso dos republicanos sobre a situação do Rust Belt. Um discurso que teve muita aceitação neste ano, e que fez a diferença na definição do futuro presidente dos Estados Unidos.

Veja o clipe de “Shuttin’ Detroit Down”. Aqui tem a letra original, em inglês.

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A futilidade no bairro mais sofisticado de Seul

Quem vê Seul com suas ruas apinhadas de gente e arranha céus por todo lado pode ter dificuldade de imaginar como ela era há 50 anos. Destruída pela Guerra da Coreia, a capital sul-coreana foi alvo de um grande projeto de reconstrução. Em 1963, quando o país esteve sob o comando de Park Chung-hee (pai de Park Geun-hye, presidente envolvida em escândalo pelo envolvimento com uma líder mística), Seul anexou várias regiões a seu redor. Entre elas estava uma grande área ao sul do Rio Han, Gangnam.

O bairro cresceu rapidamente. De área rural na década de 1960, tornou-se o destino preferido da elite sul-coreana já nos anos 80. Rapidamente, tudo o que girava em torno do bairro era transformado em sinônimo de sofisticação, luxo ou ostentação, um conceito que ganhou o apelido de “estilo de Gangnam”. Uma expressão que virou nome da música mais conhecida do pop coreano.

VEJA MAIS: Todos os textos de nossa newsletter

Em “Gangnam Style”, o cantor Psy apresenta de forma caricata o universo de futilidade em torno da vida no bairro mais sofisticado de Seul. Da vida despreocupada de quem só pensa em sair com garotas (e em julgá-las pela aparência e comportamento na cama) até os ambientes que frequenta. Mas não dá para dizer que se trata de uma crítica. O próprio Psy foi criado em Gangnam, filho de um executivo de uma empresa de tecnologia com uma dona de restaurantes na região, e seu trabalho sempre preferiu letras irreverentes, danças malucas e um visual extravagante do que a denúncia social. Inclusive, o ícone do K-pop admitiu que seu maior sucesso é uma brincadeira com pessoas que não são de Gangnam que tentam se fazer de moradores do bairro para impressionar os outros.

De qualquer modo, o estilo exótico de Psy e do clipe fizeram Gangnam Style se transformar em um sucesso mundial no YouTube. E o estilo de vida do bairro mais rico de Seul passou a ser conhecido pelo resto do mundo.

Veja (ou reveja, pois todo mundo parece já ter visto) o clipe de Gangnam Style. Aqui tem a letra com tradução.

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