E se as estradas do Império Romano fossem linhas de metrô?

Uma das grandes maravilhas do Império Romano era sua rede de transportes. Com estradas e rotas marítimas bem organizadas e definidas, viajar era uma atividade relativamente fácil para comerciantes, militares, trabalhadores em geral e até turistas. Essa facilidade de locomoção foi fundamental para dar robustez e um nível de organização econômica, política e cultural muito acima dos padrões da época.

Mas, e se fôssemos traduzir essa rede para a linguagem de hoje? Por exemplo, transformando o mapa de estradas em mapas do metrô. Foi o que fez Sasha Trubetskoy, um geógrafo que estuda na Universidade de Chicago. O resultado é sensacional, e ajuda a visualizar ainda melhor como funcionava esse emaranhado de vias.

O próprio autor conta que a pesquisa foi mais trabalhosa do que ele imaginava no início pela falta de informações consistentes em relação a algumas vias. Houve casos também de estradas sem nome histórico definido ou conhecido, que foram batizadas pelo geógrafo (aqui a lista dos nomes reais e dos criados).

Veja abaixo o mapa completo. Se quiser ver em maior tamanho, clique aqui (se não abrir, tente aqui). Ah, e se quiser fazer um pôster dessa imagem, o Sasha manda o PDF em alta resolução por US$ 9.

Estradas romanas em estilo de mapa de metrô (Sasha Trubetskoy)
Estradas romanas em estilo de mapa de metrô (Sasha Trubetskoy)

Se a Nova Zelândia for mesmo um continente, vão se lembrar de colocá-la no mapa?

A contagem de continentes é mais complicada do que parece. A expressão “cinco continentes” é muito comum, considerando África, América, Ásia, Europa e Oceania. No entanto, esse critério ignora a existência da Antártida, que Europa e Ásia podem ser contadas como uma só (Eurásia) e que a América pode ser dividida em duas massas territoriais (Norte-Central e Sul). E agora aparece a Zelândia.

Não chega a ser uma completa novidade. A Zelândia já era conhecida como um fragmento continental que se descolou da Austrália entre 60 e 85 milhões de anos atrás. No entanto, uma pesquisa publicada na revista da Sociedade Geológica da América nesta sexta (17) considera que se trata realmente de um continente. Um continente formado por Nova Zelândia, Nova Caledônia, algumas outras ilhas do Pacífico e uma grande área submersa.

Fragmento continental ou microcontinente – Massa que se descola de um continente para formar um território separado. Teoricamente, todo continente é um fragmento de um maior, da era dos supercontinentes (Rodínia, Pangeia, Laurásia, Gondwana), mas o termo microcontinente é adotado para os territórios menores que a Austrália. Exemplos de fragmentos continentais: Madagascar, Cuba, Hispaniola, Jamaica e os platôs onde estão as ilhas Seychelles e Maurício.

O grupo de cientistas, de instituições neozelandesas, australianas e neocaledônios usaram quatro critérios para definir um continente: elevação sobre a área a seu redor, geologia distinta, área bem definida e crosta mais grossa que o leito oceânico normal. Zelândia atende a todos esses requisitos para ser considerada um continente, por mais que 94% de sua área esteja debaixo da água.

É possível chamar essa massa de “continente” pela área: 4,92 milhões de km², dois terços da Austrália (menor continente do mundo, ao menos por enquanto) e mais que o dobro da Groenlândia (maior ilha do mundo). A Zelândia também se manteve inteira, sem novas fraturas após se descolar da Austrália e submergir.

A importância de discutir se estamos diante de um continente ou de um fragmento continental está justamente na possibilidade de se analisar a capacidade de uma grande massa de terra submergir e não perder sua integridade. Mas já dá para imaginar outro motivo para se discutir o caso: lembrar alguns mapas da existência da Nova Zelândia.

Tirando no rugby, os neozelandeses têm motivos para se sentirem ofuscados pelo gigantismo da Austrália. O governo até tentou criar uma nova bandeira para o país se diferenciar mais dos vizinhos. Mas a Nova Zelândia é tão esquecida que há uma epidemia de mapas pelo mundo que ignoram sua existência. 

Um sujeito (ou um grupo, não dá para saber) até criou o bem humorado site “World Maps without New Zealand” só para reunir imagens de mapas que apagaram a Nova Zelândia. Quem sabe se isso não acaba com o país ganhando a condição de principal território de um novo continente?

Mapas eleitorais mostram pouca diferença entre centros e periferias

Um lugar todo pintado, cada parte com uma cor. Tornou-se comum usar mapas eleitorais, destacando o candidato mais votado em cada região de um país/estado/cidade para mostrar a divergência de opiniões entre pessoas que vivem realidades diferentes. Mas, nas eleições municipais de 2016, ela não foi tão grande assim.

GALERIA: Veja quais são as cidades brasileiras com maior número de eleitores

Nossos parceiros do UOL fizeram um belo raio-X dos resultados deste 2 de outubro (CONFIRA!), com infográficos, tabelas e vídeos dando um apanhado geral do primeiro turno das eleições municipais. Um quesito que chamou a atenção foram os mapas eleitorais das 26 capitais. Em 15 delas, 57,7%, o candidato mais votado venceu em todas as zonas eleitorais. Outras, como São Paulo, Belo Horizonte e Fortaleza, ficaram muito perto de terem esse mesmo cenário.

Os mapas completos, com resultados zona a zona, estão no link do UOL, mas selecionamos algumas capitais com resultados interessantes. Confira:

[galeria_embeded]

Estamos hipnotizados por esse projeto com mapas históricos do Rio

A tecnologia tem permitido a criação de várias novas formas de se mapear a cidade, aprofundando o conhecimento para tendências futuras. Já houve levantamento de dados em redes sociais para apontar possíveis pontos de gentrificação, oferecer melhores serviços públicos em favelas, indicar focos de reprodução do Aedes aegypti, viver sem o carro e até para ajudar as autoridades a descobrirem locais atingidos por um grande terremoto no Equador. Mas também dá para usar isso para ver o passado com outros olhos. É o que mostra o ImagináRio.

O projeto foi criado por Alida Metcalf, professora de história latino-americana na Universidade Rice (Houston, EUA). A historiadora se especializou no Brasil por ver várias semelhanças com os Estados Unidos. Em 2008, ela realizou um trabalho com mapas brasileiros do século 16. Na oportunidade, ela conhecer Farés al-Dahdah, professor de arquitetura na mesma instituição, e ambos decidiram aprofundar esse estudo para ter uma perspectiva histórica e urbanística do Rio de Janeiro.

O resultado dessa parceria foi a criação de uma infográfico digital com a evolução da capital fluminense em mapas. O objetivo era utilizar a plataforma para ilustrar as aulas sobre a história carioca, mas acabou se tornando algo maior, aberto a consulta de todos.

No ImagináRio, é possível ver cada etapa do surgimento do Rio, de 1500 a 2016. O usuário pode ver o crescimento da área urbana, comparar com mapas históricos e até quadros que retrataram cada época.  É tanta informação que nós não conseguimos explorar tudo ainda. Mas dá para ficar horas e horas brincando (e aprendendo) com isso.

Clique aqui e se divirta. Mas fica o aviso: sua produtividade pode ser duramente afetada.