Rio corrige erro do bilhete olímpico, mas confusão ainda reina

“Não tinha esse bilhete olímpico unitário, mas reclamaram tanto que criaram em cima da hora. Só que não pode comprar essa passagem na máquina, só na bilheteria.”

A atendente da estação Salvador Allende do BRT se esforça, mas não consegue evitar o constrangimento. Por mais que a prefeitura do Rio de Janeiro tenha divulgado insistentemente que o transporte público era a melhor forma de chegar às arenas dos Jogos Olímpicos, fica cada vez mais evidente que o sistema não estava preparado. O erro de criar um bilhete olímpico sem passagem unitária foi corrigido, mas diversos outros seguem.

A forma de criar essa passagem unitária (por R$ 7,60, o dobro de uma viagem convencional de BRT) diz muito. Em vez de ser carregada no RioCard olímpico, ela é colocada dentro do Bilhete Único convencional. Dessa forma, é vendida como uma passagem normal, na bilheteria. Não parece um grande problema, exceto pelo fato que isso impede sua compra por cartão – só dinheiro vivo – e uso na linha 4 do metrô, ainda exclusivas do portador do cartão olímpico.

Máquina para venda automática do RioCard olímpico em manutenção (Ubiratan Leal/Outra Cidade)
Máquina para venda automática do RioCard olímpico em manutenção (Ubiratan Leal/Outra Cidade)

Mas não é só isso. O próprio RioCard olímpico tem problemas. O sistema das máquinas para venda automática cai constantemente, formando filas enormes nos terminais que funcionam (até porque estão presentes em poucas estações do BRT, e nem os funcionários sabem ao certo quais). Além disso, a compra tem de ser feita um a um. Para o torcedor que quer comprar vários cartões, é preciso muita paciência.

O mais grave, porém, é que esses terminais só aceitam dinheiro vivo e cartão de débito. Para os milhares de turistas que vieram ao Rio contando com o cartão de crédito para suas operações, isso representa um grave obstáculo e ainda o obriga a correr o risco de andar com muito dinheiro na carteira.

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O sistema olímpico ineficiente no primeiro fim de semana dos Jogos contribuiu para que muitos usuários olímpicos (torcedores e milhares de voluntários que trabalham no evento) utilizassem o transporte convencional da cidade. As linhas de BRT que passam pela Barra da Tijuca estão sobrecarregadas. Além disso, as carências do sistema ficaram mais expostas: na Rio 2, parada mais próxima do Parque Olímpico da Barra, uma das bilheterias estava fechada às 21h, obrigando milhares de pessoas a contornar a estação. No trem que leva ao Parque Olímpico de Deodoro, o intervalo entre as composições era de 40 minutos.

Ir do Recreio dos Bandeirantes ao Maracanã exigia 2 horas entre dois BRTs e três linhas de metrô.Total: mais de duas horas.

A prefeitura prometeu corrigir os problemas  das filas no Parque Olímpico e de falta de comida nas arenas. Que olhe também para o transporte público. Até porque ele afeta a todos, turistas e cariocas.

Texto publicado originalmente no Outra Cidade.