População do Japão segue caindo, e só não é pior por causa dos imigrantes

O Japão tem 126,93 milhões de habitantes. É o dado divulgado pelo governo do país em abril, um número preocupante. Afinal, foi registrada uma queda de 299 mil japoneses em relação ao ano anterior, uma redução gigantesca de habitantes. A população total da terceira maior economia do mundo só não caiu mais porque houve a chegada de 136 mil imigrantes.

É o sexto ano seguido em que a população do Japão diminui. Esse fenômeno ocorre devido ao envelhecimento do país. Segundo o mesmo levantamento do governo, 27,3% da população tem mais de 65 anos, enquanto que apenas 60,3% tem entre 15 e 64 anos, a idade economicamente ativa, pior marca desde 1951, quando o país ainda sofria o efeito da Segunda Guerra Mundial.

Um plano do primeiro-ministro Shinzo Abe era estabilizar a população japonesa em cerca de 100 milhões em 2060. Com isso, a economia do país estaria mais sustentável em relação à sua produção e, principalmente, à capacidade de manter o sistema previdenciário. No entanto, projeções já apontam que a tendência é que a população caia para patamares menores que o desejado pelo governo.

Mas outra questão que está se tornando mais forte na sociedade japonesa, e pode crescer ainda mais de acordo com esses números, é o aumento da diversidade. Afinal, a quantidade de japoneses está diminuindo, mas o fluxo de imigrantes é crescente. Não vai demorar para gaijins (não-japoneses) se tornarem um grupo demograficamente relevante e forte.

Lançaram um sushi de Kit Kat. E não foi invencionice brasileira, foi no Japão mesmo

Brasileiro não tem muita cerimônia com comida. Gosta de inventar coisas diferentes, como comer arroz e feijão com macarrão, até cometer crimes inafiançáveis, como colocar ketchup na pizza. Alguns puristas reclamam – e até têm razão dependendo do caso (o da pizza) – e constantemente citam o jeitão estilo livre de se formular sushis por aqui. Sushi de tudo quanto é coisa, atentados que fariam um japonês considerar a hipótese de declarar guerra ao Brasil. Mas, o que fazer com essa tese quando lançam um sushi de Kit Kat no Japão?

Isso mesmo, um sushi com chocolate. A iguaria está disponível nos sabores atum, ouriço do mar e ovo, mas o sabor mesmo é bem diferente. Apesar da presença de folha de alga, são doces com ingredientes como arroz, chocolate branco, framboesa, melão, mascarpone e abóbora para simular a imagem de um sushi tradicional. 

O lançamento marcou a inauguração da primeira loja de rua da Kit Kat, no bairro de Ginza, Tóquio, em 2 de fevereiro. O pacote com os três sabores custava 3 mil ienes, ou US$ 26, mas se esgotou (foram produzidos em quantidade limitada).

Tudo bem, esse caso é de algo bem pontual, de uma marca de chocolate querendo promover uma nova unidade de sua loja. No entanto, essa história de que japonês é sacrossanto quando se trata de suas comidas tradicionais é mito. Ainda que restaurantes tradicionais mantenham padrões mais rígidos, estabelecimentos voltados para jovens ou turistas não têm medo de inventar moda.

O amigo Guilherme Pinheiro esteve no Japão em 2016 e postou uma pequena série de fotos de cardápios anunciando sushis inusitados. Veja:

Japão_Sushis bizarros 1

Japão_Sushis bizarros 2

Japão_Sushis bizarros 3

Japão_Sushis bizarros 4

O fato de haver sushis inusitados no Japão não significa que eles sejam populares e largamente consumidos (esse vídeo do Yo Ban Boo, por exemplo, mostra o estranhamento de um jovem japonês com os sabores “japoneses” do Brasil), mas eles existem. Do mesmo jeito que existe pizzas de sabores esquisitos na Itália (mais em lugares para crianças e jovens), que cerveja com frutas é largamente consumida na Alemanha e que os brasileiros, ao contrário do que creem muitos estrangeiros, não veem problema em trocar o limão e a cachaça por outra fruta ou bebida na caipirinha.

O inverno ainda está forte, mas Japão já prevê quando as cerejeiras florescerão

O inverno no Japão não é dos mais gentis. Para esta segunda, dia 23, a previsão é de máxima de 7ºC e mínima de -2ºC em Tóquio, mas os termômetros ficarão entre -4 e -13 em Sapporo, ao norte do país. Isso porque o final de janeiro já tem uma melhora em relação a dezembro. Como o verão também não é muito agradável, com muito calor e umidade, os japoneses gostam mesmo é da primavera. Temperaturas agradáveis, nada de neve, chuvas moderadas e, principalmente, cerejeiras cheias de flores para tingir de rosa as paisagens.

A floração da cerejeira é um dos símbolos da chegada da primavera, o que faz com que seja muito aguardada pelos japoneses. Festas são organizadas em diversas cidades, jardins se preparam para exibi-las da forma mais exuberante possível e, claro, turistas de dentro e fora do Japão se programam para ver esse espetáculo. Por isso, meteorologistas e botânicos buscam antecipar em meses a descoberta de quando a sakura (nome da flor da cerejeira em japonês) aparecerá em cada região do país.

Na última semana, saiu a primeira previsão da floração de 2017. A Japan Meteorological Corp. informou que as cerejeiras devem florescer a partir de 22 de março em Tóquio (microclima de metrópole) e a partir do dia seguinte nas cidades mais quentes, ao sul. Essa data avança de acordo com o clima de cada região, até o norte da ilha de Hokkaido, que só deve ver a sakura em 10 de maio. Por essa previsão, as flores devem desabrochar uma semana antes do normal.

Primeira previsão para a floração das cerejeiras no Japão em 2017
Primeira previsão para a floração das cerejeiras no Japão em 2017

O relatório é bastante detalhado, mesmo na versão em inglês, com mapa (acima) e tabela por distritos, e a própria empresa de meteorologia recomenda o acompanhamento periódico de sua página, para ver qualquer atualização dessa previsão.

Da língua à sinalização, o Japão já se prepara para se fazer entender nos Jogos Olímpicos de 2020

A comunicação com milhões de estrangeiros é um dos desafios perenes do turismo no Japão. Ainda que a população seja conhecida pelo esforço e simpatia na tentativa de receber bem, o conhecimento do inglês ainda é restrito no arquipélago. Um problema grave quando se pensa que a escrita também é um desafio e Tóquio está a três anos e meio de receber o maior evento poliesportivo do planeta. Mas os japoneses já estão se mexendo. E em várias áreas da comunicação.

A primeira meta é fazer que todos os 90 mil voluntários (estimativa do comitê organizador) consigam atender aos visitantes. Para isso, sete universidades especializadas em estudos internacionais e de idiomas (espalhadas por Chiba, Kioto, Kobe, Nagasaki, Nagoia, Osaka e Tóquio) uniram forças para realizar programas bienais de ensino de idiomas. O programa é centrado em ferramentas básicas para tradução e interpretação e abrange inicialmente cinco idiomas: inglês, chinês, espanhol, coreano e português (sim, português).

Os cursos são voltados não apenas às línguas em si, mas também à cultura, religião, esportes e temas na área de hospitalidade. A intenção não é apenas haver uma conversa, mas evitar que surjam ruídos por diferenças na forma de japoneses e estrangeiros interpretarem cada situação. Quem pretende trabalhar em setores mais específicos, como atendimento médico, também está recebendo cursos de idiomas focados nesses temas.

Outra preocupação dos japoneses é permitir que um estrangeiro se oriente facilmente pelo país. O Japão ganhou fama entre visitantes de ter placas divertidas, quase um cartum (até há um blog sobre isso), mas o problema maior é o padrão adotado para a sinalização, diferente do internacional. Ainda que muitos símbolos sejam intuitivos, outros alguns podem criar confusão.

Por isso, o governo criou um comitê para revisar todos os símbolos do padrão japonês, que toma como base uma linguagem criada em 1964 justamente para a primeira vez que Tóquio recebeu os Jogos Olímpicos. Alguns pictogramas serão criados, enquanto outros serão substituídos pelo utilizado internacionalmente.

Em estabelecimentos comerciais, a adoção dos novos símbolos não será obrigatória, apenas recomendada. A dúvida é grande em casas termais, os onsen, que consideram que a marca atual já é consagrada e não vêem motivos para troca pelo símbolo mundial.

Símbolo de casas termais adotado no Japão (à esquerda) e o internacional (à direita)
Símbolo de casas termais adotado no Japão (à esquerda) e o internacional (à direita)

 

Em que ano estamos em cada calendário usado no mundo

Feliz 2017! Mas não estamos em 5777? Ou talvez em 4713? Quem sabe não estejamos comemorando o ano 29 da era atual? Boa parte do planeta adota o calendário gregoriano de uma forma ou outra, mas o ser humano criou centenas de formas de marcar datas ao longo da história. Algumas delas foram utilizadas por séculos, e algumas ainda são empregadas oficialmente por governos ou têm uso para situações específicas.

Há padrões dos mais diversos, tanto na definição do ponto de partida para a contagem do calendário quanto na divisão do ano em dias e meses. Em alguns calendários, como o islâmico, o ano não tem 365 dias. Outros até tem, mas o padrão para anos bissextos é diferente do que usamos na maior parte do Ocidente.

Então, veja em que ano estamos em alguns dos calendários mais importantes do mundo e como eles iniciaram sua contagem:

JUDAICO

Ano: 5777
Início da contagem: um ano antes do que seria a criação do mundo

ISLÂMICO

Ano: 1438
Início da contagem: fuga de Maomé de Meca para Medina

CHINÊS

Ano: 4713 
Início da contagem: início do reinado de Huang Di, conhecido como Imperador Amarelo. Há outras contagens adotadas, a mais usada nos coloca no ano 105 (a partir do início da República da China, versão adotada em Taiwan)

ETÍOPE

Ano: 2009
Início da contagem: nascimento de Jesus, mas com base em uma datação diferente da usada no calendário gregoriano

PERSA

Ano: 1395
Início da contagem: fuga de Maomé de Meca para Medina. Como o calendário persa é solar, o ano é mais longo que o islâmico (lunar), o que explica a diferença de datas mesmo tomando o mesmo ponto de partida

JAPONÊS

Ano: 29 da Era Heisei
Início da contagem: subida ao trono do imperador Akihito (“Heisei” é o nome da era correspondente ao atual imperador)

BENGALI

Ano: 1423
Início da contagem: início do reinado de Shashanka em Gauda (reino que unificou a região do atual Bangladesh e leste da Índia)

NORTE-COREANO

Ano: 105
Início da contagem: nascimento de Kim Il-Sung, líder da Coreia do Norte

ARMÊNIO

Ano: 1465
Início da contagem: cisão entre a Igreja Apostólica Armênia e a Igreja Católica Romana

TAILANDÊS

Ano: 2560
Início da contagem: morte de Buda

ASSÍRIO

Ano: 6766
Início da contagem: fundação da cidade de Assur

BÉRBERE

Ano: 2966
Início da contagem: subida de Shoshenk I (por ter origem líbia, seria o primeiro bérbere proeminente) ao posto de Faraó do Egito

BIZANTINO

Ano: 7525
Início da contagem: data estimada para a criação do mundo (entre os calendários mais importantes, é o que nos coloca em uma contagem mais alta de ano)

COPTA

Ano: 1733
Início da contagem: subida de Diocleciano ao trono romano (um marco de martírio, pois o imperador perseguiu muitos cristãos, sobretudo no Egito)

COREANO 

Ano: 4349
Início da contagem: início do período Gojoseon (uma das eras do Reino da Coreia). O calendário foi oficial da Coreia do Sul até 1961, quando foi substituído pelo gregoriano

JULIANO

Ano: 2016
Início da contagem: nascimento de Cristo. A diferença do calendário gregoriano é de apenas 13 dias. Ou seja, o Ano Novo está chegando

Que países não comemoram o Ano Novo em 1º de janeiro?

Dezembro está acabando, janeiro está começando, e bilhões de pessoas estão se envolvendo em algum tipo de evento (de festa a apenas fazer promessas) para a virada de ano. Estamos tão acostumados a ver a numeração do ano e a forma de dividir o calendário estar ligada à eventos religiosos que muitas vezes esquecemos como isso, no final das contas, é uma unidade de medida. E, como unidade de medida, quanto maior a padronização internacional, melhor.

A indústria norte-americana adota o sistema métrico ao lado do imperial, pois isso facilita o comércio internacional de seus produtos. Da mesma forma, ter datas uniformes reduz o risco de confusões na hora de empresas de diferentes países – ou unidades internacionais da mesma empresa – realizarem planejamento conjunto, firmar contratos ou mesmo alinhar a gestão.

Por isso, muitos países não católicos romanos acabaram adotando o calendário gregoriano de alguma forma. O último católico ortodoxo a manter o calendário justiniano foi a Grécia, que resistiu até 1923. Nações não-cristãs muitas vezes mantêm um calendário tradicional para eventos religiosos e o gregoriano para usos civis. 

Há ainda lugares em que o calendário ocidental é seguido na divisão de meses e semanas, mas a contagem do ano não toma como base o nascimento de Cristo. No Japão e em Taiwan, a contagem é por “eras”, ou o período em que cada imperador ou regime político esteve no poder. Na Coreia do Norte, o calendário tem início no nascimento do líder Kim Il-Sung, em 1912 (“juche 1” para os norte-coreanos).

Então, no final das contas, em que países este fim de semana não tem valor simbólico algum?

São poucos:

– Afeganistão, que usa o calendário iraniano e vira a folhinha em 21 de março do calendário gregoriano (20 de março em anos bissextos);
– Países árabes, que segue o calendário islâmico e celebra o Ano Novo em 1º de muharram. A data varia em relação a nosso calendário. O último caiu em 3 de outubro de 2016. O próximo será em 22 de setembro de 2017. Mas desde os últimos meses, o governo já começou a usar o calendário gregoriano para situações civis;
– Etiópia, que adota o calendário etíope e tem sua virada de ano em 11 de setembro (12 de setembro em anos bissextos);
– Irã, que, como é de se imaginar, também segue o calendário iraniano.

Nas nações acima, o calendário gregoriano não tem uso civil ou religioso e este fim de semana não representa nada em especial. Em outros lugares – como a maior parte das nações islâmicas, Israel, Índia, Bangladesh, Tailândia e China -, a grande celebração de Ano Novo se dá no calendário de suas culturas e/ou religiões, mas o calendário gregoriano tem validade civil e o 1º de janeiro também recebe importância simbólica. Em Israel, por exemplo, serve como um marco para a entrada em vigor de novas leis (1º de janeiro de 2017 será feriado, mas por coincidir com o oitavo – último – dia do Hanukkah).

O encontro de Obama, Abe, Pearl Harbor e Sadako Sasaki

Sadako Sasaki era uma garota de Hiroshima que tinha dois anos quando a bomba atômica explodiu em sua cidade, em 6 de agosto de 1945. Em 1954, ela teve diagnosticada uma leucemia, consequência da radiação à qual foi exposta nove anos antes. Sadako foi internada em fevereiro de 1955 e, em agosto, ouviu de um colega de quarto que quem dobrasse mil tsurus (o famoso pássaro de origami) teria direito a fazer um pedido.

A jovem começou a usar todo o papel que encontrasse disponível para uma última tentativa de pedir pela cura, mas não resistiu. Faleceu em outubro de 1955, aos 12 anos, com 644 origamis dobrados. Seus amigos fizeram mil tsurus, que foram enterrados com a estudante. Uma estátua em sua homenagem foi erguida no Parque Memorial da Paz de Hiroshima e, todo 6 de agosto, crianças deixam origamis aos pés da imagem da garota.

O uso da bomba atômica na Segunda Guerra Mundial é bastante polêmico e só pode ser completamente entendido se os argumentos mais comuns (a estratégia de guerra) estiverem acompanhados do lado humano. Por isso, o encontro entre Barack Obama, presidente dos EUA, e Shinzo Abe, primeiro-ministro do Japão, na última terça não foi histórico apenas por marcar o 75º aniversário do ataque a Pearl Harbor, estopim da entrada norte-americana na guerra. Foi também a oportunidade de ambos estarem juntos de um origami de Sadako Sasaki.

Os dois líderes visitaram o Memorial do USS Arizona, encouraçado da marinha norte-americana atacado pelos japoneses em dezembro de 1941. Lá, puderam ver um dos tsurus da garota de Hiroshima, parte do acervo do museu desde setembro de 2013, quando foi doado pela Fundação Legado de Sadako como símbolo de paz e reconciliação.

A família Sasaki guardou os origamis de Sadako após sua morte e cedeu alguns como gestos de paz. A simplicidade da trajetória da garota e sua luta inglória contra os efeitos da radiação não pode ser esquecida jamais. E nem é preciso ir até o Japão ou ao Havaí para ter mais contato com essa história. Entre os tsurus doados pelos familiares da menina, um está no Brasil, na Assembleia Legislativa de São Paulo, desde 2015. O fato é conhecido por pouca gente, um problema compreensível. Uma peça como essa, por seu valor histórico, merecia ser exposta ao público, em um local destinado para isso. Como diria Indiana Jones, “isso pertence a um museu”.

Japão consertou rápido um buraco de 30 metros, mas, afinal, como ele surgiu?

Foi mais uma daquelas histórias fantásticas que se espalham pela internet. Os japoneses deram outra prova de sua incrível eficiência e reconstruíram, em apenas 48 horas, uma avenida na cidade de Fukuoka onde havia surgido uma cratera de 30 metros de largura, 27 de largura e 15 de profundidade. Uma façanha de organização, tecnologia e rapidez na tomada de decisões, ainda que, na verdade, o tempo da obra tenha sido maior (o processo todo levou, na verdade, uma semana). Mas, no final das contas, como é que o buraco apareceu?

VEJA MAIS: Um buraco enorme em uma avenida no Japão foi consertado em menos de uma semana

O Ministério da Terra, Infraestrutura, Transporte e Turismo realizou uma investigação sobre as causas do acidente. E as evidências indicam que o surgimento da cratera foi um problema de engenharia, e não apenas uma fatalidade.

Abaixo da avenida está sendo executada a linha Nanakuma do metrô de Fukuoka. Na madrugada do último dia 8, começou a cair areia e terra da cobertura de um túnel. O buraco se abriu na superfície 50 minutos depois, às 5h15. O horário foi providencial, pois as ruas estavam vazias e ninguém se feriu. No canteiro da obra do metrô, os trabalhadores conseguiram sair a tempo. De qualquer modo, alguns edifícios tiveram suas fundações expostas e foram interditados.

O desabamento poderia ter uma contribuição de problemas no esgoto. O professor de engenharia geoambiental e geotécnica da Universidade Nihon, Satoru Shimobe, apontou ao Japan Times que esse é um problema crônico no Japão. Boa parte da rede foi construída na década de 1970, durante a explosão econômica do país, e muitos dutos estariam deteriorados. Segundo ele, a quantidade de buracos que surgem nas cidades japonesas tem crescido, chegando a mais de 4 mil por ano. No caso de Fukuoka, uma cidade litorânea, o solo bastante úmido da cidade teria piorado ainda mais o terreno.

A prefeitura de Fukuoka e as empresas responsáveis pelo metrô já conversam com empresários da região para negociar a indenização pelos dias de prejuízo com a rua fechada. Ainda assim, há relatos de temor entre donos de lojas, restaurantes e hotéis nos arredores com as futuras escavações do metrô. Além disso, já receiam uma eventual fuga de clientes, justamente em uma época de aumento no faturamento devido às comemorações do ano novo.

Apesar dos problemas que levaram o buraco a aparecer, é uma façanha da engenharia reconstruir a avenida em sete dias. Até porque deveriam ser seis, mas a chuva fez que as obras atrasassem.

Japão faz primeiro teste com passageiros em ônibus autônomos

Um pequeno veículo, quase um cubo com rodas, com capacidade para apenas 12 pessoas trafegando lentamente em um pequeno trecho de uma estrada remota. Foi assim, discretamente, que começaram os testes com passageiros do ônibus autônomo que o Japão pretende colocar em operação. O experimento foi realizado neste domingo (13) na província de Akita, no norte do país.

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O veículo, chamado Robot Shuttle (algo como “fretado robô”), fez um vaivém em um percurso de 400 metros em uma estrada regional, trafegando a apenas 10 km/h. A circulação de carros normais foi interrompida durante o teste. O ônibus – na verdade, um micro-ônibus – foi desenvolvido pela empresa francesa EasyMile e usa GPS, sensores e câmeras para se movimentar e evitar obstáculos. Dentro dele, podem ficar seis pessoas sentadas e outras seis em pé. Não há cabine para motoristas ou volante.

Apesar de já haver planos pelo mundo de utilizar ônibus autônomos em grandes cidades, os planos japoneses são mais discretos, o que até explica a natureza do teste deste domingo. O projeto é ter o Robot Shuttle operacional apenas em 2025, atendendo a áreas remotas e de baixa densidade populacional, onde o custo de transporte fica particularmente alto pela falta de escala.

Nessas regiões, como Akita, até 40% da população ultrapassa os 65 anos de idade e tem dificuldade de locomoção. Pelo mesmo motivo, as autoridades também incentivam o desenvolvimento de serviços entregues via drones para as pessoas idosas.

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No entanto, o próximo passo do Robot Shuttle não tem os moradores mais antigos como alvo. O objetivo é usar essa tecnologia para promover a economia local. Em 2020, o governo de Akita pretende ter o veículo autônomo levando turistas em passeios em torno do Lago Tazawa.

Japão quer usar referências de mangás para impulsionar turismo

Nada de samurais, ninjas, gueixas, pagodes ou lutadores de artes marciais. Durante a cerimônia de encerramento dos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro, o grande símbolo que Tóquio usou para promover a próxima edição do evento foi Mario. A tradição milenar ficou de lado, a nova ordem do Japão, ao menos na hora de vender sua imagem ao exterior, é promover seu impacto na cultura jovem. Por isso, as cidades do país já começam a buscar novas formas de atrair turistas. No caso, olhando nas histórias em quadrinhos e os desenhos animados.

VEJA: O que Tóquio vai fazer para os Jogos Olímpicos de 2020 (e o que já tem pronto)

A recém-criada Japan Anime Tourism Association lançou um concurso para eleger até dezembro 88 locais em cidades japonesas com referências a mangás e animes. Pode ser tanto do cenário de alguma história até estátuas homenageando personagens ou criadores, passando por museus na área e até a estúdios onde séries são criadas. O objetivo é criar roteiros turísticos específicos para fãs.

É um mercado com potencial já testado. Algumas cidades japonesas investem nesse tipo de referência para atrair visitantes. Sakaiminato, por exemplo, aproveitou o fato de ser a terra do criador de mangás Shigeru Mizuki para criar uma rua com 153 estátuas de seus personagens. Uma forma de atrair turistas e fãs do artista. No comércio, alguns shoppings ergueram enormes réplicas de heróis das séries para chamar a atenção dos consumidores.

Portão de Washinomiya Jinja em famosa cena da série Lucky Star. O original está no alto dessa página (Reprodução)
Portão de Washinomiya Jinja em famosa cena da série Lucky Star. O original está no alto dessa página (Reprodução)

A iniciativa faz parte de um projeto maior, que tenta mudar a forma de o Japão se inserir como potência mundial. Ao invés de se impor pela força do dinheiro (apesar dos anos de estagnação, é a terceira maior economia do planeta), o país quer reforçar sua influência no dia a dia do mundo moderno.

Em 2002, o governo japonês criou a marca “Cool Japan”,  que visa promover a imagem do arquipélago como uma superpotência cultural. Há motivos de sobra para justificar essa condição: videogames, animes, mangás, karaokes, moda, arquitetura, tecnologia e culinária produzidos no Japão conquistaram milhões de fãs no mundo. Mas, com a aproximação dos Jogos Olímpicos de 2020, o momento é de intensificar essa campanha.

Texto publicado originalmente no Outra Cidade.