VÍDEO: Qual a extensão do incêndio na Califórnia? Bem, ele fez Los Angeles parecer Mordor

Os californianos estão cada vez mais acostumados em lidar com incêndios na mata. O tempo seco e os ventos são um ambiente propício para a propagação das chamas, que muitas vezes chegam a regiões habitadas e causam mortes e forçam o deslocamento de pessoas. É o que está acontecendo nesta semana, com o fogo se aproximando de Los Angeles e criando imagens quase cinematográficas.

Veja esse vídeo feito por um angelino que estava na Interstate 405, uma das principais vias expressas da Grande LA, indo ao trabalho. Parece que ele está indo para Mordor fazer uma reunião de negócios com Sauron.

A cena é assustadora e perigosa, tanto que a via foi interditada nesse trecho. Em teoria, uma grande via como essa pode funcionar como uma barreira para as chamas e impedir o avanço do incêndio. No entanto, se o vento estiver forte demais, o fogo pode atravessar a pista e ser reiniciado do outro lado.

Londres relembra seu maior incêndio queimando uma maquete da cidade

Centenas de londrinos vão para a beira do rio Tâmisa. É uma noite de domingo e todos tinham um objetivo: ver sua cidade ser consumida pelo fogo até ficar em cinzas. Claro, não a Londres real, mas uma réplica de 120 metros de comprimento construída para celebrar o 350º aniversário de uma das maiores tragédias da história inglesa, o Grande Incêndio de 1666.

As chamas tiveram início em uma padaria, mas uma união entre adensamento enorme, construções cheias de materiais inflamáveis e demora na resposta das autoridades permitiram que elas se espalhassem pelo centro de Londres. Após quatro dias, de 2 a 5 de setembro, o fogo destruiu 87 igrejas (incluindo a Catedral de São Paulo) e 13 mil casas, deixando 70 mil londrinos sem ter onde morar.

Apesar da destruição, a quantidade de vítimas fatais foi baixa. Os números oficiais são de seis mortos, ainda que possivelmente mais pessoas tenham perdido a vida sem que fossem contabilizada pelas autoridades. A residência da família real, na região de Westminster, não foi atingida.

O incêndio foi um marco na história da cidade. O centro de Londres foi reconstruído dentro do mesmo plano urbanístico original, mas com modificações fundamentais para assegurar a segurança da cidade: melhorias de higiene, ruas mais largas, cais mais acessíveis ao longo do Tâmisa, nenhum imóvel obstruindo o acesso ao rio e edificações com tijolos e pedras no lugar de madeira.

Para relembrar os 350 anos do incêndio, o artista norte-americano David Best e a empresa Artichoke desenvolveram uma instalação. Foi construída uma grande maquete de madeira da cidade e, na noite de 4 de setembro de 2016, foi colocado fogo em uma das edificações. Os londrinos curiosos não tiveram de esperar quatro dias, apenas pouco mais de uma hora para ver a reprodução de sua cidade virar cinzas.

Texto publicado originalmente no Outra Cidade.

O fogo já tentou destruir a Estação da Luz, mas a fez crescer ainda mais

O que é? Um incêndio destruiu um dos prédios da Estação da Luz, justamente no local em que ficava o Museu da Língua Portuguesa, na região central de São Paulo. Uma tragédia que lembra um outro momento crítico na trajetória dessa edificação histórica: o grande incêndio de 1946.

Queima de arquivo, literalmente

O prédio da Estação da Luz se exibe imponente na Avenida Tiradentes. Com sua arquitetura inglesa e uma grande torre, é uma das marcas da paisagem do centro de São Paulo. Mas, nesta segunda, ele mal podia ser visto. Tudo o que se percebia eram as chamas que mataram um bombeiro e consumiam a edificação, principalmente na ala em que está o Museu da Língua Portuguesa, um dos mais visitados do Brasil.

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As consequências do incêndio não haviam sido calculadas até o fechamento deste texto, mas só uma observação externa já passa uma sensação de que muito foi perdido, tanto no museu inaugurado em 2006 quanto no edifício de 1867. O MLP tem acervo digital e, segundo sua curadora, Isa Ferraz, há cópias dos arquivos em outro local. O prédio não tem tanta sorte assim. Mas não será um processo inédito para ele. Muito menos para o terceiro andar do museu, o mais visto nas imagens da TV nesta segunda.

A Estação da Luz foi construída pela São Paulo Railway, empresa de capital britânico que tinha o direito de exploração das linhas férreas entre Santos, São Paulo e Jundiaí. O acordo de concessão foi assinado em 1856, com duração de 90 anos. Assim, em 1946, toda a estrutura seria repassada ao governo federal.

O contrato da devolução seria assinado em 8 de novembro, mas, na madrugada do dia anterior, um incêndio “pavoroso” (termo utilizado por dois jornais da época) destruiu a Luz. O fogo teve início nos escritórios da SPR, localizados no bloco administrativo da estação (justamente onde foi montado o Museu da Língua Portuguesa), às 2h05 da manhã. Em menos de uma hora, a torre já estava dominada pelas chamas. O combate demorou mais de seis horas e cinco bombeiros ficaram feridos na operação.

Capas das edições da Folha da Noite e do Correio Paulistano no dia seguinte ao incêndio de 1946 da Estação da Luz (Reprodução)
Capas das edições da Folha da Noite e do Correio Paulistano no dia seguinte ao incêndio de 1946 da Estação da Luz (Reprodução)

A destruição foi quase total, atingindo cabines telefônicas, depósito de bagagens, posto dos correios, restaurante e até as bilheterias, onde foram encontradas moedas derretidas. Para as autoridades, a área mais preocupante era a de escritórios. Todos os documentos da SPR foram perdidos, levantando a suspeita de, literalmente, queima de arquivo.

Terrorismo?

A empresa rapidamente tentou afastar essa hipótese. John Hillman, vice-superintendente da SPR, afirmou que um curto-circuito havia causado o incêndio. Nicolau Alayon, chefe do tráfego da Estação da Luz, levantou a teoria que se tratava de um atentado terrorista da comunidade judaica, pois o movimento sionista lutava pela criação de um estado judaico na Palestina, na época uma colônia do Império Britânico.

Salão da Estação da Luz após o incêndio de 1946
Salão da Estação da Luz após o incêndio de 1946

O governo desconsiderou essas teses e seguiu sua investigação. Enquanto isso, a São Paulo Railway era transferida para o governo federal, transformando-se na Estrada de Ferro Santos-Jundiaí, ligada à RFFSA (Rede Ferroviária Federal, estatal responsável pelas linhas férreas no Brasil). A polícia manteve a ideia de que se tratava de um incêndio criminoso para esconder o registro de operações supostamente irregulares da SPR, mas não conseguiu provar nada.

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A reconstrução da Estação da Luz foi feita pelo governo federal e só foi concluída em 1951. A arquitetura original foi preservada, mas com alterações significativas. A principal foi no prédio administrativo, com a construção de mais um andar. O terceiro, justamente o mais destruído nesta segunda.

Desde então, a estação passou por diversas transformações. Suas instalações ficaram degradadas após décadas de virtual abandono, mas foi recuperada na década de 1990 com um projeto do arquiteto Paulo Mendes da Rocha. O mesmo que trabalhou nas adaptações do edifício para a chegada do Museu da Língua Portuguesa, em 2006.

Cartão portal de 1903, com imagem da Estação da Luz

Estação da Luz em 2014 (Miguel Tovar/LatinContent/Getty Images) Estação da Luz em 1903 e em 2014. Detalhe para a diferença na ala administrativa, que tinha um andar a menos na concepção original