[Galeria] Onde as pessoas se reúnem para protestar em cada cidade

Espaços públicos são mais que áreas de lazer e convivência dentro de cidades. Praças, parques e avenidas sempre foram importantes para as pessoas se reunirem e manifestarem sua vontade. Seja como demonstração de solidariedade após uma tragédia a, mais comum, protestos contra determinada política pública ou contra a situação em geral de uma cidade ou país.

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Desde 2013, os brasileiros redescobriram essa vocação dos espaços públicos, desde os protestos contra o aumento da passagem de ônibus, que se transformou em manifestações contra os serviços públicos, contra a corrupção, contra a Copa do Mundo, contra o governo Dilma Rousseff e, mais recentemente, contra seu impeachment. A lei protege esse direito a manifestação, ainda que essa seja uma questão polêmica dentro de setores da sociedade brasileira.

Veja abaixo como praças e avenidas tiveram papel importante em diversos momentos de insatisfação popular pelo Brasil e pelo mundo:

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A metrópole planejada que não nasceu por causa da especulação

“Aqui já é a Califórnia, e nem parece ter tanta fartura assim.” A frustração de Tio John era compreensível. Sua família havia abandonado as terras em Oklahoma e, como milhões de pessoas do Meio-Oeste, tentava a sorte nas ricas e fartas terras californianas. Mas a primeira imagem que tinham ao cruzar a divisa estadual não lembrava em nada o paraíso rural  que lhes fora prometido. Era só terra, areia e montanha, com alguns arbustos que sofrem para se manter verde e as árvores de Josué, famosas pelo álbum Joshua Tree da banda irlandesa U2. Esse é o deserto de Mojave.

O cenário descrito por John Steinbeck em “Vinhas da Ira”, a saga da família Joad em busca de uma nova vida na Costa Oeste americana, não mudou muito. As rodovias melhoraram, as condições de trabalho também, as fazendas são mais mecanizadas, mas o deserto ainda está lá, como uma provação final para quem quer chegar ao rico e fértil vale central. Mas, no meio desse mundão de terra seca, está a terceira maior cidade da Califórnia, criada para rivalizar com Los Angeles: California City, a metrópole futurista de 14 mil habitantes.

Na década de 1950, o mundo – ou, pelos menos, a parte mais rica dele – vivia uma era de grande empolgação com as perspectivas que a tecnologia apresentava. Era um momento em que se acreditava que conceitos seriam revertidos e o caminho era refazer tudo ou fazer tudo novo. Os Jetsons não surgiram de geração espontânea, foram parte de um processo histórico e cultural.

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Nessa época, Los Angeles já dava sinais esgotamento urbano. A cidade estava muito grande, muito cheia e com problemas que pareciam apenas piorar. O sonho americano era diferente, composto por vida em comunidades tranquilas, cheias de espaço para as pessoas circularem com seus carros, darem um “oi” ao vizinho enquanto regavam o jardim da entrada de casa e uma lógica matemática na distribuição de serviços e espaços públicos. Os bairros de subúrbio de classe média cresciam, mas o sociólogo Nat Mendelsohn teve uma ideia mais ousada.

Localização de California City (Reprodução)
Localização de California City (Reprodução)

Em 1958, o professor universitário comprou um terreno de 320 km² em uma área não incorporada (que não pertence a nenhuma cidade) no deserto do Mojave, pouco a leste das cidades de Bakersfield e Mojave, 120 km ao norte de Los Angeles. Nesse espaço, ele desenhou um que entendia como uma cidade-modelo, com um grande parque central e uma grande rede de ruas e avenidas radiais. Seria a nova metrópole californiana, uma cidade que rivalizaria com Los Angeles em tamanho e importância, mas já surgia respeitando os conceitos modernos (para a época) de planejamento urbano.

Milhares de dólares foram gastos na divulgação do megaprojeto de California City. O objetivo era atrair principalmente angelenos de classe média e alta descontentes com a qualidade de vida cada vez pior em sua cidade. Esses moradores garantiriam que a cidade se desenvolvesse por conta própria com o tempo, pois eles próprios formariam um mercado consumidor parrudo e também seriam os empreendedores de novos negócios e serviços que surgiriam.

NA FLÓRIDA: O que acontece se o planejamento urbano é feito só para carros

O projeto teve boa aceitação. Muita gente se convenceu que daria certo e resolveu apostar na nova metrópole californiana. No começo da década de 1960 surgiram os primeiros moradores, um mercado, o parque central com lago artificial, um campo de golfe e, claro, uma escola. Em 1965, os eleitores decidiram incorporar California City, o que basicamente significa que ela se transformou formalmente em um município.

California City Blvd, principal avenida da cidade (Ubiratan Leal/Outra Cidade)
California City Blvd, principal avenida da cidade (Ubiratan Leal/Outra Cidade)

O problema é que, já nesses primeiros anos, não havia sinais de que lá haveria uma metrópole. E parte disso se deve ao sucesso da ideia de Mendelsohn. O sociólogo/incorporador foi tão convincente ao vender a ideia que muita gente acreditou que aquele era o futuro, o que chamou a atenção de milhares de investidores do mercado imobiliário. Ao invés de atrair moradores que construiriam a nova cidade, ele atraiu especuladores que queriam esperar a valorização daquele espaço para revender.

A quantidade de consumidores finais foi muito pequena, e pouca gente apostou em uma nova vida no deserto. Com isso, não se criou uma dinâmica econômica em California City, que rapidamente saiu do imaginário dos californianos como a terra do futuro. O interesse nos espaços disponíveis caiu e os especuladores nunca conseguiram repassar seus terrenos para pessoas realmente interessadas em seguir na construção da metrópole.

Com os anos, esses investidores deixaram de pagar os impostos ligados a seus lotes e os terrenos foram devolvidos ao poder público. No entanto, toda a área que Mendelsohn havia planejado para abrigar a metrópole estava incorporada ao município que, por isso, é o terceiro maior em área de Califórnia, o 34º de todos os Estados Unidos.

California City vista do satélite. à direita, o parque central e a pequena área urbanizada. No centro e à esquerda, parte da área do deserto que ainda preserva a trama de ruas e avenidas (Reprodução)
California City vista do satélite. à direita, o parque central e a pequena área urbanizada. No centro e à esquerda, parte da área do deserto que ainda preserva a trama de ruas e avenidas (Reprodução)

O curioso é que a área não urbanizada preservou sua trama original, com avenidas e ruas de terra batida formando quarteirões e  bairros no meio do deserto, tendo como únicos moradores pequenos animais e arbustos. São vias de tráfego oficiais, com leis de trânsito e endereço registrado na prefeitura, mas apenas curiosos circulam por elas.

Atualmente, California City até vive um momento de relativa estabilidade. A cidade tem 14 mil habitantes, que vivem principalmente das quatro grandes fontes de emprego da região: uma base da Força Aérea americana, um presídio estadual, uma pista de testes da montadora Kia e um aero e espaçoporto particular. É o suficiente. Seus moradores já se acostumaram à vida de uma bucólica cidade de interior no meio do deserto, e, mais do que o glamour, materializar o sonho de Mendelsohn e dos primeiros habitantes talvez só trouxesse um problema insolúvel de abastecimento de água.

Texto publicado originalmente no Outra Cidade.

[Galeria] Candidatos bizarros das eleições municipais de 2016

O descrédito com a política é algo tão antigo no Brasil quanto a própria política brasileira. Tirar sarro de autoridades é uma marca nacional, e acabou tendo um de seus marcos quando Cacareco, o rinoceronte do zoológico de São Paulo, recebeu 100 mil votos de protestos (o cédula era de papel e o eleitor podia escrever nela) que seria eleito vereador se fosse realmente candidato.

MAIS ELEIÇÕES: Veja quais são as cidades brasileiras com maior número de eleitores

De tempos em tempos, continuaram surgindo candidatos estranhos, que usavam uma imagem bizarra para ganhar a empatia de eleitores conquistar votos preciosos. Mas, na última década, isso se tornou uma epidemia. Após Tiririca ser o deputado federal mais votado do País, em 2010, os partidos viram como essas figuras poderiam ser úteis para chamar a atenção e melhorar o coeficiente da legenda em eleições legislativas.

Eleições municipais são pratos cheios para isso, pois cada cidadezinha do Brasil tem seus próprios candidatos, abrindo espaço para milhares de pessoas tentarem a vida política. Alguns de forma caricata. Fizemos uma lista com os casos mais bizarros deste ano. Há desde sub-celebridades que já incorporavam o personagem no dia a dia (como o Darth Verde, um torcedor-símbolo do Goiás, e o Batman de Poá) a um surto de candidatos que já morreram (pelo menos é o que dizem seus nomes), passando por mosquitos e pokémons. Ah, e surge uma nada surpreendente onda de personagens que evocam figuras de força e autoridade, de Vin Diesel em Velozes e Furiosos a Rambo.

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Veja quais são as cidades brasileiras com maior número de eleitores

A campanha eleitoral começou (não sei se dá para dizer “finalmente começou”, pois há dúvidas se é algo que a população esperava com ansiedade) e dezenas de milhões de brasileiros irão às urnas decidir o futuro de seus municípios. Apesar de o pleito ficar um pouco ofuscado pelo processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, trata-se de um momento importante pelo estágio da sociedade brasileira. As pessoas começam a mudar a forma de ver sua relação com os locais em que vivem, e o primeiro palco em que esse fenômeno se manifesta são as cidades.

ENTREVISTA: “Administrar uma cidade é muito mais complicado que um país”, diz socióloga holandesa

A população rediscute o espaço urbano e, por tabela, a forma como as autoridades lidam com ele. As eleições municipais representam uma grande oportunidade de as pessoas mostrarem que tipo de política desejam dos futuros gestores públicos.

Para esse início oficial da campanha eleitoral, vamos mostrar quais as cidades que mobilizarão mais pessoas em 2 e 30 de outubro. Apontamos as 15 capitais e as 15 não-capitais (não dá para dizer que são cidades do interior, pois a maioria desses municípios fica na região metropolitana das capitais) com mais eleitores registrados no TSE.

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[Galeria] Dez cidades, onze piras olímpicas

Uma pira pequena, parecendo quase uma cuia. Poderia passar despercebida, mas atrás dela está uma escultura cinética do artista norte-americano Anthony Howe. O conjunto visa dar amplitude à luz das chamas, mas sem consumir muito combustível.

O resultado é marcante, certamente se tornará uma das imagens icônicas dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Por isso, para nossa galeria de sábado, resolvemos refrescar a memória de vocês e relembrar como dez cidades interpretaram esse elemento para criar símbolos para suas Olimpíadas.

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Alguns motivos para sentirmos falta das cabines telefônicas

Houve uma época em que cabines telefônicas tinham um espaço nobre dentro do universos dos mobiliários urbanos. Eram a melhor – muitas vezes única – opção para quem estava na rua e precisava contatar alguém que estava distante, serviam de abrigo na hora da chuva e, principalmente, era o meio de milhões de pessoas que não tinham um telefone próprio falarem com o resto do mundo. Elas estavam com tanta força no imaginário das pessoas que foram escolhidas para estrelas grandes produções, no papel de vestiário do Superman, máquina do tempo do Dr. Who e protagonista de um filme de ação com Kiefer Sutherland e Colin Farrell.

As cabines foram tão vinculadas às cidades que uma delas ficou famosa justamente por estar desconectada de qualquer ocupação humana. Uma cabine telefônica no meio do deserto de Mojave foi encontrada por um aventureiro em 1997. Ele considerou a cena estranha, pois o telefone estava a 13 km de qualquer estrada pavimentada e a mais de 50 km de uma cidade, e publicou um texto sobre o assunto.

Foi dos primeiros memes da internet. Várias pessoas começaram a ligar para os números, enquanto outras se deslocaram até o local para atender ligações. As autoridades resolveram desativar a linha, criada na década de 1960 para atender a trabalhadores de uma mina desativada décadas depois.

VEJA TAMBÉM: Há um destino para os orelhões além da extinção?

Com o desenvolvimento e a popularização dos celulares, as cabines telefônicas e orelhões perderam espaço. Sua utilidade é cada vez menor e já foram lançados vários projetos para dar nova vida a elas, desde se usar como ponto de wi-fi até transformá-las em objetos de arte no meio da cidade. Talvez nenhuma dessas ideias funcione e o destino seja mesmo acabar com a maioria delas, preservando apenas algumas, localizadas em lugares estratégicos.

Elas se transformariam em símbolos das cidades do seculo 20, resquícios de uma era em que a tecnologia e a comunicação não era portátil. E também símbolos visuais, pois as cabines e orelhões fizeram e ainda fazem parte da paisagem urbana. Seja com seus desenhos mais tradicionais, como no clássico modelo vermelho de Londres, como também como objetos para todo tipo de brincadeira.

Para celebrar isso, selecionamos algumas das cabines telefônicas e orelhões mais interessantes que foram feitos.

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