Torneio de atletismo coloca versão franquista do hino espanhol em cerimônia de medalha

O hino da Espanha não tem letra. Pode soar estranho, parecer que falta algo, mas não tem. Ao lado de Bósnia-Herzegovina, Kosovo e San Marino, é um dos quatro hinos nacionais do mundo que contém apenas a melodia. Por isso, se você se deparar com alguma versão cantada na Marcha Real (ou Marcha Granadera), esqueça. Além de errado, é potencialmente delicado. Como viu a organização do Campeonato Ibero-americano de atletismo, realizado neste mês em Trujillo, Peru.

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O espanhol Javier Cienfuegos foi o campeão na prova de arremesso de martelo. Quando ele foi ao pódio, aconteceu isso:

Oficialmente, a Marcha Real nunca teve letra, mas algumas versões foram criadas ao longo do tempo. Uma das mais conhecidas, e que chegou a ser usada como se fosse oficial, é a ouvida no vídeo acima, composta por José María Pemán. Ela foi aprovada pelo general Francisco Franco e teve uso corrente durante sua ditadura.

Após o retorno da democracia, essa letra foi vista como símbolo de sua ideologia e foi derrubada. Houve até tentativas de criar novas versões, como uma do Comitê Olímpico Espanhol em 2007. No entanto, nunca houve consenso sobre as propostas apresentadas e a melhor forma de cantar a marcha continua sendo no “la la la la, lalalalalalalalala la la la, lala lala lala”.

A música de quando Barcelona e o mundo se conheceram

É fácil entender qual interesse de um terrorista ao escolher Barcelona para realizar um atentado. É uma das cidades mais famosas e turísticas do mundo, e qualquer ação teria uma repercussão muito maior do que se fosse em outro lugar. Foi o que aconteceu nesta quinta, quando uma van avançou pelas Ramblas (calçadão mais movimentado da capital catalã), matando 13 pessoas, vindas de nove países diferentes.

Nesse momento de dor, é bom lembrar como Barcelona e o mundo estão conectados e de quando essa relação começou. Foi nos Jogos Olímpicos de 1992, e essa amizade entre o planeta e os barceloneses já foi tema de um texto nosso, ainda na época do Outra Cidade. Vale dar uma relida.

Gernika se reconcilia com os descendentes dos homens que a destruíram há 80 anos

Dieprand von Richthofen e Karl-Benedikt von Moreau caminham pelas ruas de Gernika-Lumo ao lado de um amigo espanhol, Luis Iriondo Aurtenetxea. O fato dessa união acontecer significa muito. Os dois alemães são descendentes de aviadores responsáveis pelo ataque aéreo que destruiu a cidade basca, então conhecida pelo nome castelhano de Guernica, em 26 de abril de 1937. Iriondo é um dos sobreviventes.

O encontro foi retratado em ótima reportagem do jornal espanhol El País (aqui, em espanhol). No relato, Dieprand – sobrinho de Wolfram von Richtofen, comandante da operação – e Karl-Benedikt – sobrinho de Rudolf von Moreau, um dos líderes do ataque – contam como carregavam uma culpa pelo que seus familiares fizeram e como foram abraçados pela população de Gernika-Lumo, incluindo Iriondo, atualmente com 94 anos.

Curiosamente, Dieprand chega a comentar sobre o peso de carregar o sobrenome Von Richtofen, família nobre da Alemanha que tem tradição na aviação militar, com Manfred, o Barão Vermelho (um dos grandes aviadores da Primeira Guerra Mundial), e seu irmão Lothar, que participou da operação em Guernica. Ambos foram primos de Wolfram. No Brasil, o sobrenome ficou famoso após o assassinato de Manfred, sobrinho-neto do Barão Vermelho, por sua filha Suzane em 2002.

A visita dos alemães faz parte de uma série de eventos organizados pela prefeitura de Gernika-Lumo para lembrar os 80 anos do ataque que praticamente a destruiu. Em 1937, o local era considerado um centro de comunicações dos republicanos durante a Guerra Civil Espanhola. Assim, Francisco Franco, líder do exército nacionalista, recebeu ajuda de seus aliados Adolf Hitler e Benito Mussolini, que disponibilizaram as forças áereas de Alemanha e Itália para atacarem a cidade.

O número de vítimas não é conhecido até hoje, com versões que vão de 153 a 1.654. O massacre motivou o pintor Pablo Picasso, então radicado na França, a pintar Guernica, uma de suas obras mais famosas. O quadro excursionou pela Europa, arrecadando dinheiro para ajudar as tropas republicanas e refugiados espanhois (após a vitória franquista).

O quadro ficou em Nova York, e, a pedido do autor, só voltaria à Espanha quando uma república democrática fosse restabelecida. Com a morte de Franco, em 1975, o país se tornou democrático, mas sob uma monarquia. Não eram exatamente as condições estabelecidas por Picasso (que havia morrido em 1973), mas foi o suficiente para surgir uma campanha pelo retorno do quadro à solo espanhol, o que ocorreu em 1981. Hoje, a obra está no Museu Reina Sofia, em Madri.

Abaixo, um vídeo colocando em três dimensões as figuras de Guernica.

A história do primeiro macarrão com molho de tomate de que se tem registro

“Os italianos só aprenderam a fazer massa depois de Marco Polo viajou à China, conheceu o prato e levou a receita a sua terra natal.” Não é raro ouvir essa versão para a origem do macarrão, mas é mentira. De fato, Marco Polo conheceu massa feita à base de arroz quando esteve no Oriente, mas tumbas etruscas de 400 a.C. já registram o preparo de massas na região que hoje é a Itália.

Sabendo disso, já dá para imaginar belos pratos de espaguete ou penne com molho de tomate no Império Romano, na Idade Média, na Florença renascentista. Mas… não, isso simplesmente não aconteceu. Por mais que seja impossível dissociar a cozinha italiana do molho de tomate, o ingrediente é recente de um ponto de vista histórico. Até porque, até o século 16, nenhum europeu sequer sabia que existiam tomates.

Quando estudamos a história da colonização das Américas, muito se fala de como espanhois e portugueses levaram ouro e outros metais preciosos para a Europa. Mas essa não era a única carga. Eles também carregavam vários animais e alimentos diferentes que encontraram no Novo Mundo. Em um período relativamente curto de tempo, a culinária europeia foi enriquecida com a chegada de ingredientes como tomate, batata, abacate, peru, milho, cacau, amendoim e abóbora.

Para ter uma ideia como esse fenômeno mudou o cenário nas cozinhas europeias, veja como pratos tradicionais têm como base um desses ingredientes americanos: fish & chips (Inglaterra), batata assada (Inglaterra), batata frita (Bélgica e França), polenta (Itália), batata rösti (Suíça), chocolate (Suíça, França e Bélgica), pà amb tomàquet (Catalunha) e bolo de batata (Alemanha), entre outros. 

Não se sabe exatamente quando o tomate foi levado à Europa. Versões creditam desde Cristóvão Colombo em 1493 a Hernán Cortés em 1521. A primeira parada foi a Espanha, mas o fruto estava na Itália em 1548, quando foi mencionado em uma mensagem entre dois funcionários da família Médici, de Florença.

Em princípio, os tomates eram usados de forma ornamental. Aos poucos foi incorporado ao cardápio, de diversas formas. Como molho, o registro mais antigo é do livro de receitas do chef do Rei da Espanha em 1692. Mas ainda demoraria para ele se unir a um macarrão.

O primeiro registro de uma massa italiana com molho de tomate é apenas de 1790. O chef Francesco Leonardi aproveitou sua experiência por toda a Europa – chegou a cozinhar para o Rei Luís 15, da França, e para a Imperatriz Catarina 2ª, da Rússia – para escrever uma grande obra sobre culinária. O “L’Apicio Moderno” (“apicio” era um livro de receitas do Império Romano) tem seis volumes e detalha como fazer pratos das mais diversas regiões da Itália.

No terceiro tomo está a receita do “macarrão à napolitana”, que tem como base molho de carne. No quarto volume, Leonardi aborda o “ragù de macarrão”. Ele dedica apenas duas linhas, sugerindo acrescentar o tomate à receita do macarrão à napolitana.

É assim, discreto e quase imperceptível, o primeiro registro de macarrão com molho de tomate. Claro, isso não significa que tenha sido inventado naquele momento, em 1790. Se Francesco Leonardi o incluiu em seu livro, significa que a receita já era adotada havia alguns anos em Nápoles. Ainda assim, é muito pouco tempo para uma combinação que hoje virou símbolo de uma das culinárias mais importantes do planeta.

Gibraltar sairá da UE, pior para algumas cidades no sul da Espanha

A preferência era clara: os gibraltinos queriam seguir na União Europeia. No referendo que decidiu a situação do Reino Unido no bloco, 95,9% dos votos de Gibraltar eram favoráveis à permanência do país ao lado dos vizinhos europeus. Apesar de proporcionalmente forte, a vitória era numericamente pequena – placar de 19.322 a 823 – e teve pouquíssima influência no resultado final (vitória da saída), definido basicamente pelos 24,4 milhões de eleitores da Inglaterra.

A derrota nas urnas pode colocar em xeque a situação desse território ultramarino, basicamente uma península com uma cidade de 30 mil habitantes e um morro rochoso, em relação ao Reino Unido. O governo espanhol aposta nisso, na esperança de tomar Gibraltar para si. Os gibraltinos preferem seguir separados da Espanha e cogitam conversar com a Escócia – que também votou pela permanência na UE e perdeu – para criar um mecanismo para seguir no bloco continental e ligados ao Reino Unido ao mesmo tempo.

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Mas quem tem mais motivos para estar de olho no destino gibraltino é Campo de Gibraltar, comarca espanhola composta por sete cidades em torno da península, ao sul da Andaluzia. Para essa região, a relação com o território britânico é fundamental para a saúde econômica.

Carros espanhóis fazem fila diante da Rocha de Gibraltar para entrar no território britânico (AP Photo/Marcos Moreno)
Carros espanhóis fazem fila diante da Rocha de Gibraltar para entrar no território britânico (AP Photo/Marcos Moreno)

Gibraltar é uma cidade rica. Com incentivos fiscais, acabou atraindo empresas de serviços bancários, seguros e casas de apostas. A economia cresce 10% ao ano e não deve sofrer tanto o eventual impacto da saída da União Europeia, pois 90% do comércio já é com a Inglaterra. No entanto, estar no bloco é importante pelo mercado de trabalho. Para dar conta desse bom momento, a economia gibraltina depende de milhares de espanhois que atravessam a fronteira todo dia para trabalhar.

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Os empregos oferecidos em Gibraltar se tornaram uma importante fonte de renda para as cidades vizinhas, sobretudo La Línea de la Concepción (onde fica a fronteira anglo-espanhola) e São Roque. Atualmente, 25% da economia de Campo de Gibraltar vem do território britânico. Com a saída do Reino Unido da UE, a fronteira se tornará mais fechada e muitos espanhóis podem perder o emprego. um problema especialmente grave quando se vê que a Andaluzia tem taxa de desemprego de 32%.

Por isso, a pequena cidade britânica pode até estar desgostosa com o resultado do referendo do Brexit, mas quem pode realmente sofrer são milhares de espanhóis.

Até idioma usado no comércio entrou na luta catalã por independência

Barcelona e Sevilla entrarão em campo, neste domingo (22), para disputar a final da Copa do Rei. Já imaginando que a torcida barcelonista aproveitaria a ocasião – que normalmente tem um representante da família real espanhola nas tribunas – para manifestar o desejo por independência da Catalunha, as autoridades proibiram a presença de bandeiras catalãs nas arquibancadas. Houve muita discussão e protestos, e, no final, a Justiça determinou que os torcedores tinham o direito de defender a separação de sua região. Foi mais um capítulo de uma disputa que tem sido cada vez mais acirrada, e que já atinge até pequenos comerciantes.

A crise econômica que atingiu a Espanha nos últimos anos aumentou o desejo de independência por parte dos catalães. O separatismo, uma ideia que tradicionalmente tem força na Catalunha, ganhou mais adesão após Madri aumentar impostos na rica região, usando esses recursos para equilibrar as contas de áreas menos desenvolvidas do país. A isso se somaram outras medidas para limitar o aumento de autonomia, que provocaram reação mais intensa da Generalitat, a administração regional. O caso mais evidente desse clima de animosidade foi a realização de um plebiscito pela independência à revelia do governo nacional.

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No meio desse processo, a Catalunha tem reforçado as políticas de identidade local. Uma delas é a obrigação dos comerciantes de terem informações públicas (cardápios, faixas, cartazes, avisos de promoção, catálogos, letreiro na fachada) em catalão. Quem não seguir a determinação tem de pagar multa. A lei existe há mais de uma década, mas nunca foi fiscalizada com força porque provoca muita polêmica, mesmo entre os locais.

Desde 1979, o espanhol e o catalão são reconhecidos como idiomas oficiais da região. Pela lei federal, as duas têm o mesmo status e, portanto, não se pode impor uma língua sobre a outra.  Isso colocaria as multas linguísticas como uma medida ilegal, pois dá ao idioma regional uma força maior que ao nacional. Afinal, não há previsão de punição caso uma loja faça o contrário e só anuncie seus produtos em catalão, ignorando o espanhol. No entanto, o governo da Catalunha – comandado pelo nacionalista Carles Puidgemont – tem ignorado esse fato e segue reforçando suas políticas. Em 2015, a arrecadação com as multas linguisticas foi 174% maior que no ano anterior, ritmo que segue aumentando nos primeiros meses de 2016.

A lei afeta diretamente o pequeno comerciante. A reforma de toda a linguagem visual de seu estabelecimento representa um investimento alto dentro de sua realidade financeira. Por isso, muitos têm preferido continuar pagando as multas, pois ainda sairia mais barato. Uma reportagem da The Economist apresentou o caso do dono de uma loja de móveis, que terá de pagar € 1.260 em multas linguísticas, mas seria obrigado a gastar € 18 mil para adequar seu comércio.

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Lojistas e lideranças políticas mais liberais têm contestado essa política. Além dos aspectos legais, ela até ignora uma questão prática: o idioma mais falado da região é o espanhol. Em 2013, uma pesquisa realizada pela própria Generalitat apontou que 55,1% dos moradores da Catalunha indicam o espanhol como sua primeira língua e 50,7% como a mais usada no dia a dia. O catalão fica com 31 e 36,3%. Na Grande Barcelona, onde há mais moradores nascidos em outras regiões e de turistas, o espanhol é a língua mais usada no dia a dia por 60% das pessoas.

A obrigatoriedade do catalão é colocada como forma de manter o idioma vivo e impedir que ele seja engolido pelo espanhol. Mas, com as multas linguísticas, acaba criando pressão econômica e política justamente sobre um elemento frágil em um país que vive crise: o pequeno comerciante. Ainda mais em uma cidade que recebe tantos turistas e que tem feito políticas urbanas para priorizar a mobilidade ativa e a melhoria e os calçadões.

Vida nas cidades faz Espanha estudar fim de parada de 3 horas para almoço

Sair do trabalho, ir para casa, almoçar com a família, tirar um cochilo e, enfim, voltar ao trabalho. Pessoas em outros lugares do mundo sonhariam em ter uma hora de almoço como a dos espanhóis, com parada estendida para permitir uma refeição em família e uma dormida no pico do calor vespertino. Uma tradição surgida em vilas na área rural do país, mas que há tempos já virou uma ficção nas grandes cidades. A ponto de já haver propostas de acabar com ela.

O tema ganhou força na última semana, quando o primeiro-ministro Mariano Rajoy incluiu a mudança da jornada de trabalho nas empresas espanhola no seu programa para as eleições de junho deste ano. Além disso, o líder do Partido Popular (centro-direita) propõe a mudança de fuso horário na Espanha, colocando o país dentro da mesma faixa de Portugal e Reino Unido. Como a chapa formada por PSOE e Ciudadanos (centro-esquerda) também havia colocado essa medida em sua proposta de campanha, os espanhóis estão muito próximos de ver o fim das duas ou três horas de almoço.

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Por mais que soe fantástico ter um intervalo tão grande no meio do trabalho, seus principais benefícios já se perderam nas grandes cidades. O trânsito e os compromissos profissionais e pessoais das pessoas diminuíram bastante a quantidade de famílias que conseguem aproveitar a hora do almoço para se reunir no meio do dia. Para muitos, mal dá tempo de ir e voltar para casa, quanto mais comer e cochilar. No final das contas, essas horas são usadas para resolver problemas (mesmo assim, com alcance limitado, pois o bancos, repartições e, dependendo da cidade, até o comércio também fecham) e comer fora.

Puerta de Europa, edifícios inclinados que viraram ícone de Madri
Puerta de Europa, edifícios inclinados que viraram ícone de Madri

A extensão da hora do almoço também tem efeito no final do dia, pois ela faz que a jornada de trabalho na Espanha termine às 19 ou 20h, duas horas mais tarde que no resto da Europa. Com isso, muitos pais precisam deixar seus filhos em creches particulares ou com alguma pessoa que cuide deles até mais tarde. Outros só chegam em casa depois que a criançada já foi dormir. A BBC fez uma boa reportagem com casos de espanhóis que sofrem por causa do horário de trabalho incomum.

A necessidade de conciliar o horário de trabalho com a vida pessoal virou até argumento de marketing. Em uma campanha lançada nesta terça, a cervejaria Heineken brinca com a dificuldade dos espanhóis de assistirem partidas de suas equipes na Champions League, principal competição de clubes do futebol mundial. Confira (vídeo em espanhol):

A mudança de fuso horário seria uma medida complementar. A Espanha utiliza um horário fora da realidade desde 1942, quando o ditador Francisco Franco adiantou os relógios do país em uma hora como um gesto de aliança com a Alemanha de Adolf Hitler. No entanto, o território espanhol está na mesma linha das Ilhas Britânicas e de Portugal, que estão uma hora atrás da Europa Central.

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Com esse fuso irreal, o auge do calor não ocorre ao meio dia, mas entre 13 e 14h. Além disso, amanhece e anoitece muito tarde no país, o que incentiva a adoção de jornadas que terminem às 19 ou 20h. Tanto que até há uma diferença de expressões no espanhol da Espanha e da América Latina: na Europa, se diz “oito da tarde”, e não “oito da noite”, versão mais corrente entre os latino-americanos.

No final da década passada, a Iberdrola, empresa de distribuição de gás e energia elétrica, decidiu mudar a jornada, fazendo seus funcionários entrarem às 7h15 e saindo às 15h. Houve aumento de horas trabalhadas, mas os empregados da empresa passaram a ter mais tempo livre para dedicar à vida pessoal.

Por mais romântica e charmosa seja a ideia da siesta, ela já foi engolida pelo cotidiano das grandes cidades. O que sobrou foi uma parada de almoço desproporcional que atrapalha mais que ajuda. Tanto que é uma das poucas coisas em que os partidos de direita e esquerda parecem concordar na Espanha.