A disputa entre Catar e seus vizinhos árabes chegou ao futebol

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Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes e Iraque romperam relações com o Catar em junho de 2017. Essa decisão é reflexo da disputa entre sauditas e iranianos pela influência na região, um conflito em que o Catar ficava estrategicamente em cima do muro (o que acabou incomodando alguns dos vizinhos). Por isso, era de se esperar problemas quando catarianos tivessem de viajar aos Emirados Árabes, mesmo que fossem para competições esportivas. Foi o que aconteceu.

Contei essa história na Trivela. Confira.

Emirados Árabes pensam em construir montanha para ter mais chuva

Um pouco de conceitos meteorológicos. Quando uma massa de ar encontra uma grande elevação no relevo, como uma serra, o ar quente e úmido se choca com a montanha e sobe. A umidade forma nuvens que acabam causando precipitações mais costantes. É a chuva orográfica, muito comum quando há cadeias de montanhas próximas à costa.

Como a umidade acaba condensando por causa da montanha, ela não avança para o interior, e o outro lado da serra, conhecido como sombra de chuva, muitas vezes é bastante seco. Há casos bastante conhecidos de cadeias de montanhas que criaram áreas férteis de um lado e desérticas do outro: o planalto do Tibet, o oeste da Argentina, o deserto da Judeia (Israel) e os desertos de Sonora e Mojave nos Estados Unidos e México. No futuro, essa lista pode ter os Emirados Árabes.

Não, não há nenhum registro de atividade tectônica que esteja erguendo uma cadeira de montanhas no sudeste da Península Arábica. É o ser humano que pode fazer isso, tudo para lidar com a dificuldade de disponibilizar água para uma economia que cresce acentuadamente, sobretudo em torno das metrópolis do país, Abu Dhabi e Dubai.

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O governo dos Emirados Árabes contratou o National Center for Atmospheric Research (NCAR), dos Estados Unidos, para estudar o efeito que montanhas teriam no clima do país. A ideia seria elevar o relevo artificialmente, fazendo que a umidade que vem do Golfo Pérsico se transforme em chuva ao invés de se perder pelo interior da Península Arábica. A informação é do site Arabian Business.

A previsão do NCAR é que os primeiros resultados sejam apresentados nesse verão do hemisfério norte (inverno no Brasil). Nessa primeira fase, o instituto já mostraria os efeitos para cada tipo de montanha, que altura ela poderia ter, qual sua inclinação e onde ela deveria estar localizada, afirmou Roelof Bruintjes, um dos pesquisadores  ao Arabian Business.

Os emiratenses pagarão US$ 400 mil pelo estudo. Pode parecer muito dinheiro, mas é menos que ps US$ 558 mil que o governo local gastou só em 2015 para semear nuvens.

A partir dos dados apresentados, os Emirados Árabes analisarão a viabilidade econômica de se construir as montanhas ou uma serra. Em 2011, um grupo de investidores estudou a construção de uma montanha para a realização de esportes de inverno na Holanda. O custo estimado era de US$ 400 bilhões, ainda que a comparação não seja muito precisa, pois o caso holandês exigiria muito mais segurança e precisão em detalhes do relevo para criar uma boa pista de esqui, os emiratenses precisam apenas de uma barreira para a umidade.

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Atualmente, os Emirados Árabes dependem de água presente no subsolo – e, pelo atual ritmo de consumo, a previsão é que essa fonte se esgote em 50 anos – e das chuvas que caem em nuvens semeadas. Pouco para abastecer cidades como Dubai, que ganhou 800 mil novos habitantes entre 2007 e 2014.