Favorito à eleição presidencial da França não sabe bem o que é a segunda maior região do país

Emmanuel Macron é o nome mais forte na corrida presidencial francesa. O líder do En Marche! (assim mesmo, com exclamação), partido de centro, luta ponto a ponto com Marine Le Pen nas pesquisas para o primeiro turno, programado para 23 de abril, mas tem folga considerável nas projeções para o segundo (varia entre 60 e 64%). Por isso, a chance de o ex-funcionário público e diretor de um banco de investimentos comandar a França é grande. Mas ele precisará estudar um pouco geografia.

Nas últimas semanas, a Guiana Francesa tem sido palco de diversas greves e manifestações devido aos problemas econômicos e à alta taxa de criminalidade da região. A paralisação de trabalhadores tem prejudicado diversos serviços, o que motivou Macron a se pronunciar (vídeo abaixo, em francês): “O que está acontecendo na Guiana Francesa nos últimos dias é sério. Minha primeira resposta é pedir por calma, porque bloquear as pistas e as decolagens do aeroporto – e às vezes até bloqueando o funcionamento da própria ilha – não é a resposta para a situação”.

 

Ilha? Ilha? Como qualquer região ultramarina, a Guiana Francesa tem o mesmo status de qualquer parte do território principal da França (sim, a França faz fronteira com o Amapá). Por área, é a segunda maior região do país, atrás apenas da Nova-Aquitânia, e seus cidadãos têm direito a voto como qualquer parisiense. São credenciais suficientes para receber um pouco mais de atenção do candidato, ainda mais quando ele está fazendo campanha por regiões ultramarina, o que ocorria no momento da entrevista.

Mas, se considerar o que o último vencedor da eleição presidencial francesa fez, Macron pode estar no caminho certo. Afinal, François Hollande, atual chefe de estado da França, já confundiu o Japão com a China e o Egito com a Tunísia em pronunciamentos.

Há 100 anos, Canadá ampliava sufrágio feminino e servia de exemplo aos EUA

O Dia Internacional da Mulher foi instituído na primeira década do século 20 dentro de um processo de luta das mulheres por mais direitos. Havia demandas na área trabalhista e social, e o direito ao voto era uma das exigências mais recorrentes, mesmo nas grandes democracias do planeta. Em março de 1917, há 100 anos, o movimento feminista dos Estados Unidos iniciava uma campanha que usava o Canadá como modelo.

Aquele mês marcou a abertura do voto feminino na então província de Ontário. Com isso, praticamente todo o Canadá tinha sufrágio feminino. As exceções eram Quebec, Yukon e Territórios do Noroeste (Terra Nova e Labrador não faziam parte do território canadense na época).

Enquanto isso, os EUA estavam muito para trás. Apenas 12 estados (Alasca, Arizona, Califórnia, Colorado, Idaho, Kansas, Montana, Nevada, Oregon, Utah, Washington e Wyoming) permitiam as mulheres a votarem em todas as situações. Em sete (Dakota do Norte, Illinois, Indiana, Michigan, Nebraska, Ohio e Rhode Island) elas podiam participar só das eleições presidenciais. Em um (Arkansas), a abertura era limitada às primárias dos partidos. E em 29 (incluindo Nova York, Pensilvânia, Massachusetts e Flórida), não tinham direito a nada.

Cartaz de 1917 para campanha pelo sufrágio feminino nos EUA
Cartaz de 1917 para campanha pelo sufrágio feminino nos EUA

O estado pioneiro foi Wyoming, que permitiu as mulheres a votarem em 1869. Logo após a publicação do mapa acima, Nova York, Texas, Arkansas e Oklahoma permitiram a participação delas nas eleições. Ainda assim, o sufrágio feminino só foi garantido em todo o território americano em 1920, com a 19ª emenda constitucional.

O Brasil vivia o mesmo processo. Na década de 1920, as primeiras mulheres brasileiras garantiram na Justiça seu direito a votar, alegando que a lei não mencionava restrição de sexo na participação política. O Rio Grande do Norte foi o primeiro estado a explicitar que não havia distinção de gênero no direito ao sufrágio. Em 1932, Getúlio Vargas assinou decreto permitindo o voto feminino em todo o território brasileiro.

Mas teve lugar que esperou ainda mais. Na Suíça, o sufrágio feminino só foi instituído após referendo em… 1971. E, ainda assim, houve muito debate. O jornalista Jamil Chade, correspondente do Estadão em Zurique, postou no Twitter alguns cartazes da campanha contra o voto das mulheres.

Atualmente, parece um consenso na sociedade que as mulheres devem votar como cidadãs que são. Mas não é preciso voltar tanto no tempo para encontrar uma realidade diferente. Sinal de como a luta feminina é necessária e não é preciso temer as mudanças que elas trazem. No final das contas, todos perceberão que estranho era haver diferença.

O ressentimento do operário de Detroit com Wall Street

Mais uma eleição presidencial se passou nos Estados Unidos e o mapa seguiu as mesmas características dos pleitos mais recentes: os democratas ganham nos grandes centros urbanos, os republicanos vencem no interior. A diferença está na vantagem que cada um consegue nas áreas em que domina e em quão urbana ou rural é a população de cada estado. Dessa vez, foi melhor para os republicanos. Donald Trump venceu, e uma das razões foi o aumento de votos para seu partido no Rust Belt, faixa entre o nordeste e o Meio-Oeste americano, próximo aos Grandes Lagos, onde a desindustrialização americana deixou um rastro de fábricas fechadas e trabalhadores desempregados.

Detroit é um grande símbolo disso. A capital do automóvel sofreu com a mudança das fábricas para outros lugares, e o município chegou a decretar falência. Hillary Clinton venceu na cidade, mas com uma vantagem menor que Barack Obama há quatro anos (37 pontos percentuais, contra 47). Na região metropolitana, a diferença foi ainda menor (em Flint, foi por 9 pontos, enquanto Obama bateu Mitt Romney por 28). Assim, a Grande Detroit não deu aos democratas uma grande vantagem, e o interior sacramentou a vitória republicana no estado.

Essa migração de votos das áreas industriais foi uma marca da eleição. E uma música retrata bem o fenômeno: “Shuttin’ Detroit Down”, de John Rich. O cantor country reforça o contraste entre o operário da fábrica do Meio-Oeste, que trabalha por décadas na mesma empresa, e o engravatado de Nova York. O segundo perde dinheiro por fazer bobagem no mercado financeiro, e quem paga o pato é o primeiro, que vive no “mundo real” e fica até “sem dinheiro para morrer”. Enquanto isso, os políticos em Washington sustentam os banqueiros.

ENTENDA: Priorizar os carros parecia natural para Detroit, mas foi sua ruína

Rich é uma figura conhecida pelo posicionamento político. Declaradamente republicano, já ajudou a criar músicas para a campanha de vários candidatos do partido, sobretudo no Tennessee, seu estado natal. Não fez isso com Donald Trump, a quem conheceu quando participou do “Celebrity Apprendice”, versão de “O Aprendiz” com celebridades. Trump foi o apresentador. Por isso, a letra reflete bastante o discurso dos republicanos sobre a situação do Rust Belt. Um discurso que teve muita aceitação neste ano, e que fez a diferença na definição do futuro presidente dos Estados Unidos.

Veja o clipe de “Shuttin’ Detroit Down”. Aqui tem a letra original, em inglês.

Texto publicado originalmente para a newsletter do Outra Cidade. Para assiná-la, clique aqui.

Pesquisas erraram nos EUA também. Por que isso tem sido mais comum?

Mais uma eleição ocorreu, e mais uma vez as pesquisas se mostraram bastante enganadas. Dessa vez, Donald Trump contrariou previsões que davam de 71 a  99% de chance de vitória para Hillary Clinton e conquistou a presidência dos Estados Unidos após uma grande recuperação na reta final. Foi um cenário parecido em várias corridas eleitorais do Brasil e mesmo na decisão do Reino Unido de deixar a União Europeia. Mesmo com margem de erro, os institutos de pesquisas não estão conseguindo rastrear o comportamento dos eleitores nos últimos dias antes da votação.

Em 5 de outubro, após João Doria Jr. ser eleito prefeito de São Paulo no primeiro turno (uma possibilidade ignorada pelas pesquisas), entrevistamos o cientista político Antônio Lavareda para falar sobre o aumento de casos de arrancadas eleitorais repentinas. Veja abaixo a reportagem completa:

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Eleitorado mais volátil exige que pesquisas sejam mais imediatas

João Doria Jr estava subindo, e bastante. As pesquisas de Datafolha e Ibope mostravam como o candidato do PSDB crescia na última semana. No entanto, a possibilidade de o empresário ser eleito ainda no primeiro turno só pareceu real na pesquisa de boca de urna, quando ele atingiu 48%. Ainda assim, seus 53% finais foram acima da margem de erro de qualquer levantamento realizado, inclusive os publicados no fim de semana da votação.

Não foi algo inédito, sobretudo em primeiro turno. Em 2012, também na eleição municipal de São Paulo, Celso Russomanno caiu e Fernando Haddad subiu em curvas acima da margem de erro das pesquisas apresentadas nos jornais do dia do pleito. Dois anos depois, Aécio Neves e Marina Silva estavam em empate técnico na briga por um lugar no segundo turno da eleição presidencial até o último levantamento, mas a apuração mostrou o candidato do PSDB 11 pontos à frente da candidata do PSB.

Para ilustrar isso, fizemos um gráfico com as pesquisas do último mês dessas três corridas eleitorais. Pegamos apenas do Datafolha, por questão de padronização. O penúltimo número de cada gráfico é sempre o do levantamento publicado no dia da eleição e o último é o resultado final em votos totais (não votos válidos).

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É nítido como a pesquisa não antecipou até onde subiriam ou cairiam alguns candidatos, mas, nos dias anteriores, elas já indicavam suas trajetórias ascendentes ou descendentes. Para entender por que os eleitores têm mudado tanto de comportamento de última hora, entrevistamos o cientista político Antônio Lavareda, especialista em análise do comportamento do eleitorado e presidente do conselho científico do Instituto de Pesquisas Sociais Políticas e Econômicas (Ipespe).

Para Lavareda, o principal motivo dessas distorções não é erro da pesquisa, mas uma volatilidade maior do eleitor devido à mudança das corridas eleitorais nos últimos anos. O tempo de campanha é menor, e o volume de informação jogado nas mídias (e agora ainda há as redes sociais para reforçar) é muito grande e leva o público a mudar muito de opinião. Uma realidade que poderia até levar os institutos a mudaram um pouco o fluxo de trabalho entre entrevistas e publicação.

Tem sido cada vez mais comum o resultado das eleições fugirem bastante das pesquisas, mesmo a que é publicada no dia da votação. O que tem ocorrido?

Nesse ano a campanha foi muito curta, com muita ênfase em propaganda em TV, rádio e redes sociais. O volume de informação é muito grande e concentrado em pouco tempo, as mudanças acabam ocorrendo de forma mais rápidas. O público fica mais volátil.

Antonio Lavareda, cientista político especializado em análise do comportamento do eleitorado (Divulgação)

Antonio Lavareda, cientista político especializado em análise do comportamento do eleitorado (Divulgação)

Campanhas mais longas mudariam de que forma o cenário?

Não mudariam o resultado final, mas as curvas de subidas e descidas de cada candidato seriam mais alongadas, teriam ângulos menos acentuados no gráfico. As informações que chegariam aos eleitores seriam as mesmas, mas elas apareceriam gradualmente e o efeito dela na opinião do eleitorado também seria gradual.

Diante dessa realidade, de público volátil devido a campanhas curtas com muita informação, os institutos de pesquisa deveriam mudar sua abordagem?

Em um eleitorado mais volátil, a pesquisa precisa ser feita em um período de tempo mais estreito para representar um retrato mais fiel de um determinado momento. Se possível, realizar as entrevistas na véspera da divulgação dos números. Caso contrário, os resultados podem ser relativos ao cenário anterior, e não ao do presente.

Já dá para dizer que essa volatilidade é uma tendência?

Sim. Os eleitores estão decidindo seu voto de última hora e os últimos dias têm variações grandes. É esperado isso para uma democracia com as características do Brasil. O voto é mais enraizado quando está vinculado a partidos, mas a ligação do eleitor com os partidos não é forte. Nos Estados Unidos, simplificando um pouco, um terço dos eleitores é democrata e um terço é republicano. Esses sempre votam no mesmo partido. O terço restante é de eleitores independentes, que acabam variando e decidindo as eleições. Aqui no Brasil, é como se quase todo mundo fosse eleitor independente.

BH foi única capital brasileira com virada no segundo turno das eleições

Foi um resultado bastante apertado, 53% contra 47%. Ainda assim, foi o suficiente para Alexandre Kalil, candidato do PHS, superar João Leite (PSDB) no segundo turno das eleições municipais em Belo Horizonte. Para vencer a disputa, Kalil teve de dobrar o percentual de votos recebidos no primeiro turno, marcando uma virada improvável na última semana de campanha. Virada improvável e única.

Belo Horizonte foi a única capital brasileira a registrar uma virada em suas eleições, ou seja, o candidato com mais votos no primeiro turno acabou perdendo no segundo. Um fato curioso se for considerado que essa foi a eleição com mais municípios realizando uma segunda votação (57) e o que teve mais reviravoltas no número absoluto (14).

Em percentual, a quantidade de viradas foi dentro do padrão histórico das eleições municipais. Neste ano, foram 24,56% de reviravoltas. O recorde foi de 2004, com 28%, e a menor marca foi quatro anos atrás, com 17% (única vez que ficou abaixo de 20%). Isso só reforça como o fato de apenas uma capital ter mudança no resultado entre os dois turnos se trata de uma anomalia estatística.

As outras duas vezes em que apenas uma capital teve virada foram em anos com menos cidades realizando segundo turno. Em 1996, André Puccinelli (PMDB) ultrapassou Zeca do PT (PT) em Campo Grande, mas foram apenas 31 municípios com segundo turno e apenas sete reviravoltas pelo país. Em 2008, quando Roberto Góes (PDT) superou Camilo Capiberibe (PSB) na reta final em Macapá, esses números foram ainda mais baixos: 30 e 5.

Veja no gráfico abaixo quantas viradas já ocorreram desde que o segundo turno foi criado nas eleições municipais, em 1996:

 

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Eleitorado mais volátil exige que pesquisas sejam mais imediatas

João Doria Jr estava subindo, e bastante. As pesquisas de Datafolha e Ibope mostravam como o candidato do PSDB crescia na última semana. No entanto, a possibilidade de o empresário ser eleito ainda no primeiro turno só pareceu real na pesquisa de boca de urna, quando ele atingiu 48%. Ainda assim, seus 53% finais foram acima da margem de erro de qualquer levantamento realizado, inclusive os publicados no fim de semana da votação.

Não foi algo inédito, sobretudo em primeiro turno. Em 2012, também na eleição municipal de São Paulo, Celso Russomanno caiu e Fernando Haddad subiu em curvas acima da margem de erro das pesquisas apresentadas nos jornais do dia do pleito. Dois anos depois, Aécio Neves e Marina Silva estavam em empate técnico na briga por um lugar no segundo turno da eleição presidencial até o último levantamento, mas a apuração mostrou o candidato do PSDB 11 pontos à frente da candidata do PSB.

Para ilustrar isso, fizemos um gráfico com as pesquisas do último mês dessas três corridas eleitorais. Pegamos apenas do Datafolha, por questão de padronização. O penúltimo número de cada gráfico é sempre o do levantamento publicado no dia da eleição e o último é o resultado final em votos totais (não votos válidos).

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É nítido como a pesquisa não antecipou até onde subiriam ou cairiam alguns candidatos, mas, nos dias anteriores, elas já indicavam suas trajetórias ascendentes ou descendentes. Para entender por que os eleitores têm mudado tanto de comportamento de última hora, entrevistamos o cientista político Antônio Lavareda, especialista em análise do comportamento do eleitorado e presidente do conselho científico do Instituto de Pesquisas Sociais Políticas e Econômicas (Ipespe).

Para Lavareda, o principal motivo dessas distorções não é erro da pesquisa, mas uma volatilidade maior do eleitor devido à mudança das corridas eleitorais nos últimos anos. O tempo de campanha é menor, e o volume de informação jogado nas mídias (e agora ainda há as redes sociais para reforçar) é muito grande e leva o público a mudar muito de opinião. Uma realidade que poderia até levar os institutos a mudaram um pouco o fluxo de trabalho entre entrevistas e publicação.

Tem sido cada vez mais comum o resultado das eleições fugirem bastante das pesquisas, mesmo a que é publicada no dia da votação. O que tem ocorrido?

Nesse ano a campanha foi muito curta, com muita ênfase em propaganda em TV, rádio e redes sociais. O volume de informação é muito grande e concentrado em pouco tempo, as mudanças acabam ocorrendo de forma mais rápidas. O público fica mais volátil.

Antonio Lavareda, cientista político especializado em análise do comportamento do eleitorado (Divulgação)
Antonio Lavareda, cientista político especializado em análise do comportamento do eleitorado (Divulgação)

Campanhas mais longas mudariam de que forma o cenário?

Não mudariam o resultado final, mas as curvas de subidas e descidas de cada candidato seriam mais alongadas, teriam ângulos menos acentuados no gráfico. As informações que chegariam aos eleitores seriam as mesmas, mas elas apareceriam gradualmente e o efeito dela na opinião do eleitorado também seria gradual.

Diante dessa realidade, de público volátil devido a campanhas curtas com muita informação, os institutos de pesquisa deveriam mudar sua abordagem?

Em um eleitorado mais volátil, a pesquisa precisa ser feita em um período de tempo mais estreito para representar um retrato mais fiel de um determinado momento. Se possível, realizar as entrevistas na véspera da divulgação dos números. Caso contrário, os resultados podem ser relativos ao cenário anterior, e não ao do presente.

Já dá para dizer que essa volatilidade é uma tendência?

Sim. Os eleitores estão decidindo seu voto de última hora e os últimos dias têm variações grandes. É esperado isso para uma democracia com as características do Brasil. O voto é mais enraizado quando está vinculado a partidos, mas a ligação do eleitor com os partidos não é forte. Nos Estados Unidos, simplificando um pouco, um terço dos eleitores é democrata e um terço é republicano. Esses sempre votam no mesmo partido. O terço restante é de eleitores independentes, que acabam variando e decidindo as eleições. Aqui no Brasil, é como se quase todo mundo fosse eleitor independente.

Mapas eleitorais mostram pouca diferença entre centros e periferias

Um lugar todo pintado, cada parte com uma cor. Tornou-se comum usar mapas eleitorais, destacando o candidato mais votado em cada região de um país/estado/cidade para mostrar a divergência de opiniões entre pessoas que vivem realidades diferentes. Mas, nas eleições municipais de 2016, ela não foi tão grande assim.

GALERIA: Veja quais são as cidades brasileiras com maior número de eleitores

Nossos parceiros do UOL fizeram um belo raio-X dos resultados deste 2 de outubro (CONFIRA!), com infográficos, tabelas e vídeos dando um apanhado geral do primeiro turno das eleições municipais. Um quesito que chamou a atenção foram os mapas eleitorais das 26 capitais. Em 15 delas, 57,7%, o candidato mais votado venceu em todas as zonas eleitorais. Outras, como São Paulo, Belo Horizonte e Fortaleza, ficaram muito perto de terem esse mesmo cenário.

Os mapas completos, com resultados zona a zona, estão no link do UOL, mas selecionamos algumas capitais com resultados interessantes. Confira:

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[Galeria] Candidatos bizarros das eleições municipais de 2016

O descrédito com a política é algo tão antigo no Brasil quanto a própria política brasileira. Tirar sarro de autoridades é uma marca nacional, e acabou tendo um de seus marcos quando Cacareco, o rinoceronte do zoológico de São Paulo, recebeu 100 mil votos de protestos (o cédula era de papel e o eleitor podia escrever nela) que seria eleito vereador se fosse realmente candidato.

MAIS ELEIÇÕES: Veja quais são as cidades brasileiras com maior número de eleitores

De tempos em tempos, continuaram surgindo candidatos estranhos, que usavam uma imagem bizarra para ganhar a empatia de eleitores conquistar votos preciosos. Mas, na última década, isso se tornou uma epidemia. Após Tiririca ser o deputado federal mais votado do País, em 2010, os partidos viram como essas figuras poderiam ser úteis para chamar a atenção e melhorar o coeficiente da legenda em eleições legislativas.

Eleições municipais são pratos cheios para isso, pois cada cidadezinha do Brasil tem seus próprios candidatos, abrindo espaço para milhares de pessoas tentarem a vida política. Alguns de forma caricata. Fizemos uma lista com os casos mais bizarros deste ano. Há desde sub-celebridades que já incorporavam o personagem no dia a dia (como o Darth Verde, um torcedor-símbolo do Goiás, e o Batman de Poá) a um surto de candidatos que já morreram (pelo menos é o que dizem seus nomes), passando por mosquitos e pokémons. Ah, e surge uma nada surpreendente onda de personagens que evocam figuras de força e autoridade, de Vin Diesel em Velozes e Furiosos a Rambo.

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Veja quais são as cidades brasileiras com maior número de eleitores

A campanha eleitoral começou (não sei se dá para dizer “finalmente começou”, pois há dúvidas se é algo que a população esperava com ansiedade) e dezenas de milhões de brasileiros irão às urnas decidir o futuro de seus municípios. Apesar de o pleito ficar um pouco ofuscado pelo processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, trata-se de um momento importante pelo estágio da sociedade brasileira. As pessoas começam a mudar a forma de ver sua relação com os locais em que vivem, e o primeiro palco em que esse fenômeno se manifesta são as cidades.

ENTREVISTA: “Administrar uma cidade é muito mais complicado que um país”, diz socióloga holandesa

A população rediscute o espaço urbano e, por tabela, a forma como as autoridades lidam com ele. As eleições municipais representam uma grande oportunidade de as pessoas mostrarem que tipo de política desejam dos futuros gestores públicos.

Para esse início oficial da campanha eleitoral, vamos mostrar quais as cidades que mobilizarão mais pessoas em 2 e 30 de outubro. Apontamos as 15 capitais e as 15 não-capitais (não dá para dizer que são cidades do interior, pois a maioria desses municípios fica na região metropolitana das capitais) com mais eleitores registrados no TSE.

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Pesquisa Ibope é ruim para Haddad, mas boa para política de mobilidade

Celso Russomano em primeiro, com vantagem considerável. Depois, o trio de candidatos de esquerda (Marta Suplicy, Luiza Erundina e Fernando Haddad) e, em seguida, a dupla ligada ao PSDB, João Dória Jr (PSDB) e Andrea Matarazzo (PSD). Esse é o panorama apontado pela pesquisa do Ibope divulgada nesta terça para a eleição municipal de outubro. Mas o levantamento não tratou apenas da intenção de voto dos paulistanos.

A pesquisa foi encomendada pelo Setcesp (Sindicato das Empresas de Transporte de Carga de São Paulo e Região). Por isso, várias questões envolvendo transporte de cargas e mobilidade foram incluídas nas entrevistas. São dados interessantes, sobretudo porque envolvem uma área que tem sido muito ativa – e gerado muita polêmica – na atual gestão municipal.

VEJA TAMBÉM: Estudo avalia sistemas de compartilhamento de bicicletas em SP, Rio, BH e Brasília

A base de dados foram os 602 eleitores paulistanos entrevistados, com margem de erro de quatro pontos percentuais para mais ou para menos. Na questão de transportes, 51% disseram usar o ônibus no dia a dia, enquanto 24% transitam de carro, 13% de metrô, 4% de trem, 2% de moto e a pé, 1% de bicicleta e táxi e 2% de outros modos.

A primeira série de questões era sobre o rodízio, que proíbe os motoristas de trafegarem com seus automóveis entre 7h e 10h e entre 17h e 20h uma vez por semana no centro expandido. Os entrevistados preferem o modelo atual do que opções de ampliar as restrições, medidas propostas para tirar ainda mais carros das ruas da capital paulista.

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Outras questões, mais diretamente ligadas à gestão municipal, dizem respeito a políticas adotadas pelo atual prefeito, Fernando Haddad. Todas elas causaram muita controvérsia, sobretudo por atingir diretamente os motoristas de carro (redução da velocidade máxima nas vias e aumento de espaço para corredores/faixas de ônibus e vias/faixas para bicicleta).

Os números refletem essa divisão da cidade, pois os índices de aprovação e de desaprovação são próximos nas questões sobre redução de velocidade e implantação de ciclovias e ciclofaixas. Ainda assim, a maior parte dos pesquisados aprova as medidas. A ampliação de faixas de ônibus é quase unânime na pesquisa (97%), o que não chega a surpreender pois é difícil alguém argumentar contra o transporte público, mesmo os que não o utilizam normalmente.

Nem o impacto da implantação das ciclovias no dia a dia das pessoas consultadas trouxe reprovação à medida:  31% disseram que piorou, enquanto que, 65% ficaram entre “não afetou” (47%) e melhorou (18%).

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Pensando apenas nas políticas de mobilidade, esses resultados devem ser vistos como aprovação das medidas de Haddad nesses temas. No entanto, não se pode perder de vista que o prefeito aparece com 55% de reprovação, 7% de intenção de votos e 46% de rejeição, sinais de que não está tão prestigiado assim, possivelmente por atitudes em outras áreas.