Fizeram um mapa mostrando que série de TV se passa em cada região dos EUA

Nenhuma das novelas de horário nobre da Globo tem como locação principal o Rio de Janeiro ou São Paulo. É um fato tão raro que até virou notícia. Normal, pois, por motivos comerciais, econômicos ou logísticos, quase toda novela se passa nas duas maiores cidades do Brasil. E, quando há exceções, geralmente são cidades pequenas (algumas até fictícias) do interior para criar uma trama com elementos mais bucólicos. Ou seja, é raro ver algum enredo puramente urbano que não seja paulistano ou carioca, usando capitais como Curitiba, Salvador, Brasília ou Belo Horizonte.

Nos Estados Unidos, a situação é diferente. As séries de TV se espalham pelo mapa, com histórias que usam diferentes cidades como cenário. E aproveitam isso muitas vezes, mostrando situações ou personagens típicos daquela região como elemento do enredo. Tanto que algumas das histórias se tornam símbolos locais, como Friends (foto acima) e Seinfeld com Nova York, Barrados no Baile (Beverly Hills 90210) com Los Angeles, CSI com Las Vegas e Miami Vice com Miami (dã).

Para mostrar como isso acontece, fizeram um mapa sensacional mostrando que série representa cada parte dos EUA. O mapa já tem alguns anos, então não está atualizado com os lançamentos da última temporada (e também não tem “Um Amor de Família” / “Married… with Children” em Illinois, uma falha imperdoável), mas dá uma boa ideia de como Nova York e Califórnia são as mais adotadas. E também como alguém precisa bolar uma série em Montana, Dakota do Norte, Iowa, Missouri e Arkansas.

Obs.: para ver o mapa em tamanho maior, clique aqui.

Mapa dos EUA com indicação de onde se passa cada série de TV

 

Veja só o efeito da Mona Lisa no mapa de postagens do Louvre no Instagram

É difícil ver com atenção a Mona Lisa ao vivo. O quadro é pequeno (73 cm de altura e 53 de largura) e fica em uma sala relativamente pequena e absurdamente lotada do Museu do Louvre, em Paris. Por segurança, os visitantes ainda são obrigados a guardar uma distância da obra de Leonardo da Vinci, que ainda é protegida por um vidro blindado. Em bom português, a experiência de vê-la tem tanto de cultura quanto de luta corporal.

Ainda assim, é o ponto alto de quase todas as visitas ao Louvre, por mais que o museu parisiense tenha obras espetaculares em tudo quanto é ala. E agora é fácil ter uma medida de quão importante é a Mona Lisa para os visitantes. O Maps.Me postou em sua conta no Twitter um mapa das postagens no Instagram feitas em algum ponto do Museu do Louvre.

Por mais que não seja um método de precisão científica, é só olhar a densidade de bolinhas amarelas para ter uma ideia de como todos querem mostrar que viram a Mona Lisa, que estiveram lá. E, bem, esse mapa também ajuda a dar uma ideia da muvuca que fica em torno da obra, uma muvuca proporcional à importância do retrato feito por Da Vinci.

Mapa do Museu do Louvre com pontos amarelos a cada postagem no Instagram, com destaque para a Mona Lisa (Twitter / Maps.Me)
Mapa do Museu do Louvre com pontos amarelos a cada postagem no Instagram, com destaque para a Mona Lisa (Twitter / Maps.Me)

Doria contraria seu programa de governo ao levar Virada a Interlagos

O Centro ficará vazio, os centros culturais nos bairros também. Parques, praças, CEUs idem. Pela proposta anunciada por João Doria Jr., a Virada Cultural de 2017 só será sentida em um local, o autódromo de Interlagos. O prefeito eleito de São Paulo declarou que todo o evento será transferido para o local, mantendo a programação e transporte público 24 horas. Ele ainda afirmou que serão realizadas “pequenas Viradas” nos bairros. No entanto, elas teriam apenas 12 horas de duração e teriam outras datas.

A decisão causou surpresa. De acordo com a Folha de São Paulo, nem André Sturm, futuro secretário de cultura, sabia dessa ideia. Os idealizadores do evento, criado durante a gestão de José Serra (PSDB, como Doria), também criticaram a medida. E nenhum deles tinha como desconfiar. Se fossem ao programa de governo de Doria, encontrariam um projeto bastante diferente para a Virada Cultural: “Redimensionar e readequar os investimentos da Virada Cultural para descentralizar a iniciativa, ampliar sua capilaridade e democratizar a participação”.

Redimensionar e readequar investimentos no evento é uma promessa que condiz com a linha de trabalho proposta por Doria. No entanto, o texto é claro ao falar em “descentralizar” e “ampliar a capilaridade”. Ao levar toda a virada para um local, e um local muito distante do centro, ele se torna extremamente centralizado e pouco acessível para todos os paulistanos que moram fora da Zona Sul.

O motivo da decisão seria melhorar a segurança, acessibilidade e funcionalidade do evento. Em edições recentes, a Virada Cultural teve problemas com a segurança durante a madrugada, mas, em 2016, os números foram muito melhores: apenas 19 ocorrências, com quatro roubos e três furtos, pouco para um evento em que participam milhões de pessoas.

A Virada Cultural foi idealizada durante a gestão de José Serra como parte do projeto de revitalização do centro de São Paulo. A população abraçou o evento, que passou a atrair multidões para algumas apresentações, a maior parte realizada em palcos montados em praças e ruas do Centro. Os prefeitos que sucederam Serra – Gilberto Kassab (PFL/DEM, hoje no PSD) e Fernando Haddad (PT) – mantiveram o caráter urbano da Virada.

Confinar o evento a um local pode matar seu espírito. Deixará de ser o momento em que milhões de paulistanos vão às ruas para curtir sua cidade e descobrir um show ao dobrar cada esquina. Ficará com cara de um show gratuito como tantos que ocorrem ao longo do ano em parques e praças da cidade. A diferença será apenas no fato de virar a madrugada.

A declaração de Doria foi dada em um evento da Federação de Comércio, não em um evento oficial. Que ele converse com lideranças na área cultural, inclusive em seu partido, e leia seu próprio programa de governo e reveja sua decisão.

Atualização em 6/dezembro, 12h

Um dia após a declaração polêmica de Doria, André Sturm, futuro secretário de cultura, afirmou que apenas os megashows seriam deslocados para Interlagos. O Centro continuaria recebendo outras atividades culturais.

Texto publicado originalmente no Outra Cidade.

Virada Cultural precisava de um fato novo, como se espalhar pela periferia

Concentrar os eventos da Virada Cultural no Centro ajuda a criar um ponto de referência mais ou menos próximo de quase todos, ajuda a revitalizar uma importante região da cidade e facilita o trânsito entre uma atração e outra, mas coloca muita gente em um lugar apenas. Espalhar a Virada pela cidade dá vida aos bairros, leva a cultura e o lazer onde normalmente eles são raros, ainda que possa afastar alguns dos espetáculos de parte de seu público potencial.

Não há certo ou errado nesse debate. Cada opção tem sua vantagem e sua desvantagem, e muitas vezes definir por uma delas se torna uma questão de momento. E o momento pedia que a edição 2016 do evento se espalhasse por toda a capital paulista. E isso ajuda a explicar por que a Virada deste último fim de semana tivesse indicadores positivos após alguns anos conturbados.

A Virada Cultural foi criada em 2005 e teve como um de seus princípios fazer parte do processo de revitalização do Centro. Por ser uma região da cidade com acesso fácil em transporte público e diversos pontos para se erguer palcos provisórios, realizar shows e exposições, era natural fazer do evento uma grande celebração do Centro. Apenas algumas apresentações ficavam para os bairros.

O público abraçou a ideia e a adesão do público foi grande e crescente. No entanto, a Virada começou a sofrer com o gigantismo. O excesso de gente em pouco espaço, somado com os altos e baixos da organização (inclusive atritos entre prefeitura e governo estadual), acabou criando problemas importantes, sobretudo de segurança. Houve casos de assaltos, brigas e até arrastões (18 deles em 2014!), o que começou a afastar parte do público, sobretudo nos shows do meio da madrugada.

Para este ano, a preferência foi por uma Virada espalhada pelos bairros. O Centro ainda foi a área com mais shows, mas cada subprefeitura teve alguma atividade. A decisão potencialmente inibiu, por exemplo, uma pessoa da Zona Sul ver um cantor que se apresentou na Zona Leste. Além disso, houve uma redução na quantidade de atrações, de 1,5 mil para 700. Esses dois fatores podem explicar os relatos de público (os números oficiais ainda não foram divulgados) menor em relação ao último ano, que já havia sido inferior a 2014.

No entanto, um número já conhecido chamou a atenção: apenas quatro detidos. Ainda são quatro detenções a mais que o ideal, e houve o caso de uma mulher esfaqueada em um assalto, mas é uma estatística bastante positiva em relação a 2014 (128 detidos, sete pessoas baleadas e quatro esfaqueadas) e 2015 (84 detenções e um ferido). Houve relatos de que, com menos concentração de pessoas em uma região da cidade, a sensação de segurança foi maior.

Obs.: houve uma morte na Virada Cultural de 2016, mas foi acidental. Um homem bateu a cabeça após cair de uma escadaria.

Para um evento que, além de levar cultura à população, tem como proposta reforçar a ligação entre as pessoas e sua cidade, ter uma imagem de segurança e fazer com que a população de cada bairro da capital paulista se sentisse participante ao ver uma atração na vizinhança eram pontos fundamentais. Talvez não fossem em 2005, mas eram em 2016. Mesmo que diminuísse aquela visão de uma região – o Centro – ocupada pelo povo sedento por cultura.

Até idioma usado no comércio entrou na luta catalã por independência

Barcelona e Sevilla entrarão em campo, neste domingo (22), para disputar a final da Copa do Rei. Já imaginando que a torcida barcelonista aproveitaria a ocasião – que normalmente tem um representante da família real espanhola nas tribunas – para manifestar o desejo por independência da Catalunha, as autoridades proibiram a presença de bandeiras catalãs nas arquibancadas. Houve muita discussão e protestos, e, no final, a Justiça determinou que os torcedores tinham o direito de defender a separação de sua região. Foi mais um capítulo de uma disputa que tem sido cada vez mais acirrada, e que já atinge até pequenos comerciantes.

A crise econômica que atingiu a Espanha nos últimos anos aumentou o desejo de independência por parte dos catalães. O separatismo, uma ideia que tradicionalmente tem força na Catalunha, ganhou mais adesão após Madri aumentar impostos na rica região, usando esses recursos para equilibrar as contas de áreas menos desenvolvidas do país. A isso se somaram outras medidas para limitar o aumento de autonomia, que provocaram reação mais intensa da Generalitat, a administração regional. O caso mais evidente desse clima de animosidade foi a realização de um plebiscito pela independência à revelia do governo nacional.

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No meio desse processo, a Catalunha tem reforçado as políticas de identidade local. Uma delas é a obrigação dos comerciantes de terem informações públicas (cardápios, faixas, cartazes, avisos de promoção, catálogos, letreiro na fachada) em catalão. Quem não seguir a determinação tem de pagar multa. A lei existe há mais de uma década, mas nunca foi fiscalizada com força porque provoca muita polêmica, mesmo entre os locais.

Desde 1979, o espanhol e o catalão são reconhecidos como idiomas oficiais da região. Pela lei federal, as duas têm o mesmo status e, portanto, não se pode impor uma língua sobre a outra.  Isso colocaria as multas linguísticas como uma medida ilegal, pois dá ao idioma regional uma força maior que ao nacional. Afinal, não há previsão de punição caso uma loja faça o contrário e só anuncie seus produtos em catalão, ignorando o espanhol. No entanto, o governo da Catalunha – comandado pelo nacionalista Carles Puidgemont – tem ignorado esse fato e segue reforçando suas políticas. Em 2015, a arrecadação com as multas linguisticas foi 174% maior que no ano anterior, ritmo que segue aumentando nos primeiros meses de 2016.

A lei afeta diretamente o pequeno comerciante. A reforma de toda a linguagem visual de seu estabelecimento representa um investimento alto dentro de sua realidade financeira. Por isso, muitos têm preferido continuar pagando as multas, pois ainda sairia mais barato. Uma reportagem da The Economist apresentou o caso do dono de uma loja de móveis, que terá de pagar € 1.260 em multas linguísticas, mas seria obrigado a gastar € 18 mil para adequar seu comércio.

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Lojistas e lideranças políticas mais liberais têm contestado essa política. Além dos aspectos legais, ela até ignora uma questão prática: o idioma mais falado da região é o espanhol. Em 2013, uma pesquisa realizada pela própria Generalitat apontou que 55,1% dos moradores da Catalunha indicam o espanhol como sua primeira língua e 50,7% como a mais usada no dia a dia. O catalão fica com 31 e 36,3%. Na Grande Barcelona, onde há mais moradores nascidos em outras regiões e de turistas, o espanhol é a língua mais usada no dia a dia por 60% das pessoas.

A obrigatoriedade do catalão é colocada como forma de manter o idioma vivo e impedir que ele seja engolido pelo espanhol. Mas, com as multas linguísticas, acaba criando pressão econômica e política justamente sobre um elemento frágil em um país que vive crise: o pequeno comerciante. Ainda mais em uma cidade que recebe tantos turistas e que tem feito políticas urbanas para priorizar a mobilidade ativa e a melhoria e os calçadões.