Nevou no Deserto do Saara, um fenômeno que está se tornando corriqueiro

As imagens são surpreendentes e até fazem parecer que é notícia falsa. Mas não é. No último dia 7, nevou em uma parte do Deserto do Saara, que viu suas dunas alaranjadas de areia ficarem brancas. Um fenômeno que ainda pode ser considerado raro, mas vem se tornando mais frequente nos últimos anos.

A neve caiu perto da cidade argelina de Aïn Séfra, localizada em um trecho da cordilheira do Atlas, no extremo norte do Saara. Não à toa, um dos apelidos da cidade é “Porta de Entrada do Deserto”. 

Ainda que a temperatura ultrapasse os 40ºC no verão, já se registrou -10,2ºC no inverno. O maior obstáculo às neves não é a temperatura em si, mas a falta de umidade. Ainda assim, nevou na região quatro vezes nos últimos seis anos, incluindo em 2017. No vídeo abaixo, é possível ver a cobertura da TV argelina (vídeo com trechos em francês e em árabe) para uma nevasca em 2012.

A neve não durou muito e derreteu ao longo do dia. Ainda assim, foi captada pelos satélites da Nasa, que fotografaram o deserto com as inusitadas manchas brancas –sobretudo nos picos — no meio do mar de areia.

Foto feita por satélite da neve no Deserto do Saara (Divulgação / Nasa)
Foto feita por satélite da neve no Deserto do Saara (Divulgação / Nasa)

Esse vídeo da tempestade da última terça em Sorocaba é hipnótico

Se você está em um local protegido, assistir à chuva cair é legal, quase terapêutico. Deve ser algum instinto que sobrou em algum gene da época em que vivíamos nas cavernas. Mas o vídeo abaixo leva isso ao extremo.

O site Clima ao Vivo registrou em vídeo o toró que caiu em Sorocaba na última terça, 31 de janeiro. A tempestade começou às 15h45 e deixou cerca de 9 mil casas sem energia elétrica. As cenas em timelapse são hipnóticas (ainda que, por mais que eu goste de um solo de guitarra, esse tenha ficado meio forçado).

 

O inverno ainda está forte, mas Japão já prevê quando as cerejeiras florescerão

O inverno no Japão não é dos mais gentis. Para esta segunda, dia 23, a previsão é de máxima de 7ºC e mínima de -2ºC em Tóquio, mas os termômetros ficarão entre -4 e -13 em Sapporo, ao norte do país. Isso porque o final de janeiro já tem uma melhora em relação a dezembro. Como o verão também não é muito agradável, com muito calor e umidade, os japoneses gostam mesmo é da primavera. Temperaturas agradáveis, nada de neve, chuvas moderadas e, principalmente, cerejeiras cheias de flores para tingir de rosa as paisagens.

A floração da cerejeira é um dos símbolos da chegada da primavera, o que faz com que seja muito aguardada pelos japoneses. Festas são organizadas em diversas cidades, jardins se preparam para exibi-las da forma mais exuberante possível e, claro, turistas de dentro e fora do Japão se programam para ver esse espetáculo. Por isso, meteorologistas e botânicos buscam antecipar em meses a descoberta de quando a sakura (nome da flor da cerejeira em japonês) aparecerá em cada região do país.

Na última semana, saiu a primeira previsão da floração de 2017. A Japan Meteorological Corp. informou que as cerejeiras devem florescer a partir de 22 de março em Tóquio (microclima de metrópole) e a partir do dia seguinte nas cidades mais quentes, ao sul. Essa data avança de acordo com o clima de cada região, até o norte da ilha de Hokkaido, que só deve ver a sakura em 10 de maio. Por essa previsão, as flores devem desabrochar uma semana antes do normal.

Primeira previsão para a floração das cerejeiras no Japão em 2017
Primeira previsão para a floração das cerejeiras no Japão em 2017

O relatório é bastante detalhado, mesmo na versão em inglês, com mapa (acima) e tabela por distritos, e a própria empresa de meteorologia recomenda o acompanhamento periódico de sua página, para ver qualquer atualização dessa previsão.

Guarda Civil tira cobertores de moradores de rua em SP. Como assim?

Está na televisão, está no rádio, está na internet, nas redes sociais, na conversa na rua e, principalmente, está no corpo de qualquer um que saia de algum ambiente climatizado. O centro-sul do Brasil está em uma onda de frio particularmente intensa e é virtualmente impossível alguém não saber disso. No Sul, a temperatura ficou abaixo de zero várias vezes. Em São Paulo, as madrugadas têm ficado constantemente em torno de 5ºC.

Por isso, infelizmente não surpreende a notícia de que cinco pessoas em situação de rua já morreram na capital paulista em decorrência da hipotermia. O que surpreende mesmo é saber que, nesse cenário, a Guarda Civil Metropolitana (GCM) tem retirado colchões, papelões (que são transformados em abrigos) e até cobertores de moradores de rua, itens fundamentais para eles poderem dormir com um mínimo de segurança. Os repórteres Bruno Ribeiro e Felipe Cordeiro fizeram um ótimo relato da situação no jornal Estado de São Paulo.

Os argumentos para essa ação é evitar que as pessoas em situação de rua acabem criando moradias improvisadas. Os argumentos são claros. Na reportagem do Estadão linkada acima, Gilson Menezes, comandante da GCM, comentou: “Damos auxílio nesse trabalho de remoção de material inservível. E são retirados os colchões, realmente. É para tirar moradias precárias. A ideia de retirar os colchões é evitar que o espaço público seja privatizado”.

O prefeito Fernando Haddad foi dúbio ao comentar o caso nesta terça (14), pois afirmou que a retirada do material é proibida, mas há uma ordem para evitar a favelização. “E o que é favelizar? É aquilo que acontecia no Largo São Francisco. Aquilo que acontecia na região da Luz. Na Praça da Sé. Nós fizemos a desfavelização em sete praças públicas da cidade de São Paulo. Sem nenhum higienismo. Todo mundo que estava na praça foi acolhido pelos equipamentos da Prefeitura”, disse.

Os “equipamentos da prefeitura” são abrigos. Há uma discussão já bastante antiga e conhecida das autoridades sobre o porquê de essas instalações não serem aceitas por muitos moradores de rua. E os principais motivos são as condições impostas para quem vai dormir esses espaços: horários de entrada e saída, veto a animais de estimação, dificuldade em guardar carroças (ferramenta fundamental de trabalho), não acolhimento de casais ou de famílias, localização (muitas vezes distante das regiões em que o morador está estabelecido).

O modelo de acolhimento de pessoas em situação de rua é complexo e vale uma longa discussão. Independentemente de qual seja a visão de cada lado sobre o sistema atual, uma coisa deveria estar acima de tudo isso de tão óbvia que é: no frio que vem fazendo, retirar cobertores e abrigos de moradores de rua é aumentar brutalmente a chance de as estatísticas de mortes de frio aumentarem a cada manhã.

Obs.: Se você quer entender como se “morre de frio”, veja aqui.