Rio-2016 quer promover o esporte inibindo as pessoas de praticá-lo

Para que servem os Jogos Olímpicos? Para que serve o esporte? É um entretenimento de alcance mundial e alimenta uma indústria bilionária. Mas, antes de tudo, o princípio fundamental de qualquer evento esportivo é promover – ainda que subliminarmente – a atividade física por parte das pessoas. As modalidades, quaisquer que sejam, existem pela necessidade do ser humano de acionar o corpo para mantê-lo, da mente ao dedão do pé, saudável.

Aparentemente, os organizadores da Rio-2016 esqueceram essa função social do evento com o qual estão trabalhando. Nesta segunda, o comitê dos Jogos distribuíram a nova edição de sua newsletter com dicas sobre como chegar às arenas onde serão realizadas as competições. É basicamente um informativo sobre o RioCard, lançado no início do mês e já abordado aqui no Outra Cidade.

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No entanto, uma nota no pé da publicação chamou a atenção:

Trecho de newsletter da organização Rio-2016
Trecho de newsletter da organização Rio-2016

Veja: os Jogos do Rio de Janeiro não terão infraestrutura para receber torcedores que se locomoverem por bicicleta e outros meios de transporte ativo que não sejam a caminhada. Para reforçar essa condição, a organização expressamente fala em “evitar utilizar” esse tipo de veículo.

Há várias considerações urbanísticas a ser feita sobre a medida e como ela potencialmente colocará mais carros (particulares ou na forma de táxis e Ubers) nas ruas e sobrecarregará o transporte público, isso se todos resolverem pagar o preço alto do bilhete olímpico.

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Mas há uma outra questão: a contradição de se organizar um evento poliesportivo, que celebra a capacidade do ser humano de realizar façanhas com seu corpo e apresenta ao público dezenas de modalidades diferentes, e não incentivar que as pessoas levem esses exemplos para seu dia a dia. Um contrassenso em uma cidade que já tem a cultura da prática esportiva em espaços públicos, sobretudo na orla da praia ao redor de parques e da Lagoa Rodrigo de Freitas.

Em um momento em que se fala tanto do legado que a Olimpíada deixará no Rio de Janeiro, vê-se que as obras inacabadas ou não realizadas não serão os únicos exemplos de oportunidade desperdiçada. Até a chance de reforçar a presença da atividade física, do combate ao sedentarismo, se perde em coisas pequenas como não term um bicicletário nas arenas esportivas recém-construídas.

Pesquisa Ibope é ruim para Haddad, mas boa para política de mobilidade

Celso Russomano em primeiro, com vantagem considerável. Depois, o trio de candidatos de esquerda (Marta Suplicy, Luiza Erundina e Fernando Haddad) e, em seguida, a dupla ligada ao PSDB, João Dória Jr (PSDB) e Andrea Matarazzo (PSD). Esse é o panorama apontado pela pesquisa do Ibope divulgada nesta terça para a eleição municipal de outubro. Mas o levantamento não tratou apenas da intenção de voto dos paulistanos.

A pesquisa foi encomendada pelo Setcesp (Sindicato das Empresas de Transporte de Carga de São Paulo e Região). Por isso, várias questões envolvendo transporte de cargas e mobilidade foram incluídas nas entrevistas. São dados interessantes, sobretudo porque envolvem uma área que tem sido muito ativa – e gerado muita polêmica – na atual gestão municipal.

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A base de dados foram os 602 eleitores paulistanos entrevistados, com margem de erro de quatro pontos percentuais para mais ou para menos. Na questão de transportes, 51% disseram usar o ônibus no dia a dia, enquanto 24% transitam de carro, 13% de metrô, 4% de trem, 2% de moto e a pé, 1% de bicicleta e táxi e 2% de outros modos.

A primeira série de questões era sobre o rodízio, que proíbe os motoristas de trafegarem com seus automóveis entre 7h e 10h e entre 17h e 20h uma vez por semana no centro expandido. Os entrevistados preferem o modelo atual do que opções de ampliar as restrições, medidas propostas para tirar ainda mais carros das ruas da capital paulista.

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Outras questões, mais diretamente ligadas à gestão municipal, dizem respeito a políticas adotadas pelo atual prefeito, Fernando Haddad. Todas elas causaram muita controvérsia, sobretudo por atingir diretamente os motoristas de carro (redução da velocidade máxima nas vias e aumento de espaço para corredores/faixas de ônibus e vias/faixas para bicicleta).

Os números refletem essa divisão da cidade, pois os índices de aprovação e de desaprovação são próximos nas questões sobre redução de velocidade e implantação de ciclovias e ciclofaixas. Ainda assim, a maior parte dos pesquisados aprova as medidas. A ampliação de faixas de ônibus é quase unânime na pesquisa (97%), o que não chega a surpreender pois é difícil alguém argumentar contra o transporte público, mesmo os que não o utilizam normalmente.

Nem o impacto da implantação das ciclovias no dia a dia das pessoas consultadas trouxe reprovação à medida:  31% disseram que piorou, enquanto que, 65% ficaram entre “não afetou” (47%) e melhorou (18%).

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Pensando apenas nas políticas de mobilidade, esses resultados devem ser vistos como aprovação das medidas de Haddad nesses temas. No entanto, não se pode perder de vista que o prefeito aparece com 55% de reprovação, 7% de intenção de votos e 46% de rejeição, sinais de que não está tão prestigiado assim, possivelmente por atitudes em outras áreas.