Um teste para ver se você não se deixa enganar por cópias ao ver um ponto turístico

Gôndola pelos canais falsos do hotel Venetian, em Las Vegas (Divulgação)
Gôndola pelos canais falsos do hotel Venetian, em Las Vegas (Divulgação)

Reproduzir um ambiente, um cenário, um monumento histórico é coisa antiga. Muitas vezes é uma forma de homenagear o marco original, outra é de atrair um pouco de atenção do público. Na China, o excesso de dinheiro sobrando (como nos hotéis-cassinos de Las Vegas, caso da foto acima) e uma admiração talvez um pouco exagerada pelos ícones ocidentais criou uma mania em construir cópias de pontos turísticos europeus e norte-americanos.

Esse foi o mote para mais um teste do Guardian Cities, a página de vida urbana do jornal inglês Guardian. Você consegue identificar o monumento verdadeiro do falso? São 12 comparativos, sete deles da versão original contra uma chinesa. Acertamos todos, então não é tão difícil assim.

Em que ano estamos em cada calendário usado no mundo

Feliz 2017! Mas não estamos em 5777? Ou talvez em 4713? Quem sabe não estejamos comemorando o ano 29 da era atual? Boa parte do planeta adota o calendário gregoriano de uma forma ou outra, mas o ser humano criou centenas de formas de marcar datas ao longo da história. Algumas delas foram utilizadas por séculos, e algumas ainda são empregadas oficialmente por governos ou têm uso para situações específicas.

Há padrões dos mais diversos, tanto na definição do ponto de partida para a contagem do calendário quanto na divisão do ano em dias e meses. Em alguns calendários, como o islâmico, o ano não tem 365 dias. Outros até tem, mas o padrão para anos bissextos é diferente do que usamos na maior parte do Ocidente.

Então, veja em que ano estamos em alguns dos calendários mais importantes do mundo e como eles iniciaram sua contagem:

JUDAICO

Ano: 5777
Início da contagem: um ano antes do que seria a criação do mundo

ISLÂMICO

Ano: 1438
Início da contagem: fuga de Maomé de Meca para Medina

CHINÊS

Ano: 4713 
Início da contagem: início do reinado de Huang Di, conhecido como Imperador Amarelo. Há outras contagens adotadas, a mais usada nos coloca no ano 105 (a partir do início da República da China, versão adotada em Taiwan)

ETÍOPE

Ano: 2009
Início da contagem: nascimento de Jesus, mas com base em uma datação diferente da usada no calendário gregoriano

PERSA

Ano: 1395
Início da contagem: fuga de Maomé de Meca para Medina. Como o calendário persa é solar, o ano é mais longo que o islâmico (lunar), o que explica a diferença de datas mesmo tomando o mesmo ponto de partida

JAPONÊS

Ano: 29 da Era Heisei
Início da contagem: subida ao trono do imperador Akihito (“Heisei” é o nome da era correspondente ao atual imperador)

BENGALI

Ano: 1423
Início da contagem: início do reinado de Shashanka em Gauda (reino que unificou a região do atual Bangladesh e leste da Índia)

NORTE-COREANO

Ano: 105
Início da contagem: nascimento de Kim Il-Sung, líder da Coreia do Norte

ARMÊNIO

Ano: 1465
Início da contagem: cisão entre a Igreja Apostólica Armênia e a Igreja Católica Romana

TAILANDÊS

Ano: 2560
Início da contagem: morte de Buda

ASSÍRIO

Ano: 6766
Início da contagem: fundação da cidade de Assur

BÉRBERE

Ano: 2966
Início da contagem: subida de Shoshenk I (por ter origem líbia, seria o primeiro bérbere proeminente) ao posto de Faraó do Egito

BIZANTINO

Ano: 7525
Início da contagem: data estimada para a criação do mundo (entre os calendários mais importantes, é o que nos coloca em uma contagem mais alta de ano)

COPTA

Ano: 1733
Início da contagem: subida de Diocleciano ao trono romano (um marco de martírio, pois o imperador perseguiu muitos cristãos, sobretudo no Egito)

COREANO 

Ano: 4349
Início da contagem: início do período Gojoseon (uma das eras do Reino da Coreia). O calendário foi oficial da Coreia do Sul até 1961, quando foi substituído pelo gregoriano

JULIANO

Ano: 2016
Início da contagem: nascimento de Cristo. A diferença do calendário gregoriano é de apenas 13 dias. Ou seja, o Ano Novo está chegando

Que países não comemoram o Ano Novo em 1º de janeiro?

Dezembro está acabando, janeiro está começando, e bilhões de pessoas estão se envolvendo em algum tipo de evento (de festa a apenas fazer promessas) para a virada de ano. Estamos tão acostumados a ver a numeração do ano e a forma de dividir o calendário estar ligada à eventos religiosos que muitas vezes esquecemos como isso, no final das contas, é uma unidade de medida. E, como unidade de medida, quanto maior a padronização internacional, melhor.

A indústria norte-americana adota o sistema métrico ao lado do imperial, pois isso facilita o comércio internacional de seus produtos. Da mesma forma, ter datas uniformes reduz o risco de confusões na hora de empresas de diferentes países – ou unidades internacionais da mesma empresa – realizarem planejamento conjunto, firmar contratos ou mesmo alinhar a gestão.

Por isso, muitos países não católicos romanos acabaram adotando o calendário gregoriano de alguma forma. O último católico ortodoxo a manter o calendário justiniano foi a Grécia, que resistiu até 1923. Nações não-cristãs muitas vezes mantêm um calendário tradicional para eventos religiosos e o gregoriano para usos civis. 

Há ainda lugares em que o calendário ocidental é seguido na divisão de meses e semanas, mas a contagem do ano não toma como base o nascimento de Cristo. No Japão e em Taiwan, a contagem é por “eras”, ou o período em que cada imperador ou regime político esteve no poder. Na Coreia do Norte, o calendário tem início no nascimento do líder Kim Il-Sung, em 1912 (“juche 1” para os norte-coreanos).

Então, no final das contas, em que países este fim de semana não tem valor simbólico algum?

São poucos:

– Afeganistão, que usa o calendário iraniano e vira a folhinha em 21 de março do calendário gregoriano (20 de março em anos bissextos);
– Países árabes, que segue o calendário islâmico e celebra o Ano Novo em 1º de muharram. A data varia em relação a nosso calendário. O último caiu em 3 de outubro de 2016. O próximo será em 22 de setembro de 2017. Mas desde os últimos meses, o governo já começou a usar o calendário gregoriano para situações civis;
– Etiópia, que adota o calendário etíope e tem sua virada de ano em 11 de setembro (12 de setembro em anos bissextos);
– Irã, que, como é de se imaginar, também segue o calendário iraniano.

Nas nações acima, o calendário gregoriano não tem uso civil ou religioso e este fim de semana não representa nada em especial. Em outros lugares – como a maior parte das nações islâmicas, Israel, Índia, Bangladesh, Tailândia e China -, a grande celebração de Ano Novo se dá no calendário de suas culturas e/ou religiões, mas o calendário gregoriano tem validade civil e o 1º de janeiro também recebe importância simbólica. Em Israel, por exemplo, serve como um marco para a entrada em vigor de novas leis (1º de janeiro de 2017 será feriado, mas por coincidir com o oitavo – último – dia do Hanukkah).

China apresenta sistema de ônibus elevado, mas questões seguem no ar

A fauna do trânsito está cada vez mais povoada por figuras definidas por siglas: SUV, BRT, VLT… Em breve, talvez tenhamos mais uma, o TEB. Nesta semana, durante a Intel High Tech Expo em Pequim, a China apresentou o Transit Elevated Bus, um sistema de ônibus que trafega pelo alto nas ruas, deixando embaixo de si um túnel ambulante pelo qual passariam os carros. O primeiro protótipo seria testado neste verão (no hemisfério norte, o inverno brasileiro) em Qinhuangdao, cidade 300 km a leste de Pequim.

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A concepção do TEB soa fantástica. O veículo teria o equivalente a duas faixas de trânsito de largura e trafegaria a até 60 km/h. Ele teria capacidade de transportar 1,2 mil pessoas ao mesmo tempo, equivalente a 40 ônibus comuns. Ou seja, na prática, ele substituiria um metrô, mas, por exigir obras menos invasivas, ele teria o custo de menos de 20% e uma linha ficaria pronta em apenas um ano.

O projeto não é propriamente uma novidade. Em 2010, a mesma equipe de engenheiros já havia divulgado um vídeo apresentando um sistema parecido com esse. Imaginar um veículo como esse cruzando as cidades parece coisa de filme de ficção científica, mas os chineses ainda não apresentaram algumas questões importantes para que se veja o impacto que esse sistema pode ter.

Em relação a quantidade de pessoas transportadas, é nítido um ganho grande em relação aos sistemas tradicionais. No entanto, o modelo apresentado pelos responsáveis pelo projeto ainda mostrava cenários conservadores. Por exemplo, o TEB parece adequado para trajetos com avenidas largas, planas e com curvas discretas. Muitas cidades chinesas apresentam esse cenário, mas isso limita bastante o alcance do ônibus elevado.

Como passa por túneis escavados debaixo da cidade, o metrô consegue fazer trajetos de curvas suaves. Passando pelas ruas já construídas, talvez o TEB tenha de lidar com curvas fechadas ou ladeiras acentuadas e, principalmente, ruas estreitas. Claro que é possível desenvolver o projeto para lidar com essas questões, mas essas respostas ainda não foram apresentadas.

Outra questão é a interação do TEB com os carros. Algo fundamental para o bom funcionamento do sistema, pois ele foi concebido justamente para atrapalhar menos o tráfego dos carros. No entanto, o ônibus elevado não é apenas uma massa de metal que sobrevoa os veículos no chão. É também uma parede que circula no meio da rua.

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Será preciso reeducar os motoristas de carros, de ônibus convencionais (se continuarem trafegando) e de caminhões para lidar com isso, pois o TEB tornaria muito mais perigosa qualquer conversão ou mudança de faixa. Uma distração poderia provocar um grave acidente, algo que deve ser considerado quando se fala de China, um dos lugares com trânsito mais caóticos do mundo. Com ciclistas e pedestres, qualquer problema teria consequências ainda mais sérias.

O teste marcado para Qinhuangdao pode responder a essas perguntas. Só nesse momento será possível avaliar o quão exequível é o ônibus elevado, ou se ele fica na categoria de mais uma ideia que soa genial, mas não se mostrou prática no dia a dia.

China diversifica mais sua pauta de exportação: agora tem até policial

Eles estão por todos os lados, normalmente andando em grupos, com máquinas fotográficas em local de rápido acesso e dispostos a gastar muito dinheiro, de souvenires descartáveis a artigos de luxo. Chineses são presença constante em regiões muito turísticas na Europa, sobretudo Itália e França, um fenômeno que já começa a causar problemas… a eles. Por isso, o governo italiano teve uma ideia inusitada: utilizar policiais chineses nas regiões de maior fluxo de turistas.

Desde esta segunda, o patrulhamento nos pontos turísticos de Roma e Milão é feito por equipes que misturam agentes italianos e chineses. Essa política será adotada até o próximo dia 13. O período é curto, mas se encaixa com a época do Dia do Trabalho, uma das temporadas em que mais se tira férias na China (as outras duas são o ano novo, em fevereiro, e a semana do Dia Nacional, em outubro, quando a tradição é reunir a família).

A missão principal dos policiais chineses é justamente ajudar esses milhares de turistas. As autoridades italianas perceberam que, por falta de informação ou de familiaridade com a cultura ocidental, muitos deles se perdiam, não sabiam como recorrer a serviços aos quais tinham direito e, principalmente, se tornavam alvos fáceis de assaltantes ou golpistas.

Para aumentar o sentido de segurança desses turistas, os agentes chineses usarão sua farda tradicional, como se estivessem em Pequim ou Xangai. A ideia faz sentido pela operação em si, mas não surpreenderá se alguns italianos se sentirem incomodados pela presença de autoridades policiais de um país estrangeiro trabalhando com fardas em suas cidades.

O convênio foi firmado em setembro de 2015. Nos últimos meses, os departamentos de polícia dos dois países trocaram informações e experiências, além de treinar os agentes que trabalhariam nessas equipes mistas. Claro, os policiais chineses que participam do programa tinham como um dos requisitos iniciais a fluência em italiano.

O impacto dessa aproximação pode ir além do turismo. Angelino Alfano, ministro do interior da Itália, já deu pistas de que a política pode se estender a outros campos. “Pode abrir uma colaboração importante entre os dois países na troca de informações na luta contra o terrorismo e o crime organizado.” O ministro da segurança pública chinês, Liao Jingrong, fez coro: “É um ponto de partida para estimular a cooperação entre os dois países no desenvolvimento econômico”.

Uma das áreas que mais interessa a Itália é o combate à fabricação de produtos falsificados, sobretudo bolsas, roupas, relógios e outros artigos de luxo.

O supertrânsito de Pequim pode criar o futuro como se via no século 20

O que? Filmes, livros e até desenhos animados do século 20 mostravam o futuro urbano com supertecnologias e máquinas para todo lado. O caminho que a sociedade tem tomado é outro, mas um lugar no mundo tem as condições adequadas para apostar em soluções que lembram as obras de ficção científica de décadas atrás: a China.

O futuro retrô

Carros alimentados por lixo orgânico voando pelas cidades, como se os céus fossem as novas vias expressas. Jaquetas que se secavam sozinhas, tênis que se amarravam sozinhos, skates voadores e uma sociedade sem advogados. Era esse o mundo imaginado pelo filme “De Volta para o Futuro – parte 2”. Um futuro que se passa em 21 de outubro de 2015. Ou seja, a não ser que os próximos nove dias sejam extremamente agitados, as previsões feitas há quase 30 anos (a produção é de 1989) não se realizarão.

O diretor Robert Zemeckis não foi o único a apostar errado. Há algumas décadas, a imagem que se tinha do século 21 era muito diferente da realidade que vivemos hoje. A sensação é de que as máquinas e as tecnologias tomariam conta, as cidades se tornariam monumentos ao automatismo e à assepsia. O exemplo mais caricato disso talvez fosse o desenho animado Os Jetsons.

As previsões falharam por vários motivos. A sociedade acabou encaminhando seu investimento tecnológico em informação e as pessoas começaram a se ressentir das ideias puramente funcionais de cidades, pedindo um retorno a políticas mais humanistas. Um roteirista dos anos 70 ou 80 talvez visse essas ideias como retrô, mas os centros urbanos de hoje buscam valorizar a caminhada, o transporte público, a bicicleta, as viagens mais eficientes de carro, encurtamento de distâncias e valorização do sentido comunitário.

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Mas um lugar ensaia partir pelo caminho oposto e buscar soluções mais “jetsonianas”: a China. Um fenômeno que parece estranho, mas é compreensível dentro da realidade particular do país mais populoso do mundo.

Um sinal disso é um vídeo que se espalhou pelas redes sociais (até o Facebook do Outra Cidade compartilhou. Aliás, você já nos segue no Facebook?). Ele mostra um superengarrafamento no retorno de milhões de pessoas a Pequim após a Semana Dourada, feriado que dura uma semana (já dava para imaginar pelo nome, né?) e celebra o Dia Nacional. Segundo o jornal People’s Daily, cerca de 750 milhões de chineses, mais do triplo da população brasileira, aproveitaram a parada para viajar pelo país.

O pior é que a cena acima não é algo incomum. Em 2010, a estrada que liga Pequim ao Tibete teve um incrível congestionamento de 100 km que demorou nove dias para dispersar. E o cenário nas cidades não é mais encorajador. O desenvolvimento econômico acelerado coloca milhões de pessoas na classe média a cada ano, o que impulsiona violentamente a venda de carros. A  frota chinesa cresce rapidamente e, somada ao aumento da população que troca o interior pelas grandes cidades, cria uma demanda por infraestrutura que as metrópoles não conseguem atender.

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Com um problema emergencial, uma economia em crescimento acentuado e cidades com muitas vias radiais largas, cria-se o cenário para a busca por soluções mais inovadoras.  Muitos dos projetos tecnologicamente mais extravagantes de transporte público têm origem na China. Na última semana, a novidade foi o teste com um ônibus que não usa motorista. Mas há exemplos muito mais radicais (ou “futuristas”, como diríamos há 30 anos), como dois de 2010: o trem que não para nas estações e o ônibus elevado que se transforma em um túnel móvel para os carros.

Talvez essas tecnologias não se mostrem viáveis economicamente ou o resultado prático não seja o esperado, mas é um caminho muito diferente do que ocorre no Ocidente. Mas há uma chance de os chineses acabem encontrando uma solução revolucionária em algum momento. Não é o que precisamos no momento no Brasil, mas, se um dia nossas cidades ficarem mais parecidas com os cenários de Guerra nas EstrelasMinority Report ou O Quinto Elemento ou um cartão postal da Epcot Center, talvez seja com máquinas com o inconfundível “Made in China” no manual de instruções.