Veja como será o túnel que fará parte da ligação de Porto Alegre ao Oceano Pacífico

Serão 14 km por baixo dos Andes, a um custo estimado de US$ 1,5 bilhão em um trabalho que deve demorar de oito a dez anos. O túnel Água Negra será o maior da América Latina e, antes mesmo de sair do papel, já chama a atenção pelo seu gigantismo.

Neste mês, o Ministério de Obras Públicas do Chile divulgou um novo vídeo com detalhes técnicos do projeto da via subterrânea que ligará a cidade de San Juan, Argentina, ao porto chileno de Coquimbo. Vale a pena dar uma olhada:

O túnel substituirá o Paso de Agua Negra, uma das 13 passagens que ligam o Chile à Argentina pelos Andes. O problema é que essa estrada chega a mais de 4,7 mil metros de altitude e, durante o inverno, fica fechada devido à neve. A obra bilionária evitará esses trechos mais altos, mas cria uma grande exigência de ventilação, operação viária e de segurança, circulação e até de proteção contra atividades sísmicas.

Será apenas a segunda passagem subterrânea na fronteira chileno-argentina. A primeira é o túnel Cristo Redentor, utilizado na ligação entre Santiago e Mendoza.

Quando estiver pronto, o Agua Negra fará parte do Corredor Bioceânico Central, uma rota que ligará o Oceano Atlântico ao Pacífico atravessando o Cone Sul, começando em Porto Alegre e chegando a Coquimbo. O objetivo é aumentar a capacidade de movimentação de pessoas e produtos em uma das áreas mais produtivas da América do Sul.

Horário de verão permanente vira debate nacional no Chile

Deixe de lado todas as discussões que você já teve com amigos sobre gostar ou não do horário de verão. Os chilenos levaram isso a outro patamar. Na última semana, o ministério da energia anunciou que, a partir de 14 de maio, entrará em vigor o horário… de inverno.

O Chile tem um histórico de atritos com a hora marcada em seu relógio. Um país comprido no sentido norte-sul, com uma parte bastante próxima ao círculo polar, tem dificuldades em uniformizar a hora. Ainda que todo o território chileno caiba na latitude de um fuso horário, a alvorada e o anoitecer ocorrem em momentos muito diferentes no norte e no sul (no inverno e no verão, a diferença é de mais de duas horas). Por isso, é complicado definir um fuso horário que atenda a todas as regiões do país. O que acabou criando situações extremadas.

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Até o anúncio do governo, os chilenos estavam em horário de verão permanente desde 2015. A hora local, tradicionalmente uma a menos em relação a Brasília, se igualou ao de Brasil e Argentina. Com isso, foram criadas situações inusitadas como o fato de Recife, na ponta oriental da América do Sul, estar com o mesmo fuso de Valparaíso, na costa do Oceano Pacífico. Isso se torna particularmente estranho porque, desde uma crise energética em 1968, o Chile adota uma hora adiante do que deveria pelo mapa (veja abaixo como o Peru, imediatamente ao norte do Chile, tem duas horas a menos que Brasília).

Mapa com os fusos horários do mundo, ainda sem o horário de verão chileno
Mapa com os fusos horários do mundo, ainda sem o horário de verão chileno

A justificativa do governo é aproveitar ao máximo possível as horas de sol para reduzir o consumo de energia e diminuir a violência nas principais cidades do país. É a mesma justificativa utilizada em boa parte do mundo, inclusive no Brasil, e que motivou Hugo Chávez a atrasar permanentemente em meia hora – isso mesmo, um meio fuso – na Venezuela em 2007.

Quem entra cedo no trabalho ou mora em uma região periférica de uma grande cidade e depende de transporte coletivo sabe qual o efeito colateral disso. Ainda que o sol se ponha tarde – o que reduz o consumo de energia elétrica no começo da noite –, há uma quantidade muito grande de pessoas que acordam e saem para o trabalho ainda no escuro. No Chile isso é particularmente pior porque já estava uma hora adiante do normal.

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Uma pesquisa mostrou que 58% dos chilenos gostavam mais do “horário de inverno”. Outro levantamento, do PNUD (Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas), indicou que 45,5% da população defende o horário de verão permanente, 12% quer o horário de inverno permanente e 38,8% prefere um sistema misto.

Com esses dados em mãos, o governo de Michele Bachelet voltou atrás e aceitou voltar os relógios em uma hora. No entanto, o sistema é um pouco diferente do tradicional, em que o horário de verão vigora apenas nos meses mais quentes do ano. No Chile, os relógios seguirão no fuso de Brasília, por mais estranho que pareça, durante nove meses. A hora retrocede apenas no auge do inverno.