Veja quais são as cidades brasileiras com maior número de eleitores

A campanha eleitoral começou (não sei se dá para dizer “finalmente começou”, pois há dúvidas se é algo que a população esperava com ansiedade) e dezenas de milhões de brasileiros irão às urnas decidir o futuro de seus municípios. Apesar de o pleito ficar um pouco ofuscado pelo processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, trata-se de um momento importante pelo estágio da sociedade brasileira. As pessoas começam a mudar a forma de ver sua relação com os locais em que vivem, e o primeiro palco em que esse fenômeno se manifesta são as cidades.

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A população rediscute o espaço urbano e, por tabela, a forma como as autoridades lidam com ele. As eleições municipais representam uma grande oportunidade de as pessoas mostrarem que tipo de política desejam dos futuros gestores públicos.

Para esse início oficial da campanha eleitoral, vamos mostrar quais as cidades que mobilizarão mais pessoas em 2 e 30 de outubro. Apontamos as 15 capitais e as 15 não-capitais (não dá para dizer que são cidades do interior, pois a maioria desses municípios fica na região metropolitana das capitais) com mais eleitores registrados no TSE.

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Prefeitura incentiva táxis a serem fiscais do Uber, e isso não acaba bem

A relação entre taxistas e motoristas de Uber é cheia de atritos, muitas vezes chegando à violência. Um fenômeno que está largamente documentado, com vídeos e relatos vindos de diversas cidades do Brasil. Assim, não é difícil imaginar qual o resultado de uma campanha de governo que colocasse os taxistas como fiscais de operações consideradas ilegais dos carros pretos. É o que está acontecendo em Campinas.

Nesta segunda, 50 pessoas, entre taxistas e motoristas de Uber, causaram confusão em uma delegacia no bairro Taquaral. Houve até ameaças de morte durante o bate-boca, que só foi encerrado depois de três horas e até uso de spray de pimenta por parte dos policiais. Tudo por causa de uma perseguição incentivada pela prefeitura.

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O município de 1,16 milhão de habitantes não reconhece o Uber. Pela Lei Municipal 13.775, de 12 de janeiro de 2010, é clandestino o transporte individual de passageiros que concorra com o serviço de táxi e não tenha autorização da Emdec (Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas), órgão ligado à secretaria municipal de transportes. As penas vão de apreensão do veículo a multa de mil Ufics (Unidades Fiscais do Município de Campinas), um valor equivalente a R$ 3.100.

Para reforçar essa condição de ilegal do Uber, a Emdec lançou uma campanha para que a população assumisse o papel de fiscais e denunciasse as operações do Uber. Foi criada uma linha telefônica com funcionamento 24 horas por dia e um site para que as pessoas pudessem indicar veículos que estivessem transportando clandestinamente passageiros. Além disso, a secretaria de transportes orientou taxistas a fotografarem as placas de carros do Uber e enviasse os arquivos pelo Colab, aplicativo da prefeitura para atendimento a reivindicações dos campineiros.

Essa política acaba servindo de sinal verde para taxistas perseguirem motoristas de Uber, e essa prática tem se tornado comum em Campinas. Na confusão desta segunda, um táxi perseguiu um veículo de Uber durante toda uma corrida. Quando percebeu que havia sido seguido e fotografado, o motorista do carro preto foi tirar satisfação. Houve discussão e um policial interveio, mas outros motoristas, dos dois lados, chegaram.

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O próprio presidente do sindicato dos taxistas de Campinas, Jorge de França, deixou evidente como a orientação da Emdec teve um papel importante nessa perseguição. Veja um trecho dessa reportagem do jornal Correio Popular: “De acordo com França, a orientação da Emdec é para que os taxistas façam imagens da operação do Uber e enviem os documentos por intermédio do aplicativo Colab. Com esta orientação, o taxista passou a seguir, fotografar a placa do veículo e filmar o Uber até o fim do percurso, na mesma região”.

O Uber usa a PNMU (Política Nacional de Mobilidade Urbana) para contestar a Lei Municipal 13.775. O artigo 12 da lei federal diz: “Os serviços de utilidade pública de transporte individual de passageiros deverão ser organizados, disciplinados e fiscalizados pelo poder público municipal, com base nos requisitos mínimos de segurança, de conforto, de higiene, de qualidade dos serviços e de fixação prévia dos valores máximos das tarifas a serem cobradas”. Esse texto foi revisado e atualizado em 2013, retirando a previsão de que o serviço de transporte deva ser prestado “sob permissão”.

Mas, legalismos à parte, é preciso se encontrar uma solução mais saudável para a briga entre táxis e Uber em Campinas. Incentivar taxistas a trabalharem como fiscais é acirrar ainda mais uma relação que já é tensa e agressiva. E alimentar isso pode levar a situações fora de controle.