VÍDEO: Qual a extensão do incêndio na Califórnia? Bem, ele fez Los Angeles parecer Mordor

Os californianos estão cada vez mais acostumados em lidar com incêndios na mata. O tempo seco e os ventos são um ambiente propício para a propagação das chamas, que muitas vezes chegam a regiões habitadas e causam mortes e forçam o deslocamento de pessoas. É o que está acontecendo nesta semana, com o fogo se aproximando de Los Angeles e criando imagens quase cinematográficas.

Veja esse vídeo feito por um angelino que estava na Interstate 405, uma das principais vias expressas da Grande LA, indo ao trabalho. Parece que ele está indo para Mordor fazer uma reunião de negócios com Sauron.

A cena é assustadora e perigosa, tanto que a via foi interditada nesse trecho. Em teoria, uma grande via como essa pode funcionar como uma barreira para as chamas e impedir o avanço do incêndio. No entanto, se o vento estiver forte demais, o fogo pode atravessar a pista e ser reiniciado do outro lado.

Como a economia de Oakland explica a trajetória dos times profissionais locais

Torcedor dos Raiders pede para o time não se mudar de Oakland (Stay in Oaktown / Facebook)
Torcedor dos Raiders pede para o time não se mudar de Oakland (Stay in Oaktown / Facebook)

Ainda não se sabe por quanto tempo, mas há elementos de sobra para cravar que o Oakland Raiders como conhecemos está com os dias contatos. A franquia está em negociações abertas em busca de um novo estádio e dificilmente haverá algum arranjo que faça o time permanecer na cidade onde vive desde 1995. A candidata mais forte é Las Vegas, ainda que os últimos acontecimentos afastaram a equipe da terra dos cassinos. San Antonio também já conversou com a direção da equipe e até uma mudança bizarra para San Diego (ex-terra do rival Chargers) foi cogitada. Só a continuidade na Baía de São Francisco parece descartada.

Se ou quando isso se concretizar, Oakland dará mais um passo para seu enfraquecimento esportivo. Afinal, já está certo que, em 2019, o Golden State Warriors inaugurará um novo ginásio em São Francisco. Há até especulações de que o time voltaria a se chamar San Francisco Warriors, reforçando a identificação com a nova casa – e se afastando ainda mais da antiga. De repente, Oakland perderia um time que ensaia uma dinastia no basquete e uma das equipes mais tradicionais e de personalidades mais marcantes no futebol americano.

A história do esporte em Oakland tem ligação direta com a dinâmica da economia da região. São Francisco foi a primeira metrópole no litoral norte da Califórnia e sua vizinha, do outro lado da baía, servia apenas como cidade-dormitório para quem não tinha dinheiro para viver perto do trabalho ou para indústrias. Na década de 1960, o cenário mudou. O aumento do uso de contêineres exigiu reforma e ampliação nos portos, e São Francisco não tinha como adaptar o seu. Melhor para o Porto de Oakland, que rapidamente se tornou o principal do estado.

Oakland não deixou de ser uma cidade operária para a rica São Francisco, mas passou a ter uma força econômica própria. O dinheiro do porto atraiu mais empresas, que atraiu mais gente e, no final das contas, atraiu mais times profissionais. Na NFL, o Oakland Raiders foi fundado em 1960 (entre 1982 e 94, jogou em Los Angeles). Na MLB, o Kansas City Athletics se mudou para a Califórnia em 1968. Na NBA, o San Francisco Warriors pegou a Bay Bridge, ponte que atravessa a baía, e se tornou o Golden State em 1971.

Coliseum, casa de A’s e Raiders, ao lado da Oracle Arena, ginásio dos Warriors (Flickr / Shawn Clover)
Coliseum, casa de A’s e Raiders, ao lado da Oracle Arena, ginásio dos Warriors (Flickr / Shawn Clover)

Desde então, muita coisa mudou. O Porto de Oakland perdeu relevância para o de Los Angeles e o de Long Beach e os problemas urbanos passaram a dominar a cidade, tida como uma das mais violentas dos Estados Unidos. Não era mais um ambiente animador para se investir em esportes, ainda mais porque as arenas esportivas já estavam mais do que defasadas. Uma hora a corda ia romper e algumas acabariam migrando.

Neste século, a Baía de São Francisco enriqueceu assustadoramente devido às empresas de tecnologia. O centro disso era São Francisco e a região de San José, ao sul da baía, apelidado de Vale do Silício. Há potenciais torcedores com dinheiro sobrando nesses lugares e, principalmente, empresas e empresários dispostos a patrocinar ou comprar camarotes corporativos de equipes profissionais. Para os Warriors, uma equipe que virou a queridinha dos novos-ricos de São Francisco, atravessar a baía de novo era uma decisão óbvia. Alguma franquia também acabaria buscando o Vale do Silício, que só era representado pelo San Jose Sharks, da NHL. O San Francisco 49ers tomou a dianteira e se mudou para Santa Clara, ainda que tenha mantido seu nome. Essa mudança dos Garimpeiros impediu qualquer movimentação dos Raiders que não fosse a luta por um estádio novo na sua atual sede (a prefeitura e a população rejeitaram financiar) ou partir para outra região metropolitana.

Dessa forma, Oakland provavelmente ficará apenas com os Athletics. E o time, que já tentou se mudar para Santa Clara (o San Francisco Giants barrou por ser o “dono” da área de San José/Santa Clara na divisão de mercados da MLB), dá sinais de que vai ficar. A diretoria até já anunciou que procura investidores para bancar um novo estádio sem uso de dinheiro público. Uma atitude e um comprometimento local muito diferente do visto com Warriors e Raiders. Mas faz sentido.

Sem ter de dividir os torcedores – e os dinheiro de patrocinadores locais – com outras duas franquias, os A’s estarão em situação privilegiada dentro de sua cidade. Além disso, todo o dinheiro que a tecnologia injetou em São Francisco e no Vale do Silício começou a chegar a Oakland. Claro, empresas do setor querem abrir sedes no norte da Califórnia, onde está boa parte da cadeia produtiva dessa indústria, e algumas já começam a buscar a cidade mais desvalorizada da região em busca de imóveis baratos. Um exemplo é o Uber, que inaugurará uma sede gigantesca em Oakland em 2018.

Assim, as perspectivas em longo prazo são relativamente boas para a economia da cidade. O boom trazido pelo porto nos anos 60 talvez não voltem, mas a fama de cidade violenta e sem esperança deve acabar. Os A’s perceberam isso e já se articulam para aproveitar a oportunidade, ainda mais com seus vizinhos de basquete e futebol americano indo embora.

Sabe a árvore de mil anos em que fizeram um túnel para carros? Então, caiu

Sequoias-gigantes são superlativas. As mais antigas nasceram há 3.500 anos, 150 anos ANTES de Tutancâmon ir ao trono no Egito, e estão entre os seres vivos mais velhos do planeta. As mais altas passam de 90 metros de altura e de 8 metros de largura, tornando-se os maiores  e mais volumosos seres vivos. A baleia azul – talvez o maior animal já conhecido – parece nanica com seus 30 metros de comprimento.

Um sinal desse gigantismo foi o uso delas quase como montanhas. Depois de quase acabarem com elas para a construção de dormentes de ferrovias, muitos norte-americanos passaram a ver o porte dessas árvores como atração turística. Algumas tiveram sua base cavada para dar espaço a túneis em que pessoas e, depois, carros poderiam circular. Um fetiche para poucos nas primeiras décadas da era do automóvel.

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Um dos exemplares mais famosos foi a Pioneer Cabin, uma árvore de cerca de mil anos de vida com dez metros de diâmetro que teve um túnel cavado em 1880. O responsável foi o dono de um hotel na região, que queria criar um atrativo turístico em Calaveras que competisse com o Parque Nacional de Yosemite, também na Califórnia.

A Pioneer Cabin foi atravessada por carros durante décadas, mas a circulação de automóveis já estava proibida. Pessoas podiam passar por ela, ao menos até o último fim de semana. No domingo (dia 8), uma forte tempestade derrubou a famosa sequoia-gigante do Parque Calaveras.

É óbvio que uma árvore que tem sua base cavada acaba perdendo sustentação, e é até notável que a Pioneer Cabin tenha suportado 137 anos nessa condição. Menos mal que, hoje, os responsáveis pelos parques dos Estados Unidos já sabem que as sequoias-gigantes sofrem quando passam por isso e não é permitido fazer novos túneis.

A Pioneer cabin Tree caída (Claudia Beymer / Divulgação)
A Pioneer Cabin caída (Claudia Beymer / Divulgação)

Quanto à Pioneer Cabin, os dirigentes do Parque Estadual Grandes Árvores de Calaveras querem deixar a natureza tomar seu rumo. O enorme tronco provavelmente ficará onde está, caído, servindo de abrigo para animais enquanto se decompõe e enriquece o solo de nutrientes.