Franqueado fica irritado com a 7-Eleven e cria a 6-Twelve

As ruas de Boston ganharam uma nova loja de conveniência. Bem onde havia uma unidade da 7-Eleven na rua East Broadway, abriu um estabelecimento com o curioso nome de 6-Twelve. Não precisa ser um gênio para imaginar que o nome representa um ataque à multinacional. Mas o curioso é que a história por trás dessa disputa está justamente um franqueado amargurado com o tratamento que recebeu da grande rede.

Abu Musa abriu uma 7-Eleven em 2005. Após alguns anos, percebeu que a venda de cachorros quentes e taquitos era muito baixa e ele tinha prejuízo com esses dois produtos. Ele queria parar de vendê-los, mas a direção da rede proibiu. Para piorar, a franqueadora o obrigou a vender também pizza e asinhas de frango e a contratar mais um funcionário para a área de comidas quentes contra a vontade do franqueado.

A relação ruiu e Musa decidiu ir à Justiça. No final, as duas partes chegaram a um acordo e o contrato de franquia foi rompido. Mas o empresário não desistiu de trabalhar na área e resolveu abrir uma outra loja de conveniência, sem comidas quentes (claro).

O nome foi uma cutucada na 7-Eleven: 6-Twelve. E, para que o nome tenha sentido, ele manteve o padrão de seu antigo parceiro. Se a 7-Eleven tem esse nome por ficar aberta das 7h às 23h, o 6-Twelve funciona das 6h à 0h. Ou seja, o comerciante terá de trabalhar mais horas (ou contratar gente para isso) para fazer valer o novo nome da loja.

Musa não foi o primeiro a ter a ideia de abrir uma loja com o nome 6-Twelve. Há pelo menos mais duas nos EUA (aqui e aqui). Mas ele é o primeiro a fazer isso por despeito com um antigo parceiro comercial.

Adotar o mapa descolonizado vale pela intenção, mas também não é a solução ideal

O mapa é mais do que uma ilustração da superfície de um lugar, ele é a própria imagem que fazemos desse lugar. Pode parecer uma diferença sutil, mas não é. Isso embute uma série de conceitos na nossa cabeça, desde orientação geográfica até a forma de visualizar acontecimentos históricos ou a realidade social. Foi com base nisso que Hayden Frederick-Clarke, professor de competências culturais de educação de Boston, decidiu trocar os mapas mundi das escolas públicas da cidade.

Como é comum em vários lugares, incluindo o Brasil, as salas de aula de Boston adotavam o mapa com a projeção Mercator. Ela foi criada em 1569 para a navegação, mas se tornou uma das mais conhecidas e acabou consagrada por ser de fácil visualização. O problema é que ela distorce loucamente a área de territórios localizados em latitudes altas.

Mapa político na projeção Mercator
Mapa político na projeção Mercator

Desse modo, a Mercator apresenta a América do Norte, a Rússia e a Europa muito maiores do que realmente são na comparação com locais próximos ao Equador, como América Latina, África e Sul da Ásia. Por exemplo, a Groenlândia parece maior que a América do Sul, quando, na verdade, ela tem apenas 12,2% da área do continente. Por isso, essa versão de mapa mundi foi considerada muito eurocêntrica e colonialista, privilegiando, ainda que sem ter esse objetivo inicial, os países desenvolvidos.

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Entre as diversas projeções do planeta já criadas, a Gall-Peters teve como objetivo justamente corrigir distorções na área. Assim, ela apresenta cada continente, cada país, com a proporção correta de sua área, mostrando como países latino-americanos e africanos são realmente grandes (veja acima um mapa Gall-Peters com traços da Mercator em cima). E foi o mapa escolhido pela rede de ensino de Boston.

A intenção é boa e a mensagem é bastante válida. Mas a adoção dessa medida precisa vir acompanhado de aviso sobre os princípios desse mapa. Para igualar a proporção da área em cada parte do globo, a projeção Gall-Peters achata os territórios próximos aos polos e estica na região do Equador. Veja como fica na ilustração abaixo:

Ilustração mostrando as distorções da projeção Gall-Peters
Ilustração mostrando as distorções da projeção Gall-Peters

Em princípio, isso não chega a ser muito problemático. Mas, em um mapa com as divisões políticas, há óbvias distorções no desenho de cada país.

Mapa mundi na projeção Gall-Peters com a divisão política
Mapa mundi na projeção Gall-Peters com a divisão política

O Brasil é um dos melhores exemplos desse problema. O país aparece bastante alto e relativamente magro, sendo que, na verdade, a distância entre os pontos extremos leste-oeste (4.394 km) é ligeiramente maior do que a norte-sul (4.319). E é possível interpretar que uma imagem de um Brasil “alto” favorece a visão de que o eixo de desenvolvimento do país precisa ser nesse sentido, seguindo a costa, sem tanta necessidade de se preocupar com o interior (sobretudo regiões Norte e Centro-Oeste).

Além disso, outro problema dessa projeção é que, se usada para visualizar apenas as nações, ela simplesmente mostra um desenhos bastante errado. No final das contas, é uma informação incorreta também, e isso tem de ser considerado pelo professor ou por quem for usar o mapa para ensinar ou explicar algo.

Solução? Não há nenhuma perfeita. Todas as projeções de mapas têm algum nível de distorção, simplesmente porque não é possível passar a superfície de uma esfera para um plano sem fazer adaptações. Cada amante de mapa gosta mais de uma versão, e há quem considere que isso até diz muito sobre a personalidade de cada um. Eu gosto da Winkel-Tripel.

Cerco se fecha: mais um lugar proíbe hoverboard no transporte público

O hoverboard, uma prancha motorizada que roda de acordo com a postura do usuário, virou mania no último ano. Elas não tem nem 1% do charme da original, um skate voador imaginado no filme “De Volta para o Futuro 2”, mas esse segway sem guidão parece um brinquedo interessante para quem quer circular sem se cansar tanto. O problema é que ele tem se mostrado perigoso, e desde esta terça está vetado no transporte público em Boston.

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A MBTA (Massachusetts Bay Transport Authority) divulgou um comunicado proibindo os hoverboards em todas as suas instalações. Isso inclui o interior de veículos de transporte público (ônibus, metrô, trem e barco) e nas estações. A restrição não é apenas ao uso do aparelho, mas até ao porte deles. De acordo com as autoridades, funcionários e seguranças estão orientados a informar a implementação dessa regra a qualquer usuário que carregar um hoverboard, podendo “aplicar o banimento se necessário”.

Aviso da MBTA sobe o uso de hoverboards no transporte público de Boston (Divulgação)
Aviso da MBTA sobe o uso de hoverboards no transporte público de Boston (Divulgação)

Com essa decisão, Boston acompanha outras cidades, como Nova York, Chicago e Londres, e as companhias aéreas, que também limitaram o uso desses equipamentos. O motivo das leis anti-hoverboard é a falta de segurança das baterias de alguns equipamentos. Muitas delas não têm o controle de qualidade e de segurança adequados e causam explosões. Veja um trecho do comunicado da MBTA.

Hoverboards podem pegar fogo. Falhas na bateria de lítio estão na raiz dos incêndios. Falhas na bateria vão de abuso externo à fabricação da célula. Atualmente, não há padrões de segurança regulando o projeto e a fabricação desses aparelhos nos Estados Unidos. As regras da MBTA não permitem que artigos de natureza explosiva e inflamável sejam levados a qualquer estação ou veículo de passageiros.

Um incêndio potencialmente iniciado por uma hoverboard pode expor os passageiros a fumaça e gás tóxico, que podem levar a ferimentos ou à morte. Eles também aumentam o risco de ferimento aos usuários por quedas, colisões, assim como a possibilidade de cair nos trilhos dos trens.

A chegada da lei pode ser uma resposta a um acidente ocorrido no último dia 9. Um hoverboard desligado pegou fogo sozinho e as chamas se espalharam por um apartamento na região norte de Boston. Ninguém se feriu, mas houve prejuízo de US$ 100 mil e dez moradores do prédio tiveram deixar suas casas. Foi o primeiro caso registrado de incêndio causado por um hoverboard na cidade.

MIT usa modelos em Lego para público visualizar melhor um projeto urbano

O que? Nem sempre é fácil trazer as discussões urbanísticas para o público. Uma pessoa sem especialização na área pode considerar algumas maquetes tradicionais muito abstratas e não conseguem contribuir para um projeto. O MIT (Massachusetts Institute of Technology) criou um programa para apresentar planos para uma região de Boston com peças de Lego, que podem ser mexidas pelos visitantes que quiserem apresentar ideias.

Como mostrar um projeto de forma lúdica

As cidades existem por causa de pessoas e seus projetos precisam ter como enfoque as pessoas e o que elas fazem. O conceito é óbvio, mas colocá-lo em prática pode ser mais complicado do que parece. Muitos planos urbanísticos são abertos para a população conhecer, analisar e até sugerir melhorias, mas não é raro a participação ser aquém do desejado pela dificuldade de um cidadão comum lidar com a realidade ou a linguagem dessas apresentações.

Pensando nisso, o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), melhor universidade do mundo na edição de 2015 do ranking QS, criou um programa para apresentar projetos urbanos de forma mais palpável ao público. E a ferramenta escolhida foram peças de Lego.

Crianças brincam de construir prédios e mini-cidades de blocos há séculos, e usar Legos para elaborar uma maquete soa natural. De certa forma, esse princípio é aproveitado. Até pela memória afetiva das pessoas, é fácil usar as peças para imaginar como a cidade se desenvolve e mexê-las como forma de indicar as sugestões. É uma linguagem mais palatável para um leigo e permite mais interação que maquetes (físicas ou eletrônicas) ou plantas.

Mas o Augmented Reality Decision Support Systems (ARDSS, ou Sistemas de Aumento da Realidade para Suporte de Decisões) está longe de ser apenas um brinquedo tamanho família. Várias tecnologias interagem com as maquetes de Lego, oferecendo informações imediatas sobre as consequências de cada sugestão na dinâmica urbana.

No Scout, um dos sistemas utilizados dentro desse programa, leitores identificam o desenho 3D feito de Lego. O usuário pode balancear parâmetros como adensamento, balanço entre moradias e empregos, transporte público disponível e área para pedestres na região. O computador imediatamente calcula as características de mobilidade da área, incluindo a quantidade de viagens necessárias por cada meio de transporte (incluindo deslocamentos a pé).

Outro sistema, o CityScope, foi apresentado em um congresso de urbanismo em Riad, cidade de 5,7 milhões de habitantes na Arábia Saudita. Para mostrar o potencial da tecnologia integrada aos Legos, o MIT organizou uma competição, em que quatro grupos de arquitetos tinham uma hora para montar uma proposta de desenvolvimento para um bairro próximo ao centro da cidade. O sistema definiu o vencedor de acordo com melhores índices de capacidade de se deslocar a pé, desempenho energético dos edifícios e acesso à luz natural.

O MIT já está realizando uma experiência real com essas tecnologias. A universidade criou um espaço para o público conhecer e dar sugestões em cima de um projeto para uma região em torno da Praça Dudley, em Boston.