Veja a construção do mais novo arranha céu de Nova York em apenas um minuto

O grande centro da construção de arranha céus no mundo é a Ásia. Países como Catar, Emirados Árabes, Taiwan, China e Japão lançam projetos cada vez mais espetaculares e mais altos, e acabam até ofuscando o movimento em outros lugares. Caso de Nova York. Tirando o One World Trade Center, construído no local do antigo WTC, não se fala tanto dos novos edifícios altos da maior metrópole dos EUA. Mas eles continuam sendo lançados. Caso do 56 Leonard St. (o nome do edifício é seu endereço, algo comum em NY).

O prédio residencial foi entregue em 2016 e tem 250 metros de altura, o que o torna a 18ª estrutura mais alta de NY – e a primeira no bairro de Tribeca. O projeto previu apenas 57 andares para permitir o conforto de um pé direito alto para cada unidade. Algo compreensivo, considerando que os apartamentos custaram de US$ 3,5 a 50 milhões.

Nesta semana, a incorporadora Alexico, responsável pelo empreendimento, divulgou um vídeo mostrando a construção do 56 Leonard St. resumida em um minuto. É lindo e hipnótico.

Coreanos criam playground dobrável para falta de espaços públicos

Metrópoles cada vez mais adensadas, com o metro quadrado sendo disputado a tapa pelas incorporadoras e espaços públicos sumindo entre as novas construções e obras de mobilidade. No final das contas, áreas livres para a prática de atividades esportivas, seja em praças ou mesmo em escolas, começam a rarear ou a se espremerem. É uma realidade em vários lugares do mundo, e uma criação de um escritório de arquitetura da Coreia do Sul pode ajudar a dar um pouco de alívio para essas áreas.

O BUS Architecture, desenvolveu o Undefined Playground (“playground indefinido”). Trata-se de uma estrutura de 3,66 metros de altura dobrável em várias configurações (veja galeria abaixo). Para cada uma das faces que se expõe, é possível realizar alguma atividade recreativa ou de útil para uma praça pública: futebol, basquete, tênis, disco, banco para descanso e uma pequena sala – que pode se transformar em uma pequena venda de lanches ou mesmo um local para guardar equipamentos esportivos.

A ideia do designer Park Ji-Hyun, principal responsável pelo projeto, era criar um espaço em que várias pessoas pudessem praticar atividades diferentes ao mesmo tempo em locais apertados. A estrutura modificável cria um aspecto mais lúdico em torno do espaço, virando ele próprio uma ferramenta de brincadeira e interação para crianças. Outra vantagem desse sistema é que, por ser portátil, pode ser colocado de forma provisória, como no caso de eventos pontuais.

Claro que, no geral, não substitui uma quadra de esportes ou um playground público equipado adequadamente. Mas pode se tornar uma solução interessante para espaços em que a estrutura ideal é impossível ou demoraria a ser construída. E dar motivos para as pessoas irem às ruas realizar atividades físicas e recreativas é sempre bom.

Brasília poderia ser diferente, mas seu destino era o modernismo

Impossível uma pessoa que goste de discutir temas urbanos se abster sobre Brasília. O projeto da cidade que completa 66 anos nesta sexta diz tanto sobre sua alma quanto o fato de ser a sede do governo federal. Há quem ame as avenidas largas e a lógica da organização dos setores do Plano Piloto. Há quem odeie justamente as mesmas coisas. O responsável por esse urbanismo é Lúcio Costa, mas poderia ser uma série de outros arquitetos. Porque parecia que o destino da nova capital era ter um caráter modernista.

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Quando foi decidido que o projeto de transferir a capital para o Planalto Central, uma ideia já prevista na primeira constituição republicana, de 1891, finalmente sairia do papel, o presidente Juscelino Kubitschek designou Oscar Niemeyer para comandar os trabalhos da elaboração do projeto urbanístico. O arquiteto rejeitou a oferta, sugerindo o lançamento de um concurso para definir o urbanismo e se oferecendo para projetar os principais edifícios da nova cidade. JK aceitou a ideia.

Foi na forma como se conduziu esse concurso que se definiu o destino da cidade. As regras foram elaboradas pela Novacap (Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil), criada especificamente para viabilizar a construção de uma cidade inteira em apenas três anos. Tanto que tinha autonomia para realizar contratações sem licitação – o que ajudou a acelerar o processo.

Brasília em 1980 (AP Photo/Pe Vedadano Brasil)
Brasília em 1980 (AP Photo/Pe Vedadano Brasil)

Os projetos seriam apreciados por uma comissão composta por um representante da presidência, um indicado por uma associação de engenheiros, dois membros do Instituto de Arquitetos do Brasil e três urbanistas estrangeiros indicados por Juscelino. Esse grupo tinha forte influência modernista, pois a maioria dos jurados estavam ligados a Niemeyer, diretor de urbanismo da Novacap.

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Foram entregues 26 propostas e sete foram indicadas como finalistas. Todas elas com o caráter modernista de setorização, funcionalidade e eficiência dentro da visão da época. A visão de Lúcio Costa venceu, mas as demais não traziam uma Brasília tão diferente em sua essência. Veja só:

Boruch Milman

A administração governamental seria instalada em uma cidade pequena, de crescimento controlado, ao lado de uma área de expansão supostamente ilimitada em cidades-satélite. A capital teria um formato em L e ficaria às margens do Lago Paranoá e as zonas residenciais alternariam casas e edifícios de três ou doze andares.

Brasília_Projeto Boruch Milman

Rino Levi

Brasília seria a cidade dos arranha céus, com sua estrutura pensada na vertical. Rino Levi imaginou uma cidade com torres de mais de 300 metros com comércio, habitação, escolas e escritórios. Cada superbloco teria quatro unidades residenciais para 4 mil pessoas cada, conectadas por pavimentos de ligação, com escolas, comércio e até hospitais a cada sete andares. Os conjuntos habitacionais seriam formados por grupos de três superblocos e cercariam o setor administrativo da cidade.

Brasilia_Projeto Rino Levi

MMM Roberto

A capital federal seria a junção de sete pequenas cidades de 72 mil habitantes cada. A ideia dos irmãos Marcelo, Mílton e Maurício Roberto era criar subcidades circulares autossuficientes em comércio, lazer, educação e saúde. As distâncias seriam pequenas, com uma pessoa podendo chegar ao centro de sua área em 15 minutos de caminhada. Nessa área central estaria a maior parte dos serviços e até parte da administração. Lá também passariam monotrilhos, que ligariam as minicidades entre si e à Praça dos Três Poderes. Se Brasília crescesse muito, o projeto contemplava a possibilidade de se dobrar a quantidade de subcidades.

Brasília_Projeto MMM Roberto

Henrique Mindlin e Giancarlo Palanti

Brasília ficaria imersa em áreas verdes, com traçado contornando o Lago Paranoá. A organização da cidade não seria tão diferente da atual, pois ela se dividiria em um eixo administrativo e um de habitações, com comércio e lazer no cruzamento. O problema é que esse projeto previa a separação da moradia por classes e deixava ministérios e embaixadas muito distantes.

Brasilia_Projeto Henrique Mindlin

Vilanova Artigas

Era o projeto mais verde entre os finalistas. Brasília seria dividida em zonas administrativa, comercial e residencial com espaço até para pequenas chácaras. A população seria separada entre funcionários públicos e pessoas que estivessem por pouco tempo (turistas ou moradores de temporada).

Brasilia_Projeto Vilanova Artigas

Milton Ghiraldini

O centro teria os setores administrativo, comercial e cultural. Em torno dele haveria quatro superquadras com até 2 km de extensão cada e parques interiores. O trânsito de pedestres e o de automóveis seriam independentes entre si.

Brasilia_Projeto Milton Ghiraldini

Obs.: Para saber mais dos projetos que não foram finalistas, veja esse ótimo artigo na revista AU – Arquitetura e Urbanismo.