Para combater o zika, cidade americana quer atrair morcegos

North Hempstead é um município de 220 mil habitantes, a maior parte deles de classe média, na região metropolitana de Nova York. Até o momento, não teve nenhum caso de zika registrado, mas já está preocupada com o verão e a possibilidade de a doença alcançar sua população. Por isso, começou a botar em prática seu plano para combater o vírus que tem causado tantos danos no Brasil. Um plano para lá de criativo.

A prefeitura está instalando abrigos para morcegos nos parques e praças da cidade. O objetivo é atrair os animais que se instalaram em casas e nas cidades vizinhas e torcer para que seu apetite ajude no controle da população de mosquitos de North Hempstead.

Os especialistas consultados pelas autoridades calculam que cada morcego tenha capacidade de devorar cerca de mil insetos por hora. Não há registro da presença do Aedes aegypti no estado de Nova York, mas há uma população considerável do Aedes albopictus, espécie que também pode transmitir a dengue e o zika.

A medida combate os mosquitos, mas também aumenta a presença dos quirópteros em áreas públicas. Mas isso não preocupa a prefeitura. “Há nove espécies de morcegos no estado de Nova York, mas nenhuma delas se alimenta com sangue”, afirmou Liliana Dávalos, professora do departamento de ecologia e evolução da Universidade Stony Brook em entrevista ao New York Times. Além disso, menos de 0,5% dos morcegos dos Estados Unidos têm o vírus da raiva.

A prefeitura até se cercou de argumentos técnicos, mas a questão é ver como a população lidará com a situação. Ainda mais se surgir uma superpopulação de morcegos pelas praças da cidade.

Cachorros precisarão de licença para passearem sem coleira em Berlim

A Alemanha tem uma população canina de quase 7 milhões, quase um a cada dez seres humanos. E, ao menos em Berlim, alguns desses seres humanos terão de lidar com mais burocracia se quiserem manter o saudável hábito de passear com o seu cão. Na última semana, a câmara dos vereadores da capital alemã aprovou uma lei que obriga os donos de cachorros a terem uma licença para provar que seus animais são educados se quiserem andar sem coleira.

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A hundeführerschein – que foi traduzida como “carteira de motorista para cachorros” pela imprensa de língua inglesa, mas também pode ser lida como “licença de condutores de cães”, o que faria mais sentido – prevê que os novos cachorros com menos de 30 cm de altura tenham de possuir uma permissão para passear sem coleira. Para obtê-la, o dono terá de comprovar que o animal é bem comportado e obediente. Se o bicho de estimação for grande, com mais de 30 cm, nem adianta fazer cara de triste com as orelhas abaixadas ou abanar o rabo para mostrar-se amigável: a coleira é obrigatória.

As autoridades querem controlar um pouco os efeitos de tantos cachorros – são cerca de 100 mil – em Berlim. Na capital alemã, é comum uma pessoa levar seu cão para diversos lugares, de café ao transporte público. Isso pode criar inconvenientes na interação dos animais com humanos desconhecidos e muita sujeira pelas ruas da cidade. Por isso, ter um bicho de estimação pode ser bastante custoso para um berlinense. A prefeitura estabelece que o dono de um cão tem de pagar uma taxa de € 100 para ter o animal e uma anual de € 40, relativa à limpeza das ruas.

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A lei não teve recepção muito calorosa dos donos de cachorros. Não apenas pelas restrições, que consideram discriminatórias, mas por burocratizar ainda mais o processo. Além disso, há desconfiança de que dificilmente haverá fiscalização suficiente sobre o uso ou não da coleira, sobretudo nos parques da cidade.

Mariposas já evoluem para evitar os perigos das luzes urbanas

É a dança da morte. Em noites quentes, mariposas e outros insetos se sentem atraídos por luzes das grandes cidades e voam hipnotizados em torno delas. Não sabem, mas estão virtualmente se suicidando. A maioria morre queimada pelo calor das lâmpadas. Algumas outras são expostas e se tornam presas fáceis para predadores, como aves. No final, só alguns sobrevivem, e eles podem estar passando seus ensinamentos para as novas gerações.

Um estudo realizado na Suíça identificou uma mudança de comportamento em mariposas urbanas. A equipe de biólogos, formada por cientistas da Universidade de Zurique e da Universidade de Basileia, acompanhou o desenvolvimento e ações de 1.050 mariposas adultas. Algumas são descendentes de insetos que sempre viveram em cidades pequenas do interior do país. Outras habitam áreas adensadas na região metropolitana de Basileia. Essas últimas tinham menos propensão a seguir lâmpadas durante a noite.

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Os pesquisadores consideram esse um resultado de evolução. Durante décadas, mariposas que se atraíam menos pelas luzes tinham mais chances de sobreviver e de terem descendentes. Com isso, as novas gerações evoluíram, reduzindo cada vez mais esse tipo de comportamento.

Mariposas voam em torno de poste deiluminação em Tudela, Espanha (AP Photo/Alvaro Barrientos)
Mariposas voam em torno de poste deiluminação em Tudela, Espanha (AP Photo/Alvaro Barrientos)

A seleção natural pode ter aumentado a expectativa de vida das mariposas urbanas, mas as consequências desse fenômeno ainda são desconhecidas. Sem seguir luzes artificiais, as mariposas tendem a se movimentar menos pela cidade, reduzindo sua capacidade de colonização e de polinizar a vegetação. Além disso, essa mobilidade menor a expõe menos a predadores, que podem sentir a queda da oferta de alimento.

Pombos estão medindo a poluição de Londres, e em breve serão as pessoas

Os londrinos deram a sua cidade o título de “Mais tóxica do mundo”. Tudo bem que o passado de Londres, sobretudo em saneamento, era bastante problemático. Mas, hoje, a capital britânica está longe do topo no ranking de cidades mais poluídas do mundo, o que não impede os locais de lutarem por mais melhorias. E, em breve, eles podem ajudar ativamente no monitoramento do ar.

A Plume Labs criou um dispositivo portátil para medir a poluição atmosférica. O aparelho identifica a quantidade de dióxido de nitrogênio (NO2), ozônio (O3) e componentes orgânicos voláteis. Os dados são imediatamente passados a um aplicativo no celular do usuário, que consegue evitar as áreas em pior situação. Além disso, o sistema poderia repassar todos os dados a pesquisadores do Imperial College of London, que teriam mais elementos para estudar como as pessoas podem se proteger da poluição.

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Mas tudo isso ainda é para o futuro. O que há de concreto para o momento é que pombos farão isso. Exatamente, pombos, as aves comumente tratadas como pragas urbanas.

O sensor de poluição tem o peso de uma pena e pode ser carregado por um pássaro sem dificuldade. Assim, a Plume colocou o dispositivo em dez pombos treinados especialmente para sobrevoar diversas áreas de Londres por três dias (terça, quarta e quinta desta semana). Os dados serão disponibilizados pelo Twitter. Basta qualquer pessoa enviar uma mensagem para o perfil da Patrulha Pombal e receberá uma resposta com as informações.

O objetivo da ação aviária é promover o projeto que envolverá pessoas comuns. A Plume Labs está recrutando voluntários para realizar, em junho, um grande teste da versão beta do sistema. Além disso, a empresa criou uma campanha de arrecadação coletiva para financiar o desenvolvimento e produção em escala do sensor. A vaquinha estará aberta até 3 de abril.

Holanda tem uma ideia para acabar com acidentes com drones: águias

O que é? As cidades holandesas tiveram um aumento de acidentes causados por drones voando fora das regras de segurança estabelecidas pelo governo. Para evitar que isso se transforme em um problema maior, a polícia local estuda a adoção de um sistema curioso para abater os equipamentos que estejam levando perigo ao público: águias.

Proteção de território

Ainda é cedo para dizer que drones sejam elementos corriqueiros da paisagem urbana, mas eles já começam a causar alguns incômodos. Diversos equipamentos são utilizados para fazer imagens áereas, mas muitas vezes seus operadores passam do limite e acabam levando perigo às pessoas no solo. Ou por voar baixo demais, ou por perder o controle e ver o equipamento despencar.

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Na Holanda, foram registrados 27 acidentes causados por drones entre janeiro e junho 2015, um aumento de 80% em relação a todo o ano anterior, que já representava um crescimento de 87,5% em relação a 2013. O governo decidiu criar uma série de restrições de voo a desses equipamentos: eles não poderiam mais ficar a mais de 50 metros de altura e 100 metros de distância do controlador, a menos de 50 metros de outras pessoas e prédios e de 5 km de aeroportos.

Nem isso parece ter resolvido, porque os holandeses anunciaram uma medida curiosa para combater o uso irregular dessas pequenas máquinas voadoras. A polícia fez uma parceria com a empresa Guard from Above (Guarda vinda de cima, em tradução livre) para usar águias como armas de ataque a drones.

A ideia é inusitada, mas tem uma linha de raciocínio. Devido a seu tamanho, muitos drones são encarados como aves por outros animais. Para uma ave de rapina, eles podem representar uma ameaça a seu território e, por isso, já houve casos de águias abatendo os equipamentos voadores. A questão seria apenas treiná-las para agir apenas quando a máquina estiver voando em área irregular.

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Segundo os responsáveis por preparar as águias, elas não se ferem no ataque. “As aves podem atingir os drones de forma que elas não são feridas pelas hélices. Elas parecem acertar o equipamento bem no centro, onde não são acertadas. Elas têm uma incrível capacidade visual e provavelmente podem ver as hélices”, comentou Geoff LeBaron, diretor da Christmas Bird Count (ONG que trabalha no censo da população de aves nos EUA), em entrevista ao jornal britânico Guardian.

A “tecnologia de abate” ainda está em fase de testes e a polícia holandesa ainda tem dúvidas sobre sua aplicação em grandes cidades. Uma questão bastante pertinente, pois aves de rapina podem ser até mais perigosas em áreas urbanas que um drone voando fora dos padrões de segurança, como bem sabem os pais dessa criança em um parque de Montreal:

Obs.: também achamos uma péssima ideia sonorizar o vídeo com “Carruagens de Fogo”.