Se toda a humanidade vivesse em um prédio, onde ele seria construído? No Paraná, claro

Qualquer pessoa que já pegou o trânsito de uma metrópole mundial pensou alguma vez se é saudável ter tanta gente morando no mesmo lugar. Mas podia ser pior. O Real Life Lore, um dos canais mais legais do YouTube, já fez as contas se toda a população da Terra vivesse na mesma cidade. Agora, foram para um aperto ainda maior, um teste à claustrofobia de qualquer um: e se toda a humanidade morasse no mesmo edifício?

Claro que não é uma proposta viável, apenas um exercício de imaginação. O imóvel seria mastodôntico e, bem, não há motivos para alguém investir nisso. Mas o autor tenta tornar sua ideia o mais exequível possível, incluindo a busca por um lugar em que esse prédio fosse minimamente viável.

Como todo investidor do mercado imobiliário já disse ou ouviu, as três coisas mais importantes de qualquer empreendimento são localização, localização e localização. E qual seria o lugar ideal para se fazer esse edifício em que morariam 7,4 bilhões de pessoas? No interior do Paraná, claro!

As justificativas são simples: grande oferta de água doce e de produção de energia (represa de Itaipu e proximidade com área adequada para painéis solares). Alguns podem até propor outros lugares para esse megaprédio, mas os paranaenses orgulhosos (ou seja, todos os paranaenses) têm mais um argumento para afirmar que o Paraná é o melhor lugar do mundo para se morar.

Confira o vídeo (em inglês):

Crise hídrica em SP: plano da Sabesp inclui dobrar captação no interior

Os índices pluviométricos foram generosos em São Paulo no primeiro semestre deste ano. O verão voltou a ser muito úmido e a temporada de chuvas se estendeu surpreendentemente até o começo de junho. Tanta água ajudou a recuperar um pouco os reservatórios da maior região metropolitana do Brasil, mas o clima já ficou seco e a situação do sistema hídrico volta a virar notícia. Ainda mais quando  a Sabesp, empresa que gerencia o abastecimento de água na Grande São Paulo, anuncia a intenção de dobrar a captação no interior.

No momento mais delicado da crise hídrica paulista, o governo estadual decidiu realizar obras para tornar dar mais fôlegos aos diversos sistemas de reservatórios que abastecem a capital e cidades vizinhas. Em 2010, a Sabesp informou ser viável retirar 4,7 mil litros de água por segundo dos rios São Lourenço e Juquiá, localizados a sudoeste da capital.

Houve um aumento na previsão de captação em 2015, mas, neste ano, a empresa aumentou a meta para 9,7 mil litros, mais que o dobro do previsto no início da década. O plano ainda depende de aprovação. As obras totais estão calculadas em R$ 2,2 bilhões, financiadas por parceria público-privada, e estariam prontas em 2018.

Já surgiram protestos em cidades da região afetada, como Juquitiba, Itapecerica da Serra e São Lourenço. A Folha de São Paulo fez uma bela reportagem sobre o assunto e recomendamos a leitura. No texto, o repórter Fabrício Lobel conversou com especialistas e a decisão da Sabesp é bastante contestada. “A retirada de água da bacia do Juquiá retrata uma prática irracional existente no Brasil, onde as cidades, ao se expandirem, contaminam seus mananciais e buscam novos cada vez mais distantes”, comentou o hidrólogo e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Fábio Tucci, autor de um estudo sobre essa bacia.

Emirados Árabes pensam em construir montanha para ter mais chuva

Um pouco de conceitos meteorológicos. Quando uma massa de ar encontra uma grande elevação no relevo, como uma serra, o ar quente e úmido se choca com a montanha e sobe. A umidade forma nuvens que acabam causando precipitações mais costantes. É a chuva orográfica, muito comum quando há cadeias de montanhas próximas à costa.

Como a umidade acaba condensando por causa da montanha, ela não avança para o interior, e o outro lado da serra, conhecido como sombra de chuva, muitas vezes é bastante seco. Há casos bastante conhecidos de cadeias de montanhas que criaram áreas férteis de um lado e desérticas do outro: o planalto do Tibet, o oeste da Argentina, o deserto da Judeia (Israel) e os desertos de Sonora e Mojave nos Estados Unidos e México. No futuro, essa lista pode ter os Emirados Árabes.

Não, não há nenhum registro de atividade tectônica que esteja erguendo uma cadeira de montanhas no sudeste da Península Arábica. É o ser humano que pode fazer isso, tudo para lidar com a dificuldade de disponibilizar água para uma economia que cresce acentuadamente, sobretudo em torno das metrópolis do país, Abu Dhabi e Dubai.

EXCESSO DE CHUVA: O Brasil real recebeu balde de água suja na noite passada

O governo dos Emirados Árabes contratou o National Center for Atmospheric Research (NCAR), dos Estados Unidos, para estudar o efeito que montanhas teriam no clima do país. A ideia seria elevar o relevo artificialmente, fazendo que a umidade que vem do Golfo Pérsico se transforme em chuva ao invés de se perder pelo interior da Península Arábica. A informação é do site Arabian Business.

A previsão do NCAR é que os primeiros resultados sejam apresentados nesse verão do hemisfério norte (inverno no Brasil). Nessa primeira fase, o instituto já mostraria os efeitos para cada tipo de montanha, que altura ela poderia ter, qual sua inclinação e onde ela deveria estar localizada, afirmou Roelof Bruintjes, um dos pesquisadores  ao Arabian Business.

Os emiratenses pagarão US$ 400 mil pelo estudo. Pode parecer muito dinheiro, mas é menos que ps US$ 558 mil que o governo local gastou só em 2015 para semear nuvens.

A partir dos dados apresentados, os Emirados Árabes analisarão a viabilidade econômica de se construir as montanhas ou uma serra. Em 2011, um grupo de investidores estudou a construção de uma montanha para a realização de esportes de inverno na Holanda. O custo estimado era de US$ 400 bilhões, ainda que a comparação não seja muito precisa, pois o caso holandês exigiria muito mais segurança e precisão em detalhes do relevo para criar uma boa pista de esqui, os emiratenses precisam apenas de uma barreira para a umidade.

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Atualmente, os Emirados Árabes dependem de água presente no subsolo – e, pelo atual ritmo de consumo, a previsão é que essa fonte se esgote em 50 anos – e das chuvas que caem em nuvens semeadas. Pouco para abastecer cidades como Dubai, que ganhou 800 mil novos habitantes entre 2007 e 2014.