Era feira do livro na minha escola, eu tinha uns 7 anos e minha mãe (como qualquer mãe) procurava alguma coisa que me agradasse para ver se o filho se interessaria por leitura. Ainda mais porque eu estava na primeira série do primário – equivalente ao atual segundo ano do ensino fundamental – e esse negócio de estudar começava a ficar mais sério.

Não tive dúvidas: apontei um atlas. Era um atlas básico, da Melhoramentos, edição atualizada (de 1985), voltado para o ensino básico. Tinha só os mapas dos continentes com divisões de países e o mapa do Brasil com divisões dos estados. No final, havia uma lista de todas as nações do mundo, indicando área, população, capital e produtos de exportação. Não tinha muitos detalhes além disso.

Eu ficava horas olhando aquilo, admirando aqueles desenhos, comparando o tamanho dos países, imaginando que em cada pedaço de terra daqueles viviam pessoas que falavam línguas diferentes, tinham costumes diferentes, torciam por times de futebol diferentes. O mundo era fascinante, e eu rapidamente me tornei uma daquelas crianças que decoram bandeiras e capitais de países e viram atração da reunião de família no Natal por ser “espertinha”.

Obs.: óbvio que tenho esse atlas guardado até hoje. E óbvio que meu filho de 6 anos, prestes a entrar no primeiro ano – pré-primário na minha época – já é outro mini-viciado em geografia, bandeiras, mapas e futebol. Mas eu juro que não o exibo (muito) nas reuniões de Natal.

Desde então, geografia sempre foi uma grande paixão. A partir dela surgiram várias outras: viagens, astronomia, história, arqueologia, futebol/esportes (sim, futebol e geografia têm TUDO a ver), urbanismo… No entanto, nunca tive oportunidade de trabalhar diretamente nessa área. Escolhi o jornalismo, trabalhei com engenharia e arquitetura por alguns anos e depois me instalei em esportes, como editor de site e revista e comentarista de beisebol e futebol na TV.

No último ano, flertei com o tema ao me tornar editor de um site de vida urbana e urbanismo. Então, o bichinho me picou e fiquei com vontade de criar um espaço despretensioso para falar sobre minha maluquice por geografia, história, cidades, viagens e, claro, mapas.

“Mas, diabos, você não explicou de onde vem o nome Rodínia”

Bem, Rodínia foi um supercontinente que existiu há cerca de 1 bilhão de anos (3:16 no vídeo abaixo). Uma pangeia antes da Pangeia famosa. Durante esse período, acredita-se que o planeta tenha ficado todo coberto por gelo. O aumento da temperatura global e a quebra de Rodínia há cerca de 700 milhões de anos motivaram o grande crescimento da vida na Terra.