A contagem de continentes é mais complicada do que parece. A expressão “cinco continentes” é muito comum, considerando África, América, Ásia, Europa e Oceania. No entanto, esse critério ignora a existência da Antártida, que Europa e Ásia podem ser contadas como uma só (Eurásia) e que a América pode ser dividida em duas massas territoriais (Norte-Central e Sul). E agora aparece a Zelândia.

Não chega a ser uma completa novidade. A Zelândia já era conhecida como um fragmento continental que se descolou da Austrália entre 60 e 85 milhões de anos atrás. No entanto, uma pesquisa publicada na revista da Sociedade Geológica da América nesta sexta (17) considera que se trata realmente de um continente. Um continente formado por Nova Zelândia, Nova Caledônia, algumas outras ilhas do Pacífico e uma grande área submersa.

Fragmento continental ou microcontinente – Massa que se descola de um continente para formar um território separado. Teoricamente, todo continente é um fragmento de um maior, da era dos supercontinentes (Rodínia, Pangeia, Laurásia, Gondwana), mas o termo microcontinente é adotado para os territórios menores que a Austrália. Exemplos de fragmentos continentais: Madagascar, Cuba, Hispaniola, Jamaica e os platôs onde estão as ilhas Seychelles e Maurício.

O grupo de cientistas, de instituições neozelandesas, australianas e neocaledônios usaram quatro critérios para definir um continente: elevação sobre a área a seu redor, geologia distinta, área bem definida e crosta mais grossa que o leito oceânico normal. Zelândia atende a todos esses requisitos para ser considerada um continente, por mais que 94% de sua área esteja debaixo da água.

É possível chamar essa massa de “continente” pela área: 4,92 milhões de km², dois terços da Austrália (menor continente do mundo, ao menos por enquanto) e mais que o dobro da Groenlândia (maior ilha do mundo). A Zelândia também se manteve inteira, sem novas fraturas após se descolar da Austrália e submergir.

A importância de discutir se estamos diante de um continente ou de um fragmento continental está justamente na possibilidade de se analisar a capacidade de uma grande massa de terra submergir e não perder sua integridade. Mas já dá para imaginar outro motivo para se discutir o caso: lembrar alguns mapas da existência da Nova Zelândia.

Tirando no rugby, os neozelandeses têm motivos para se sentirem ofuscados pelo gigantismo da Austrália. O governo até tentou criar uma nova bandeira para o país se diferenciar mais dos vizinhos. Mas a Nova Zelândia é tão esquecida que há uma epidemia de mapas pelo mundo que ignoram sua existência. 

Um sujeito (ou um grupo, não dá para saber) até criou o bem humorado site “World Maps without New Zealand” só para reunir imagens de mapas que apagaram a Nova Zelândia. Quem sabe se isso não acaba com o país ganhando a condição de principal território de um novo continente?

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