Antes de tudo, deixar claro: eu sou paulistano, adoro metrô e votei em São Paulo no inútil-mas-divertido “Copa do Mundo de Mapas de Metrô”. Infelizmente, meu voto e de outras pessoas – provavelmente conterrâneos meus – não foi suficiente para a capital paulista progredir para as fases finais da competição. Mas, falando friamente, isso faz todo o sentido.

A competição foi organizada pelo site Transit Maps (aliás, sigam os caras!). Foram selecionados mapas de transporte público de 32 cidades pelo mundo (São Paulo foi a única brasileira), com duelos organizados em sistemas eliminatórios. Uma cidade era colocada contra outra, os leitores do site entravam, votavam e pronto: quem tivesse mais votos avançava para a etapa seguinte.

São Paulo passou por Washington na primeira fase, mas caiu diante de Seul nas oitavas de final. A grande vencedora foi Santiago, que  passou por Singapura, Vancouver, Seul, Boston e Moscou antes de conquistar o título. A capital chilena nem tem um mapa de metrô tão fantástico assim, provavelmente foi impulsionada por alguma campanha virtual no Chile, mas a questão aqui é discutir São Paulo.

A capital paulista não merecia melhor sorte. O metrô de São Paulo tem estações em estado de conservação acima da média, as composições são confortáveis nos horários em que não viraram lata de sardinhas humanas e há perspectiva de ampliação da rede em breve. Mas aqui a questão não é a rede em si, se ela é suficiente, confortável, cheira bem, tem música legal ou tem arquitetura diferente. É uma questão do design do mapa. E, nisso, os paulistanos podiam ser mais bem atendidos.

Esse é o mapa da rede de transportes metropolitanos de São Paulo hoje (clique aqui para ver maior):

Mapa do Metrô de São Paulo

Mapa do Metrô de São Paulo

Visualmente, não é harmonioso. Parece haver um esforço para fazer as linhas serem o mais retas possíveis e todo o mapa ficar quadrado, mas o resultado é um monte de buracos no meio e espremendo as estações das linhas Diamante, Safira e Vermelha. Para piorar, o mapa nem reflete tão bem assim a rede, pois São Caetano do Sul aparece muito mais a leste que a Penha, sendo que a Penha é mais oriental.

Como parâmetro, é só comparar com alguns outros, como Moscou, Londres, Tóquio e Seul.

Esse desenho é resultado de atualizações da época em que a o Metrô tinha apenas duas linhas (Norte-Sul e Leste-Oeste, atuais Azul e Vermelha) e o mapa era uma cruz. Mas dava para fazer um novo desenho.

Há uma segunda versão, feita em escala e presente em várias estações. É interessante para ver a dimensão real, mas não é muito prático para o dia a dia porque dificulta uma busca rápida pelas estações, sobretudo no centro expandido.

Ainda assim, não é preciso criar algo do zero. O próprio governo do estado de São Paulo, quando foi projetar como estaria a rede de transportes da Grande São Paulo na próxima década, fez um mapa novo, muito mais interessante. As linhas têm traçados mais parecidos com os reais, mas ainda é prática e de fácil consulta.

Veja abaixo (considere que o mapa inclui linhas ainda em construção, projeto ou planejamento):

Mapa do Metrô de São Paulo com possíveis expansões

Mapa do Metrô de São Paulo com possíveis expansões

Claro, toda essa questão é de pouca relevância real. É mais um debate de design, mas o debate em torno da Copa do Mundo de Mapas de Metrô era estético e a eliminação precoce de São Paulo se deu por causa disso.

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