Dezembro está acabando, janeiro está começando, e bilhões de pessoas estão se envolvendo em algum tipo de evento (de festa a apenas fazer promessas) para a virada de ano. Estamos tão acostumados a ver a numeração do ano e a forma de dividir o calendário estar ligada à eventos religiosos que muitas vezes esquecemos como isso, no final das contas, é uma unidade de medida. E, como unidade de medida, quanto maior a padronização internacional, melhor.

A indústria norte-americana adota o sistema métrico ao lado do imperial, pois isso facilita o comércio internacional de seus produtos. Da mesma forma, ter datas uniformes reduz o risco de confusões na hora de empresas de diferentes países – ou unidades internacionais da mesma empresa – realizarem planejamento conjunto, firmar contratos ou mesmo alinhar a gestão.

Por isso, muitos países não católicos romanos acabaram adotando o calendário gregoriano de alguma forma. O último católico ortodoxo a manter o calendário justiniano foi a Grécia, que resistiu até 1923. Nações não-cristãs muitas vezes mantêm um calendário tradicional para eventos religiosos e o gregoriano para usos civis. 

Há ainda lugares em que o calendário ocidental é seguido na divisão de meses e semanas, mas a contagem do ano não toma como base o nascimento de Cristo. No Japão e em Taiwan, a contagem é por “eras”, ou o período em que cada imperador ou regime político esteve no poder. Na Coreia do Norte, o calendário tem início no nascimento do líder Kim Il-Sung, em 1912 (“juche 1” para os norte-coreanos).

Então, no final das contas, em que países este fim de semana não tem valor simbólico algum?

São poucos:

– Afeganistão, que usa o calendário iraniano e vira a folhinha em 21 de março do calendário gregoriano (20 de março em anos bissextos);
– Países árabes, que segue o calendário islâmico e celebra o Ano Novo em 1º de muharram. A data varia em relação a nosso calendário. O último caiu em 3 de outubro de 2016. O próximo será em 22 de setembro de 2017. Mas desde os últimos meses, o governo já começou a usar o calendário gregoriano para situações civis;
– Etiópia, que adota o calendário etíope e tem sua virada de ano em 11 de setembro (12 de setembro em anos bissextos);
– Irã, que, como é de se imaginar, também segue o calendário iraniano.

Nas nações acima, o calendário gregoriano não tem uso civil ou religioso e este fim de semana não representa nada em especial. Em outros lugares – como a maior parte das nações islâmicas, Israel, Índia, Bangladesh, Tailândia e China -, a grande celebração de Ano Novo se dá no calendário de suas culturas e/ou religiões, mas o calendário gregoriano tem validade civil e o 1º de janeiro também recebe importância simbólica. Em Israel, por exemplo, serve como um marco para a entrada em vigor de novas leis (1º de janeiro de 2017 será feriado, mas por coincidir com o oitavo – último – dia do Hanukkah).

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