O ano da (des)graça de 2016 está terminando, e uma das mudanças que ele deveria ter trazido para amantes de mapas e geografia continua sendo ignorado por quase todo mundo, sobretudo no Brasil. O país que fica a sudeste da Polônia, sudoeste da Alemanha, norte da Áustria e noroeste da Eslováquia não deve ser chamado mais de República Tcheca no dia a dia. Esse ainda é o nome oficial da nação, mas chamá-la assim é como se referir ao Brasil como “República Federativa do Brasil” ou ao Reino Unido como “Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte”. Deveria ser usado simplesmente Tchéquia.

Desde que a Tchecoslováquia se dividiu pacificamente em 1993, o lado oeste do país busca um “nome fantasia”. Os nativos não tiveram problema, adotando inicialmente Cechy (nome da região da Boêmia, que forma a República Tcheca/Tchéquia junto com Silésia e Morávia), depois Cesko. Mas, em outros idiomas, não havia uma versão clara.

Já na época, o governo tcheco tentou estabelecer Tchéquia como o nome da nação para outros idiomas. Alguns, como alemão, holandês, finlandês, russo e romeno, adotaram a denominação. Mas outros, como inglês, francês e português, ficaram com o formal República Tcheca.

Em 2016, o governo tcheco decidiu reforçar seu desejo de que o país seja conhecido pelo resto do mundo por um nome mais simples. Entre outras coisas, isso facilita a comercialização da nação para investidores e para turistas.

Assim, em abril foi protocolado um pedido de mudança do nome da República Tcheca na ONU. A proposta foi aceita e, desde julho, a página com nomes geográficos aceitos pelas Nações Unidas já chama o país de “Tchéquia”. Em setembro, o governo britânico publicou um comunicado informando que Tchéquia era o novo nome em inglês da República Tcheca. Os americanos foram juntos: a CIA já usa Tchéquia no seus relatórios sobre nações do globo.

Parece claro que o nome do país mudou. Houve um pedido do próprio governo tcheco e instituições internacionais o aceitaram. Ainda assim, continua a se usar República Tcheca, uma versão que, convenhamos, é mais difícil de falar e longa para escrever (para um jornalista que tem de preparar uma manchete, é muito mais prático empregar palavras curtas).

A Folha de São Paulo costuma respeitar a ideia de que cada nação tem o direito de escolher como será chamada. Isso não se aplicou à Costa do Marfim (que quer ser chamada pelo francês Côte d’Ivoire em todos os idiomas), mas está valendo para Belarus e Moldova. Usar Tchéquia seria natural, mas não é. Uma busca pelo termo “tchéquia” na busca do site do jornal chega a apenas um texto, escrito no final de setembro por um diplomata tcheco.

Uma pena. Tchéquia é realmente mais simples e soa muito mais informal que República Tcheca.

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