Para Berlim, o mercado de Natal é uma instituição

O mundo ainda estava assustado com o assassinato do embaixador da Rússia na Turquia quando veio a notícia. Um caminhão invadiu o mercado de Natal da Breitscheidplatz, Berlim, matando 12 pessoas. Um ataque chocante por si só, ainda mais porque muitas crianças foram transformadas em alvo. Mas, no caso de uma cidade alemã, o impacto é ainda maior pelo local em que ocorreu. Um mercado de Natal não é apenas uma feirinha que vende bolacha de gengibre, luzinhas e bolas para decorar o pinheirinho da sala. É uma instituição, uma parte fundamental em se viver o período do Advento, as quatro semanas que antecedem o 25 de dezembro.

A Alemanha é uma das referências nessa área. No final de novembro, crianças ganham caixas de brinquedos ou doces divididas em 24 partes, para serem abertas uma por dia a partir de 1º de dezembro. Os mercados de Natal pipocam pelas cidades e são criados roteiros para quem quiser visitá-los (e não faltam turistas natalinos pela Europa, muitos deles procurando Alemanha, Áustria e Suíça, referências nessa área). Há mercados gerais, há os temáticos (decoração, comida), há pequenos parques de diversões, há palco para coral infantil.

Essas feiras são tão importantes na experiência natalina dos alemães que há até canções que falam sobre elas. Uma das mais recentes é “Auf dem Weihnachtsmarkt” (“No mercado de Natal”), lançada por Larissa Scholies (cantora de músicas infantis) em 2014. A letra fala de crianças indo ao mercado para fazer lanche, andar no carrossel, ver as luzes e o Papai Noel, sentir o cheiro da bolacha de gengibre, sentir a neve cair.

Vivenciar isso tudo é tão importante para as famílias alemãs que nem um atentado é capaz de impedi-las de voltar. Basta ver a foto acima, tirada no mercado da Breitscheidplatz dois dias depois do ataque.

Ouça “Auf dem Weihnachtsmarkt”, de Larissa Scholies (letra original na descrição do vídeo):

Texto publicado originalmente para a newsletter do Outra Cidade. Para assiná-la, clique aqui.