Há racismo no Brasil, sempre houve. Talvez hoje ele se mascare de outra forma, mas o preconceito já foi algo aberto e institucional. Um exemplo veio de um achado do músico, jornalista e remista Lucas Berredo, amigo de jornadas automobilísticas. Sua prima estava vasculhando objetos que pertenceram ao avô e encontrou um livro didático de geografia e história publicado em 1936. Uma obra que revela muito sobre sua época.

Na página 17, o material mostra a seus leitores a diferença entre raças. A “raça branca” é descrita como “mais intelligente, activa, perseverante, emprehendedora e civilizada de todas”. Os “amarellos” são “intelligentes, perseverantes e emprehendedores”, mas não fala nada em civilizado e “activo”. E os negros… bem… eles “estão muito mais atrasados que os precedentes”.

Definições raciais em livro didático de 1936 (Lucas Berredo)

Definições raciais em livro didático de 1936 (Lucas Berredo)

Essas palavras são de revirar o estômago (e não vou gastar linha contra-argumentando esse horror), mas é ainda mais assustador imaginar que isso era usado como material didático no primário (atual ensino fundamental I), para crianças que não tinham repertório para contestar. O livro é colocado como referência para alunos que fossem realizar o exame de admissão no curso secundário ou “commercial”.

O papel desgastado pode até enganar, mas não faz tanto tempo que essas páginas eram usadas em sala de aula: o livro tem 81 anos, e teve novas edições depois. Ou seja, há pessoas ainda vivas que foram educadas dessa forma. Que elas tenham sabido fugir dessa “lição” para não repassá-la para frente.

Não mencionei o nome do livro e de seu autor propositalmente.

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