Sadako Sasaki era uma garota de Hiroshima que tinha dois anos quando a bomba atômica explodiu em sua cidade, em 6 de agosto de 1945. Em 1954, ela teve diagnosticada uma leucemia, consequência da radiação à qual foi exposta nove anos antes. Sadako foi internada em fevereiro de 1955 e, em agosto, ouviu de um colega de quarto que quem dobrasse mil tsurus (o famoso pássaro de origami) teria direito a fazer um pedido.

A jovem começou a usar todo o papel que encontrasse disponível para uma última tentativa de pedir pela cura, mas não resistiu. Faleceu em outubro de 1955, aos 12 anos, com 644 origamis dobrados. Seus amigos fizeram mil tsurus, que foram enterrados com a estudante. Uma estátua em sua homenagem foi erguida no Parque Memorial da Paz de Hiroshima e, todo 6 de agosto, crianças deixam origamis aos pés da imagem da garota.

O uso da bomba atômica na Segunda Guerra Mundial é bastante polêmico e só pode ser completamente entendido se os argumentos mais comuns (a estratégia de guerra) estiverem acompanhados do lado humano. Por isso, o encontro entre Barack Obama, presidente dos EUA, e Shinzo Abe, primeiro-ministro do Japão, na última terça não foi histórico apenas por marcar o 75º aniversário do ataque a Pearl Harbor, estopim da entrada norte-americana na guerra. Foi também a oportunidade de ambos estarem juntos de um origami de Sadako Sasaki.

Os dois líderes visitaram o Memorial do USS Arizona, encouraçado da marinha norte-americana atacado pelos japoneses em dezembro de 1941. Lá, puderam ver um dos tsurus da garota de Hiroshima, parte do acervo do museu desde setembro de 2013, quando foi doado pela Fundação Legado de Sadako como símbolo de paz e reconciliação.

A família Sasaki guardou os origamis de Sadako após sua morte e cedeu alguns como gestos de paz. A simplicidade da trajetória da garota e sua luta inglória contra os efeitos da radiação não pode ser esquecida jamais. E nem é preciso ir até o Japão ou ao Havaí para ter mais contato com essa história. Entre os tsurus doados pelos familiares da menina, um está no Brasil, na Assembleia Legislativa de São Paulo, desde 2015. O fato é conhecido por pouca gente, um problema compreensível. Uma peça como essa, por seu valor histórico, merecia ser exposta ao público, em um local destinado para isso. Como diria Indiana Jones, “isso pertence a um museu”.

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