É fácil conhecer Los Angeles e quase nunca colocar os pés nela. O sistema de transporte da cidade se estruturou em torno de autopistas, e o melhor (muitas vezes único) jeito de ir de um lugar para outro é pegar o carro, subir no elevado, rodar por muitas milhas até chegar ao destino. Há um mundo de coisas embaixo dessas superestruturas, mas, quem se importa quando se está com pressa?

Bem, mas vale a pena se importar um pouco. São Francisco, a outra grande metrópole da Califórnia, é arrumadinha (ainda mais depois de um forte processo de gentrificação em seus bairros de classe média), sob medida para entrar no sonho estereotipado de consumo de um turista ou alguém que pretenda morar fora um tempo. LA não é assim, mas muitas vezes ela soa mais real quando se desce para o nível da rua e a cidade expõe todas as imperfeições.

Quando o vocalista Anthony Kiedis estava se distanciando de seus companheiros na banda Red Hot Chili Peppers, ele sentia que sua única companhia era Los Angeles. A solidão oferecida pela cidade feita para carros acabava servindo como fator de identificação. Foi a inspiração para ele compor “Under the Bridge”, um dos maiores clássicos da banda. A referência à ponte presente no título é a lembrança sombria do ponto em que ele comprava drogas, mas é sob as dezenas de autopistas que está a cidade real.

No clipe, Kiedis caminha pelas ruas, interagindo com a Los Angeles que as freeways não mostram. E lá está uma metrópole instigante dentro de seu jeito de ser. Milhões de imigrantes deixaram países dos mais diferentes, como México, Coreia do Sul, China, Filipinas, Irã, Armênia, Etiópia e Bangladesh, entre outros, para tentar construir sua vida. Eles dão uma cara cosmopolita e humana a LA, uma cara imperfeita como tudo o que é verdadeiro. E há algo de reconfortante nisso.

Texto publicado originalmente para a newsletter do Outra Cidade. Para assiná-la, clique aqui.

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