Os Jetsons eram a imagem do futuro que se via no século 20. Um mundo prático, rápido, em que alguns botões ou comandos acionariam máquinas que dariam tudo pronto para seguir nas suas tarefas, da pasta do trabalho às refeições. Era assim a própria abertura do desenho. De certa forma, era isso o que representa, dentro das limitações tecnológicas evidentes, o drive-thru das milhares de restaurantes de fast food espalhadas pelo mundo.

O processo de passar pela lanchonete durante seu caminho para casa (ou qualquer outro lugar), pedir a comida, pagar por ela e recebê-la sem mesmo sair do veículo era a versão século 20 do que se imaginava para o milênio seguinte. Tudo mecanizado e seguindo uma linha de produção para servir as pessoas sem que elas deixem de seguir seu rumo. Até o fato de a comida ser industrializada se encaixa. Talvez um hambúrguer feito na hora, saboroso, não tivesse a mesma graça nesse contexto.

Ainda que a rede que tenha mais trabalhado em nome de um sistema de drive-thru eficiente seja o Wendy’s, o McDonald’s é o grande ícone desse processo. Algo que se tornou tão forte em uma sociedade voltada ao carro, como os EUA, que 70% das vendas da rede são realizadas nesse sistema. E é justamente a rede do grande M que anunciou que dará início a mudanças significativas no processo de retirada expressa de lanches.

A partir desse ano, o cliente poderá pedir sua comida por um aplicativo e retirar nas unidades do McDonald’s, onde haverá um espaço para isso. Não muda tanto a ideia de se comprar sem sair do carro, apenas o fato de que as filas nos corredores do drive-thru devem ser reduzidas. Mas, na essência, é a digitalização do século 21 alterando um processo analógico que se supõe de ponta, algo com a cara do século 20.

Não é o caminho definitivo para as lanchonetes fast food, até porque as cidades – mesmo nos Estados Unidos – se organizam para depender cada vez menos de carros. Mas nem sempre a evolução é linear. E nem sempre é possível se livrar de alguns vícios, como ainda vender a praticidade dos Jetsons, mas agora com um toque um pouco mais moderno.

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