O Dia Internacional da Mulher foi instituído na primeira década do século 20 dentro de um processo de luta das mulheres por mais direitos. Havia demandas na área trabalhista e social, e o direito ao voto era uma das exigências mais recorrentes, mesmo nas grandes democracias do planeta. Em março de 1917, há 100 anos, o movimento feminista dos Estados Unidos iniciava uma campanha que usava o Canadá como modelo.

Aquele mês marcou a abertura do voto feminino na então província de Ontário. Com isso, praticamente todo o Canadá tinha sufrágio feminino. As exceções eram Quebec, Yukon e Territórios do Noroeste (Terra Nova e Labrador não faziam parte do território canadense na época).

Enquanto isso, os EUA estavam muito para trás. Apenas 12 estados (Alasca, Arizona, Califórnia, Colorado, Idaho, Kansas, Montana, Nevada, Oregon, Utah, Washington e Wyoming) permitiam as mulheres a votarem em todas as situações. Em sete (Dakota do Norte, Illinois, Indiana, Michigan, Nebraska, Ohio e Rhode Island) elas podiam participar só das eleições presidenciais. Em um (Arkansas), a abertura era limitada às primárias dos partidos. E em 29 (incluindo Nova York, Pensilvânia, Massachusetts e Flórida), não tinham direito a nada.

Cartaz de 1917 para campanha pelo sufrágio feminino nos EUA

Cartaz de 1917 para campanha pelo sufrágio feminino nos EUA

O estado pioneiro foi Wyoming, que permitiu as mulheres a votarem em 1869. Logo após a publicação do mapa acima, Nova York, Texas, Arkansas e Oklahoma permitiram a participação delas nas eleições. Ainda assim, o sufrágio feminino só foi garantido em todo o território americano em 1920, com a 19ª emenda constitucional.

O Brasil vivia o mesmo processo. Na década de 1920, as primeiras mulheres brasileiras garantiram na Justiça seu direito a votar, alegando que a lei não mencionava restrição de sexo na participação política. O Rio Grande do Norte foi o primeiro estado a explicitar que não havia distinção de gênero no direito ao sufrágio. Em 1932, Getúlio Vargas assinou decreto permitindo o voto feminino em todo o território brasileiro.

Mas teve lugar que esperou ainda mais. Na Suíça, o sufrágio feminino só foi instituído após referendo em… 1971. E, ainda assim, houve muito debate. O jornalista Jamil Chade, correspondente do Estadão em Zurique, postou no Twitter alguns cartazes da campanha contra o voto das mulheres.

Atualmente, parece um consenso na sociedade que as mulheres devem votar como cidadãs que são. Mas não é preciso voltar tanto no tempo para encontrar uma realidade diferente. Sinal de como a luta feminina é necessária e não é preciso temer as mudanças que elas trazem. No final das contas, todos perceberão que estranho era haver diferença.

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