Futuro do Minhocão vai passar por plebiscito, mas a comuniadde da região que deveria decidir

Minhocão, em São Paulo (Rovena Rosa/Agência Brasil)

O Plano Diretor da cidade de São Paulo já definiu que o elevado João Goular, popular Minhocão, será fechado para os carros em 2029. No entanto, ainda há muita dúvida sobre o que fazer com sua estrutura. E a notícia desta quarta (9) é que pode haver um plebiscito para a população escolher o destino do viaduto.

Essa foi a proposta aprovada pela Câmara de Vereadores da capital paulista, e ainda depende da aprovação do prefeito Bruno Covas. Seriam três opções: desmontar totalmente o elevado, deixá-lo inteiramente como um parque horizontal (como a Highline de Nova York, referência automática sempre que se fala nisso) ou o desmonte apenas entre a Praça Roosevelt e o Largo Santa Cecília, deixando o resto como parque horizontal.

A ideia soa democrática: tira o debate do universo político e deixa para as pessoas decidirem. Bem, ela é democrática, mas talvez não seja a melhor. Afinal, deixaria para milhões de paulistanos que não ligação com o Minhocão decidirem o que fazer com ele. Para muita gente, o único impacto do elevado no dia a dia é o papel no sistema viário. Mas isso já está definido: o viaduto será fechado. O plebiscito diria respeito apenas ao que fazer com a estrutura, o que tem papel nulo na vida de quem não mora ou circula pela região.

Seria muito mais justo criar um método para que as pessoas que vivem no entorno do Minhocão pudessem decidir. Elas que sofrem com o impacto urbanístico, imobiliário e visual do elevado, e elas que poderiam aproveitar os benefícios de uma área de lazer feita em cima dessa estrutura. Ou seja, esses paulistanos que teriam mais elementos para tomar a decisão mais justa para a realidade da região.

Claro, definir um plebiscito apenas para moradores — ou pessoas registradas em zonas eleitorais — de uma região poderia criar dificuldades políticas e até legais. Mas seria muito melhor se as pessoas que seriam impactadas com o resultado do plebiscito não corressem o risco de terem suas posições ofuscadas por milhões de pessoas que vivem do outro lado da cidade.